novidades e outras coisas

E, desta forma[porto de Leixões passará a ser administrado por um administrador delegado, dependente de uma empresa lisboeta], a economia do Norte estará a sustentar esses modelos, continuando a pagar mais, e nada recebendo em troca. (Rui Moreira in JN)

titanic

Faz hoje 100 anos que aconteceu o famoso naufrágio. Curioso, quando era miúdo parecia-me uma história de tempos muito remotos. Agora, apanhou-me de surpresa terem passado somente 100 anos.

Apesar do impacto que teve na época, não passou dum episódio dramático e sem consequências para o mundo. Porém, ficou a imagem do enorme barco demasiado grande para afundar (e que foi ao fundo a meio da 1ª viagem) e do critério de prioridade de acesso aos barcos salva-vidas (passageiros de 1ª classe primeiro…). Como alegoria da corrente crise económica na Europa e América do Norte é impecável, e nos últimos anos tem sido usada abundantemente. Desde as entidades financeiras e economias nacionais “demasiado grandes para irem à falência”, ao prudente critério de todos os idosos com necessidade de hemodiálise terem direito ao tratamento se pagarem, a poderosa imagem do Titanic funciona como a dum mito grego sempre rico em novos sentidos e actualidade.

Como todas as comparações e simbolismos, tem os seus limites: o capitão do Titanic não abandonou o barco, nem os passageiros que ficaram sem salvamento.

Sendo optimista por natureza, desvalorizo o detalhe histórico da Europa e América do Norte terem vivido décadas de paz e prosperidade até dois anos e meio depois do naufrágio. O calendário maia não é para aqui chamado.

um santo natal

…infelizmente com uma sólida tradição de outras asneiras por trás, construir a barragem prevista para o Tua.

O que temos no vale do Tua, o rio, o vale, a linha ferroviária, o equilíbrio da terra, da água, das escarpas, da vegetação, do vento, da solidão agreste, é hoje único em Portugal. Ou seja, não há mais. Acaba-se com o vale do Tua e com excepção de alguns trechos fluviais, muito mais pequenos e sem a dimensão agreste do Tua, já não existe nada de semelhante em lado nenhum. Estamos diligentemente a acabar com outro destes vales, o do Sabor, pelo que sobra apenas o Tua. (JPP in Abrupto)

fado triste

Nestes séculos da história recente da falta de auto-estima portuguesa, volta-e-meia surgem “corridas do ouro” tão típicas na ilusão, como no resultado. Veja-se este artigo do JN onde se fala dum programa de obras de barragens e como as oportunidades de negócio surgem como cogumelos em localidades algo remotas e esquecidas: os arrendamentos tornam-se mais lucrativos graças aos trabalhadores migrantes trazidos pela barragem; restaurantes e cafés idem, pela mesma razão. E os media ajudam à euforia dando a nota vibrante e optimista.

Daqui a um tempo, talvez dois, talvez 3 anos, as obras acabam e os trabalhadores já terão sido desmobilizados (desempregados?) e partido para outras terras. E seca estará a árvore das patacas. À semelhança de centos de casos semelhantes nas últimas décadas, o subdesenvolvimento será o mesmo do tempo anterior à barragem.

E a riqueza gerada pela barragem, sempre tão bem publicitada por governos, câmaras, etc? É ver a região do Alqueva, do Douro, e de todas as que sofreram semelhantes “corridas do ouro”. À excepção do turismo e da agricultura, que mais? Só que ambas actividades não dependem da barragem, e já lá “estavam” antes.

A barragem, pelo contrário, é que pode prejudicar a região. A curto e longo prazo.

Mas é da nossa falta de auto-estima insistir sempre nos mesmos erros. É o nosso fado. Como o texto abaixo relata, há tesouros e oportunidades douradas que são   prejudicadas por todos: população, autarquias, governo central…

Triste é perceber que o Porto vira destino turístico com o apoio de uma empresa estrangeira e a quem o Estado dificulta a vida.

Que a cidade reanima o seu centro com novas lojas e habitação com a iniciativa privada (possível) e que as entidades de licenciamento continuam a dificultar e a impor regras que não se aplicam. Que a excelente movida nocturna, que também já veio publicitada na comunicação estrangeira, não tem regras de convivência com a cidade e não há quem as saiba fazer. Que recebemos turistas e vivemos uma cidade que não liga ao seu Património, às suas margens e trata cada lado do rio como se dois feudos se tratassem. Que os buracos imperam em todas as ruas da cidade e só se asfalta o trecho do autódromo do Parque da Cidade.

Não continuo porque afinal a época é Natalícia e será melhor fazer de conta que há que “adoçar”. (Alexandre Burmester in A Baixa do Porto)

Um qualquer canal de TV, pela enésima vez, resolveu preencher o tempo de emissão com um tipo de “informação” barato e de rápida popularidade: fazer dos outros burros.

O alvo foram estudantes universitários, as perguntas eram de cultura geral e as respostas seleccionadas bastante ridículas. Para quem veja filmes e séries de televisão sobre manipulação de informação e entretenimento, o que se viu não tem relevância alguma. Mas a popularidade que ganham estes programas é digna de reflexão. Read the rest of this entry »

Se repetirem o exercício (abstrato) de desenharem uma circunferência com um raio de 80 km centrada em Lisboa, encontram cerca de 3,45 milhões de pessoas, quase um terço da atual população total do país, 10,6 milhões. Mas se desenharem igual círculo à volta do Porto, encontram cerca de 3,77 milhões. Mais de um terço da população.(…) A demografia diz-nos pouco do poder real das regiões, mas é clara neste aspeto: o Porto é o centro populacional do país. (in Nuno Gomes Lopes)

Infografia de Nuno Gomes Lopes onde se desenham circunferências  com raios iguais centradas no Porto e em Lisboa e respectiva cobertura demográfica.

Tempo de castañas e magostos outonizos, ás portas do san Martiño, que anuncia a chegada dos rigores do inverno. Mais tamén, no eido festivo, estes son días de Samaín, a festa das caveiras de orixe céltica, con forte presenza na tradición rural galega (…)  os espíritos dos defuntos e das fadas invadían, por unhas horas, o mundo dos humanos; e os vivos podían penetrar no mundo do alén e quedar alí presos por mor dun feitizo ou meigallo.(…)

Abandonemos os vampiros homoxeneizadores do Halloween estadounidense e festexemos a fadas, trasnos e o resto dos nosos seres míticos (que temos un riquísimo patrimonio neste eido). Exaltemos a nosa terra farturenta en humildes cabazas, tallemos con elas caveiras, preparemos doces gorentosos e acendamos candeas para tratar de escorrentar a tantos demos e bruxas que nos axexan. (in Brétemas)

haloween

Se, conforme muitos gostam de dizer, não há coincidências, como interpretar o facto da população humana atingir a cifra dos 7000 milhões precisamente hoje? Pois… assustador, sim.

"-Está cada vez mais caro engorda-los desde que o governo passou a ser mais restritivo no uso de açucares e gorduras na composição dos alimentos.

Curiosamente, parece que as Nações Unidas projectam para 2100 uma variação que vai de 6000 milhões a 14 000 milhões, e qualquer um destes extremos não anuncia nada de bom. Se associarmos a isto a subida do nível do mar, sobrando menos espaço e menos áreas para cultivo (entre outras maleitas do aquecimento global)…

Além da solução chinesa do filho único (insustentável a prazo) e a proliferação sem planeamento, como acontece ainda nos países mais pobres, a solução de emigrarmos para outro planeta já não desperta o entusiasmo que despertava 40 anos atrás.

Mas como sou um piedoso crente na existência das coincidências, valorizo especialmente esta outra notícia sobre crescimento demográfico. Afinal, os abutres sempre são criaturas mais “afeiçoadas” ao folclore da quadra: praticantes da necrofilia e necrófagas, cheirando de modo condizente, rondando os moribundos e as criaturas enfraquecidas, que têm os abutres-negros para nos dizer de positivo?

Que o respeito pela natureza e pela sua diversidade são uma das vias para podermos resolver problemas decorrentes do crescimento demográfico?

Ah, se tudo fosse tão simples…

pensar o futuro

Já se sabia que isto do optimismo tem uma componente ambiental, mais recentemente parece que identificaram um gene responsável, e, agora, um estudo revela que o cérebro optimista tem tendência a contrariar as evidências desagradáveis e a desvalorizar riscos.

Nada que a vida ( e o bom senso) não nos ensine. Suponho que o sábio louco alemão mandaria tal conclusão às malvas, por tão óbvia, et pour cause, demasiado superficial.

Popularmente, há o velho teste do copo meio cheio-meio vazio. E a variante optimista que vê o copo meio-cheio, mas com tendência a esvaziar; e a variante contrária, que o vê meio-vazio, mas metade já está do lado de cá.

Pessoalmente, creio que combino a variante optimista do copo meio-cheio (mas a esvaziar) com a pessimista (excepto no que diz respeito ao meio-vazio). Isso faz de mim o quê? Pois…

Ou como alguém disse:

meio-cheio/ou meio-vazio/o copo

sobre a mesa pousei-o

sou eu/sem mais/medida do meu desejo   

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