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“Eh. Do demo?”

Ainda hoje, eu mesmo, disso, para mim, eu peço espantos. Qu’ é que me acuava? Agora, eu velho, vejo: quando cogito, quando relembro, conheço que naquele tempo eu girava leve demais, e assoprado. Deus deixou. Deus é urgente sem pressa. (in Grande Sertão: Veredas)

Mulher do Ano

aqui falei dela e mantenho o que disse. Toda a sua história é simplesmente extraordinária!

Decidiu criar uma organização não governamental para educar, alimentar e tratar mais de 600 meninos e meninas carenciados e respectivas famílias. Queria quebrar "o ciclo da pobreza" e, a partir desse dia, passou todas as férias e folgas em Daca a trabalhar no projecto. (in Público)

 

 

“Está tudo doido?”

Não. Está tudo cheio de medo. Porque nunca ninguém viu nada assim desde que existe democracia e Noronha do Nascimento e Pinto Monteiro preferiam manifestamente não ter sido eles a ver. Estas são circunstâncias absolutamente excepcionais e eu não sei se temos homens à altura destas circunstâncias. (João Miguel Tavares in DN)

depressão interior

Em contraste com o exemplo do post anterior, esta notícia reflecte o país choramingas e deprimido que aguarda o regresso de D.Sebastião.

As autarquias andam décadas a reclamar estradas, autoestradas, estações de TGV até! Muitas vezes com razão, outras não se percebe porquê.  Depois, quando têm a autoestrada/estrada/ou-lá-o-que-valha espantam-se que os automobilistas passem ao largo, os turistas não durmam na região nem façam compras, e que o Interior esteja cada vez mais velho e despovoado.

Como turista, posso lhes confirmar o que estão fartos de saber: a esmagadora maioria das localidades perde/perdeu aquilo que verdadeiramente atrai (a zona histórica) em prol dum urbanismo que não deve nada ao melhor que se encontra em Rio Tinto ou Ermesinde. Circulando pela região vê-se o eucaliptal/pinheiral substituir o bosque e o baldio original; o ferro-velho, o pavilhão industrial, os bairros de moradia em banda, as estradas e estradões, ocuparem os antigos e pitorescos campos; ribeiras e rios represados e sem vida; monumentos ao abandono.

Quando há zonas naturais que justificam a paragem por vários dias, faltam os percursos pedestres (não confundir com as estradas de terra batida) e, se os houver, sua sinalização.

E,  em vez de aguardarem pela hipotético investimento estrangeiro numa indústria qualquer, bem poderiam perceber o que falta para estimular a iniciativa local nas riquezas naturais (os enchidos, os cogumelos, o turismo de todo-o-ano-todas-as-idades-todas-as-bolsas).

vivacidade

Numa época de crise, num país de choramingas, numa cidade alegadamente deprimida,  esta é uma iniciativa privada que aposta na área cultural e na ocupação de tempos livres, com a vantagem de apostar também na criatividade: muitas das iniciativas levadas a cabo pelo Vivacidade nascem das propostas de frequentadores do espaço que nunca tinham tido oportunidade de os concretizar ou de os mostrar ao público. (in Público)

Ou seja, parece que o que faz falta é um mínimo de iniciativa, de organização e empenho para que as “coisas” aconteçam. Simples, pequenas, quotidianas. E valiosas.

“As pessoas têm um interesse, colocam a ideia e nós trazemos os meios”, sintetiza Adelaide Pereira (in Público) A fórmula parece simples, não?

vivacidade peq

"O Vivacidade, espaço cultural, recreativo e de convívio, no Porto, foi criado precisamente com o objectivo de estimular a formação pessoal e despertar talentos num contexto de partilha." (in Público)

Esos que aún siguen creyendo que haber fusilado a tres hombres está justificado si de preservar el socialismo se trata y  que cuando alguien golpea a un inconforme, es porque este último se lo buscó con sus críticas. (Yoani Sanchez in Generación Y)

Cómo voy a decirle que vive en un país donde ocurre esto, cómo voy a mirarlo y contarle que a su madre, por escribir un blog y poner sus opiniones en kilobytes, la han violentado en plena calle. Cómo describirle la cara despótica de quienes nos montaron a la fuerza en aquel auto, el disfrute que se les notaba al pegarnos, al levantar mi saya y arrastrarme semidesnuda hasta el auto.

Logré ver, no obstante, el grado de sobresalto de nuestros atacantes, el miedo a lo nuevo, a lo que no pueden destruir porque no comprenden, el terror bravucón del que sabe que tiene sus días contados. (Yoani Sanchez in Generación Y)

lições de ciência política

[ELprototipo del nuevo autoritarismo latinoamericano: clientelar frente a los sectores populares, cooptador frente a los sectores empresariales, y heterodoxo en las formas de represión.

Ya no se usan ejércitos, sino turbas paramilitares, la coerción fiscal, el acoso administrativo, el chantaje judicial”, reconoce Edmundo Jarquín, líder del disidente Movimiento Renovador Sandinista. (in El País)

desnorte

compass-rose-06-mandalaos

O Jornal de Notícias publicou um oportuno estudo sob o título “A crise do Norte“, no passado sábado.

A reter:

1) Os problemas do Norte foram (também) gerados a Norte e têm solução a Norte,

2) sendo semelhantes aos problemas que afectam o País de modo crónico,

3) e os problemas do Norte são problemas para o País,

4) mas há uma política que prejudica objectivamente o Norte em benefício da Região de Lisboa,

5) numa lógica de centralismo político que afecta o País no todo e nas partes

Naturalmente, quando estas questões vêm à baila fala-se em descentralização versus regiões. Independentemente dos prós e contras de cada qual, parece haver uma rigidez legislativa e uma ausência de vontade real por parte dos protagonistas políticos (no poder ou na oposição), para se darem passos em qualquer dos sentidos.

A mais escandalosa demonstração é o “vampirismo” da única região que não recebe auxílios comunitários (por ser “rica”) sobre as outras: uma cláusula de excepção introduzida num anexo ao QREN permite desviar uma parte do dinheiro para Lisboa, apesar de a capital já ter perdido direito às verbas“.

Acrescendo a isso o centralismo da “gestão dos programas operacionais, imputando na quase totalidade (95%) os custos dessa gestão às regiões mais pobres. Ou seja, é o Norte que paga muitos, muitos mesmo, empregos qualificados, sem que nenhum deles se situe na região“.

E quando se fala de Norte, fala-se de:

1. Área Metropolitana do Porto, mais de 1,5 milhões de habitantes, 15% da população portuguesa, 2% do território nacional;
2. Região Douro e Minho (denominação NUTS: Norte), mais de 3,5 milhões de habitantes 35% da população, 23% do território;
3. Norte, perto de 5 milhões de habitantes, 46% da população, 35% do território
.”

(de acordo com dados do INE-2007  in Norte que futuro )

(10/11/09) a acrescentar ainda:

continuo a achar que falta o essencial: reorganizar a gestão do território “de baixo para cima”, tanto quanto está ao nosso alcance. Quando vir que a fusão de freguesias e a reorganização dos municípios (pelo menos juntar Porto + Gaia, quiçá Matosinhos) têm apoio generalizado, aí sim, acreditarei que a população do Norte talvez possa beneficiar com o estabelecimento de uma Região Norte.

Mas a regionalização só por si não é a solução dos problemas; quando muito proporcionará uma optimização do processo de decisão. E, mesmo assim, não me parece que isso seja absolutamente seguro. (in A Baixa do Porto)

pensamento (a)crítico

Por isso lhes chama «versos desarmantes e deceptivos» como poderia ter dito que está a chover. Depois, (…), «tudo se passa à superfície, mas uma superfície de onde se avista o abismo.» É a chuva de volta. Há um título (“um jogo bastante perigoso“) que tem «pertinência analítica» e há «desvios» todavia «passageiros e sem importância». (in Portugal dos Pequeninos)

la pensée sauvage

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(Claude Levi-Strauss in Mito e Significado pp.38-9 edições 70 1987 trad. António Marques Bessa)

 

 

 

 

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