Não há muitos sítios assim em Portugal e no mundo. É uma pena que a “EDP sustentável” o vá destruir de forma irremediável. (in Fauna Ibérica)
As religiões com sentido “histórico” balizam com datas os eventos que marcam o início e o fim dos tempos, assim como as etapas do seu desenrolar, deste modo enfrentando a decadência do Mundo e do Homem com o horizonte duma salvação para os justos e duma condenação para os ímpios. Horizonte que se cumprirá para a Eternidade irrepetivelmente.
Cada geração envelhece com a certeza de que “no seu tempo era melhor”, desabafo que se pode já constatar em folhas de papiro egípcias ou tabuinhas de argila babilónicas com milhares de anos. Os mitos, por regra, falam duma idade de ouro no passado e o fim do mundo mais lá para a frente, num futuro mais ou menos longo. Processo muitas vezes cíclico, eternamente repetível.
A um nível mais terra-a-terra, o sentimento actual de que se perdem valores como o do estudo, da cultura e do trabalho, muito por culpa da tecnologia (televisão, internet), do consumismo, do individualismo e da procura do prazer, é uma derivação do pessimismo dos mitos. Read the rest of this entry »
início da temporada do mistério pascal

-Então o meu papá disse-lhes, "Vá, malta, a sério, não comam aquilo" e a primeira coisa que aquela cabra faz foi come-la. Sim, e é por isso que estou aqui.
Na física do infinitamente grande, como na física do infinitamente pequeno, maravilho-me infinitamente ao partilhar a ignorância dos cientistas que nos falam da importância da matéria escura ou da “partícula de Deus”.
A natureza dos “mistérios” científicos é mais complexa e exigente que a dos Mistérios de outra natureza: ou é “misteriosa” porque assente em pressupostos mal estabelecidos ou porque só se desvela através de aparelhos conceptuais (e técnicos) ainda por estruturar. Mas, essencialmente, é um “mistério” que se revela a pergunta válidas. Questionar é uma arte maior do que a de responder, e as dúvidas menos perigosas do que todas as certezas.
Se me sinto particularmente à vontade para falar disto não é por ter sido iniciado nos saberes matemáticos (e outros) que permitem aceder às esferas superiores da mecânica quântica e da inflação do Universo, mas por pertencer àquela classe de brutos que pensa em voz alta o que cala no íntimo:
(…) Sim, eis o que os meus sentidos aprenderam sozinhos: —
As coisas não têm significação: têm existência.
As coisas são o único sentido oculto das coisas. (Alberto Caeiro)
E, por isso, não sou indiferente ao murmúrio das folhas, folhas dos bosques ou das bibliotecas:
The library is a quiet place.
Angels and gods huddled
In dark unopened books.
The great secret lies
On some shelf Miss Jones
Passes every day on her rounds.
She’s very tall, so she keeps
Her head tipped as if listening.
The books are whispering.
I hear nothing, but she does. (Charles Simic)
Para as criaturas urbanas que não enfrentam a epifania da Aurora e do Ocaso, duma noite de Lua Cheia ou cheia de estrelas, nem experimentam as metamorfoses do bosque ao longo das 4 Estações, fica difícil entender que há tanta beleza no verbo de Sagan, quanto há de rigor na escrita de Eugénio.
” façam o favor de não estragarem aquilo que está direito…”
E, desta forma[porto de Leixões passará a ser administrado por um administrador delegado, dependente de uma empresa lisboeta], a economia do Norte estará a sustentar esses modelos, continuando a pagar mais, e nada recebendo em troca. (Rui Moreira in JN)
titanic
Faz hoje 100 anos que aconteceu o famoso naufrágio. Curioso, quando era miúdo parecia-me uma história de tempos muito remotos. Agora, apanhou-me de surpresa terem passado somente 100 anos.
Apesar do impacto que teve na época, não passou dum episódio dramático e sem consequências para o mundo. Porém, ficou a imagem do enorme barco demasiado grande para afundar (e que foi ao fundo a meio da 1ª viagem) e do critério de prioridade de acesso aos barcos salva-vidas (passageiros de 1ª classe primeiro…). Como alegoria da corrente crise económica na Europa e América do Norte é impecável, e nos últimos anos tem sido usada abundantemente. Desde as entidades financeiras e economias nacionais “demasiado grandes para irem à falência”, ao prudente critério de todos os idosos com necessidade de hemodiálise terem direito ao tratamento se pagarem, a poderosa imagem do Titanic funciona como a dum mito grego sempre rico em novos sentidos e actualidade.
Como todas as comparações e simbolismos, tem os seus limites: o capitão do Titanic não abandonou o barco, nem os passageiros que ficaram sem salvamento.
Sendo optimista por natureza, desvalorizo o detalhe histórico da Europa e América do Norte terem vivido décadas de paz e prosperidade até dois anos e meio depois do naufrágio. O calendário maia não é para aqui chamado.











ecos de outros mundos