“O mundo, meus filhos, é longe daqui!” — eu defini. — Se queriam também vir? — perguntei.
Ao vavar: o que era um dizer desseguido, conjunto, em que mal se entendia nada. Ah, esses melhor se sabiam se mudos sendo. Dei brado. Indaguei dum. Tomou um esforço de beira de coragem, para me responder. (in Grande Sertão:Veredas)
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Já há dias li isto e fiquei preocupado: O problema é ter um cartão que cada cidadão supõe ser seguro mas que vai ser usado em qualquer computador pessoal, com qualquer software que apareça e em qualquer balcão por pessoas que não conhecem as vulnerabilidades deste sistema de segurança.(in Que Treta!)
Hoje leio que alguém votou duas vezes por “erro muito importante, que decorre da automatização do recenseamento eleitoral“.

É considerável o potencial criminoso de uma rede com milhares de computadores infectados, cada um capaz de assinar digitalmente documentos em nome dos detentores dos cartões mas a mando de quem controla o programa. E para implementar isto nem é preciso roubar cartões ou quebrar mensagens cifradas. Basta enganar o utilizador. (in Que Treta!)
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E pensar que houve e continua a haver quem dê a vida ou arrisque a liberdade pelo direito ao voto...
Porque tem de ser um frete especial participar num acto eleitoral genuinamente democrático? E porque é que os assuntos “europeus” nos são tão distantes e indiferentes (apesar de abalarem fortemente o nosso dia-a-dia e determinarem, para o melhor e o pior, o nosso futuro)?
Talvez fosse diferente se as “famílias políticas” representadas no Parlamento Europeu fizessem campanha “regional” pelos diversos países e através dos seus membros “locais”. Aí podiam defender um programa à escala europeia (do mesmo modo como faz um partido nacional nas legislativas).
Surgiriam, inevitavelmente, as “grandes questões” e a abordagem ultrapassaria as temáticas nacionais (embora seja duvidoso elencar os “grandes” temas da campanha europeia em Portugal como temas nacionais, quanto mais europeus…).
Os representantes eleitos teriam, a meu ver, maior eficácia e responsabilidade. Assim como o eleitorado.
Havia um slogan “anarca”, em tempos que já lá vão, que argumentava que “se o voto é uma arma, não votes” (porque ficarias desarmado, suponho). Uma arma não é certamente, mas é triste a nossa cultura política obrigar a relembrar constantemente a importância das eleições livres e universais para os órgãos de soberania.
E uma coisa é certa: não basta votar em liberdade para que o exercício da cidadania tenha valor e eficácia. Mas isso é com cada qual (e com todos nós). Complicada coisa a Política. Em liberdade, bem entendido.
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“O povo português é o problema”, diz. Porquê? “Porque 97 por cento das ignições são causadas pelo homem, um número largamente superior ao que existe nos países vizinhos.” (in O Público)

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O padre-cura é que sabe, e se ele diz que é assim de boa é porque é
la pastilla que convierte las relaciones sexuales en simples actos para el gozo y el disfrute (in El País)
E quanto mais ouço os padres-curas nuestros hermanos, más me gustan los nuestros.

"Cuando se banaliza el sexo, se disocia de la procreación y se desvincula del matrimonio, deja de tener sentido la consideración de la violación como delito penal"
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Nesta aldeia, a população não gosta de falar no assunto. Certo é que o homem “andava sempre debaixo de olho e de cada vez que aí vinha bebia mas nunca pagava nada”, comenta-se na taberna da aldeia.
O pastor conta que nunca recebeu um tostão. “Fartava-me de apanhar pancada.” À noite, “dormia num curral e mal raiava o sol voltava ao trabalho”. Por diversas vezes fugiu. “Mas ele vinha-me sempre buscar.” A família do homem confirma. “Passaram-se anos sem o ver. Quando aparecia estava faminto, sujo e roto. Depois abalava com o patrão que o vinha buscar”, diz a irmã. Numa das vezes que “esteve mais tempo em casa, tratei-lhe da reforma mas ele acabava por ir embora com o patrão”, adianta Fátima Marques. (in DN)

Por toda a Europa se vão sabendo casos de exploração de trabalho escravo ou da brutalização de trabalhadores migrantes por redes organizadas. Para não falar do caso mais específico e macabro do tráfico de seres humanos para exploração sexual. Mas esta história, lida em diversos jornais, ainda não responde a uma pergunta muito simples: nunca havia passado pela cabeça do pastor, numa de suas anteriores fugas (e da sua família ou das pessoas que o conheciam), dirigir-se a um posto da GNR e queixar-se?
Até posso imaginar algumas respostas para a mesma pergunta, cada qual a mais deprimente, mas nem é isso que me leva a chamar o assunto para aqui. O que mais me impressiona é ler em vários jornais o mesmo relato e, aparentemente, todos os jornalistas envolvidos na elaboração da notícia não se questionarem (e ao pastor) como foi possível só ao fim de 14 anos tomar a atitude que tomou.
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Ida não conseguiu segurar-se quando os gases venosos do lago Messel, na região da Alemanha, a intoxicaram. (in Publico)
“It’s a discovery of great significance,” agreed Attenborough. “To anybody who’s interested in evolution, and the ultimate demonstration of the truth of evolution – the fact of evolution – this is a key discovery”. (in The Guardian)
Perhaps if we once admit in Franciscan and Darwinian vein that the creatures we so insouciantly brush aside are our relatives, we would treat them differently. And that would be good for every living creature on this planet ( Colin Tudge in The Guardian)
She’s being called the “missing link in human evolution”, which is annoying. The whole “missing link” category is a bit of journalistic trumpery: almost every fossil could be called a link, and it feeds the simplistic notion that there could be a single definitive bridge between ancient and modern species. (…) She’s 47 million years old; she’s also a missing link in chimp evolution, or rhesus monkey evolution. She’s got wider significance than just her relationship to our narrow line. (in Pharyngula)

A Tia Ida passeava junto ao lago quando foi vista pela última vez...
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As comemorações do Cristo-Rei que tive ocasião de espreitar pela tv por breves minutos deram-me a ilusão de estar a ver imagens de arquivo a preto-e-branco. Já aqui fiz menção de que fenómenos de massas como este têm o seu valor social, talvez porque seja expressão dum complexo “materno-infantil” que dá voz aos medos, às frustrações, à dor, de modo ritual numa “acção de rua” pacífica e solidária. E em apoio ou reconhecimento das redes de solidariedade social que a Igreja Católica dinamiza.
Funciona até como contraponto para uma sociedade que se percebe “inorgânica”, fragmentada, conflituosa, inoperante, seja em tempos de vacas gordas, seja em tempos de vacas magras. Provavelmente os que acompanharam as celebrações na rua e na tv sentiram que existem razões para acreditar no futuro, que os “seus” valores até são os da maioria das pessoas.
Certamente, daí advém o reconforto da certeza de que outro mundo é possível, houvesse mais homens de boa vontade.
“Do outro lado” fica o mundo da política, da economia, da conflitualidade social, da violência da rua, dos modelos de ascensão social e notoriedade pública vendidos a pataco pelos media. Também o mundo da iliteracia real, funcional ou cultural.
E ainda o mundo adulto onde se assumem decisões, riscos, responsabilidades.

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Lo que nos enseñan los documentos estadounidenses que acaban de hacerse públicos es que, siempre y cuando forme parte de un colectivo y esté respaldado por él, cualquier hombre que obedezca a los nobles principios dictados por el “sentido del deber”, por la necesaria “defensa de la patria”, o que se deje arrastrar por un temor elemental por la vida y el bienestar de los suyos, puede convertirse en torturador. (Tzvetan Todorov in el País)
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