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Archive for Janeiro, 2011

quem dera que dê certo

Curiosas cumplicidades (mais esta) quando caem ou tremem as ditaduras. Esbatem-se ideologias e ódios frente aos negócios, aos interesses comuns, à comum maneira de gerir países como um assunto de família. Nada disto é novo; os mesmos erros, a mesma canalhice, o mesmo sentido de oportunidade. E não têm razão aqueles que justificam ajudas económica e outras, confrontados com uma opinião pública atenta ao cadastro dos regimes: “Se não formos nós, outros hão-de fazê-lo por nós e tirar o proveito”? O pior é que têm essa parte da razão.

Se as ditaduras tremem e recuperam o domínio, passam por um período de nojo internacional, prosseguindo adiante até à próxima crise.

Se caem, é a festa. Mas o desfecho é muito variável: quando os militares se metem na política, uma ditadura pode suceder à outra; o regime deposto pode ter força para conduzir uma campanha terrorista que compromete o futuro; os donos da verdade conduzem campanhas de ódio e perseguição contra toda a manifestação de tolerância e racionalidade; vizinhos incómodos alimentam a destabilização que entendem conveniente; falsos amigos idem.

Por vezes, com alguma ajuda externa e muito bom senso próprio, é possível recomeçar a construção dum país.

 

estranha forma de vida

Há vidas extraordinárias pela lucidez como são relatadas e pela loucura de vivê-las. Com ironia e sentido de humor.

Mas o que terá sentido Carlos, o Chacal, na sua cela de alta segurança, ao ver que, no seu blogue, esse glorioso fórum da revolução mundial, o último post é um anúncio ao livro de Antonio Salas, O Palestiniano?

E que isso dê origem a processos judiciais bem estruturados que permitem levar à justiça redes de tráfico, de terrorismo, etc, é ainda mais admirável.

Tudo gravado em vídeo, porque Salas não dá um passo sem ligar a sua câmara oculta. “As coisas que tenho visto são de facto incríveis, e não me apetece ter de discutir com os idiotas que iriam sempre dizer que eu minto”, explica ele. “Aquilo que não gravei nem sequer escrevo”.

E traga também, no formato de livro, matéria para reflexão sobre a espécie humana…fico sem palavras.

Ter uma arma, montá-la e desmontá-la, provoca uma estranha sensação de poder. E se os teus chefes, ou uma pretensa ideologia, te dizem que a podes usar legitimamente, é irresistível. Tudo o resto são justificações e desculpas. O que custa é matar a primeira vez. ( in Público)

Minha posição sobre o actual momento eleitoral:

Como é que vou saber se é com alegria ou lágrimas que eu lá estou encaixado morando, no futuro? Homem anda como anta: viver vida. Anta é o bicho mais boçal…

A gente vive não é caminhando de costas? Rezo. (in Grande Sertão: Veredas)



"Porque é que acaba em 2012?"-"Acabou-se o espaço na pedra." FINALMENTE, O MISTÉRIO DO CALENDÁRIO MAIA REVELADO.

“grau de ilicitude médio/ baixo”

É que há momentos, instantes, contratempos, segundo se pode entender deste acórdão do Tribunal do Porto: “a sua [do violador] actividade delituosa se prolongou ‘apenas’ durante alguns momentos” (in JN) . Ou, como se usava dizer, “há horas más”. O que, pelo que se depreende da decisão de quem julga estas coisas, não foi o caso: foram “alguns momentos” que não chegam a ser longos.

O Tempo é relativo, já alguém suspeitara e os juízes conselheiros o afirmam: “a privação de liberdade das vítimas se cifrou em alguns momentos que não terão ao atingido uma hora“.

E quando ao tempo do momento da “privação de liberdade” (necessariamente curto, sugerem os meritíssimos) se junta a “astúcia” do procedimento usado (e logo o”mais suave”), o acórdão parece beber nas páginas da Ilíada e da Odisseia onde Homero louva o astuto Ulisses pelo modo como consegue levar seus propósitos avante.  E vai daí nova redução de pena para o sequestrador/violador reincidente. Justo. Justíssimo.

nota final: isto lembra-me outro famoso acórdão, o da “coutada do macho ibérico“.



“a chatice que há quando os papéis não desaparecem”

…há coisas que não se explicam por processos naturais, sem propósito ou intenção. (in Que Treta!)

"...eu não iria ao ponto de lhe chamar design inteligente" (in Que Treta!)

“…e se parar apreciando, por prazer de enfeite, a vida mera deles pássaro”

Machozinho e fêmea — às vezes davam beijos de biquinquim — a galinholagem deles. — “É preciso olhar para esses com um todo carinho…” (in Grande Sertão:Veredas)

e porque foi dia de reis…

Segundo Bento XVI, esta celebração “sublinha o destino e o significado universais” do nascimento de Jesus, com os Magos a representarem “toda a humanidade”.

Bento XVI afirmou hoje que a Igreja é chamada a “suscitar no coração de todos os homens” a pergunta sobre “quem é Jesus”.

“Quem é este Jesus? Caros amigos, esta é a pergunta que a Igreja quer suscitar no coração de todos os homens”, disse, aos peregrinos reunidos no Vaticano. (in Agência Ecclesia)

"Oh, ele visita-nos a cada 2 semanas ou isso. Nós oferecemos-lhe uma grande caixa de chocolates quando apareceu da 1ª vez. Porquê? Como é que vocês fazem?" -"UHH..." BEM, A BOA NOTÍCIA É QUE DESCOBRIMOS QUE JESUS É ADORADO NOS OUTROS PLANETAS.

e quando todos os indicadores económicos pareciam deprimidos

...há motivos para manter a esperança, dizem eles.

The fact that there are normal numbers of stem cells in bald scalp gives us hope for reactivating those stem cells.” (in BBC)

 

Um dia, também eu terei um penteado à CR7.

tempus fugit

…ou o eterno retorno.

Os três A, o Norte e a Euro-Região

(…) somos contra a ideia de roubar a capacidade de investimento ao país para concentrar nos três A, os três Abortos: o Caia-Poceirão [Alta Velocidade], o Novo Aeroporto de Lisboa e a Terceira Travessia [do Tejo].

(…) Este Governo tem uma vantagem incrível – que é uma desgraça para o país – que é o apoio do PSD e do CDS ao corte nas bases do aparelho de Estado para manter os clubes de cortesãos no Terreiro do Paço, e para manter o esbulho do país (em relação ao investimento público), para a deslocação das verbas da linha Porto-Vigo, e a deslocação de todos esses investimentos para o Caia-Poceirão, Novo Aeroporto de Lisboa e Terceira Travessia tem o apoio do Bloco de Esquerda e do PCP. (…)

Na Galiza toda a gente fala de Galiza e Norte de Portugal como uma euro-região, e aqui no Norte de Portugal ninguém sabe que somos uma euro-região. Nós não sabemos, ninguém sabe isto. Os galegos sabem, mas aqui não; os galegos têm um governo regional, nós não temos absolutamente nada. Nós temos perto de 100 Câmaras Municipais no Norte de Portugal, mas não temos nenhuma consciência de que a nível europeu já somos uma euro-região.

(…) em vez de perceberem que é preciso cortar na administração central, que é a que gasta o dinheiro, querem cortar nos órgãos que têm o contacto direto com os cidadãos (…). Em vez de cortarem lá em cima querem cortar cá em baixo. Em vez de descentralizarem para reduzir os custos, não, querem centralizar para reduzir os custos. Isto é um erro completo, porque não só não reduzem os custos como impedem o desenvolvimento.

(Pedro Batista in Novas da Galiza via NGL)

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