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Archive for Novembro, 2009

imagens saídas do baú

Por altura dos meus 17 anos (1979), o Serviço Militar Obrigatório (SMO) era um cenário futuro insuportável. Não porque houvesse uma guerra algures em África (situação que havia existido cinco anos atrás). Não porque me horrorizasse o recurso às armas e à força para a legítima defesa.

Mas, em 79, o SMO era uma coisa bafienta e sem sem sentido, reunindo o pior das praxes académicas (que ressurgiram por essa altura, curiosamente) ao pior dum poder legal para punir aquilo que são direitos civis numa sociedade civilizada (passe o trocadilho, mas isto de civil versus militar é toda uma questão cultural).

No Porto, reunindo regularmente no auditório da Coop. Árvore (que nos recebeu benevolamente e sem qualquer interferência nos trabalhos), começaram a reunir-se jovens em idade para cumprir o SMO mas que rejeitavam a imposição por motivos vários. Ao abrigo da Objecção de Consciência como principio constitucional (mas não regulamentado), iniciou-se uma actividade militante completamente fora dos circuitos políticos da época, muito imatura também, que se projectou em toda a região norte e causou grandes engulhos no recrutamento ao aparecerem milhares de objectores nos quartéis, já com os “papéis” para entregar e firmes no direito que sabiam ter.

Sessões semanais de esclarecimento foram feitas até 1982, então já em instalações próprias arrendadas à Coop.do Povo Portuense, participação na criação e dinamização da Associação Livre dos Objectores e Objectoras de Consciência (estrutura a nível nacional), distribuição de informação à porta do quartel  na rua de Serpa Pinto (onde se reuniam os mancebos chegados de fora do Porto), publicação dum revista divulgada em toda a Universidade do Porto, participação em actos e manif’s pela paz (inclusivé nas organizadas pelo PCP e pela Intersindical, habitualmente contra os mísseis americanos na Europa, dando lugar às habituais sarrafadas quando se exibiam cartazes contra os mísseis de ambos os lados da Cortina de Ferro), e muitos outras actividades efémeras, fizeram parte do meu quotidiano da época.

E se hoje trago este assunto é só porque aqui está exposto, para memória do país que fomos e de quem fomos, estes singelos autocolantes que se venderam (praticamente a preço de custo) às dezenas de milhar, impressos numa tipografia do pai do Miguel Tavares, armazenados no sótão da minha casa (onde eram policopiadas à manivela os exemplares da revista acima referida), e depois distribuídos pela cidade e pelo país numa rede informal de conhecidos que participavam localmente na divulgação do direito à objecção de consciência ao SMO.

Como tantas outras coisas, tudo desapareceu gradualmente e sem deixar vestígios com o passar dos anos, com os novos desafios que a cada um se pôs.

Sem deixar vestígios?! Obviamente que não.

questões de género?

“Había un chiste no que un viaxaba a México e os homes dicían «aquí somos todos machos, pero que muy machos» tan insistentemente que o paisano acaba respostándolle «pois alá somos a metade machos e a metade femias, e non vexas o ben que o pasamos».” (in Apunta, para non esquecer)

“25 de novembro maldito”

(retirado da Selva de Esmelle)

“erros estratégicos nas obras públicas”

Artigo importante no Público de hoje (link só para assinantes): “A Espanha constrói as novas linhas em bitola europeia e prepara a mudança na bitola da rede convencional (…). Assim, Portugal ficará isolado da europa, pois será impossível ligar  directamente por via ferroviária os nossos portos e parte dos centros industriais directamente ao centro da Europa. (…) Quem investirá em Portugal quando pode fazê-lo com condições muito mais favoráveis em Espanha?” (Mário Lopes)

Ora aí está um tema que não ocupa televisões e jornais. Nem debates parlamentares. Ficamo-nos pelo TGV.

 

ano darwin (II)

Claro, o estilo pode variar desde que se mantenha o nível do debate:

"The K Chronicles" de Keith Knight

 

 

ano darwin

Só o facto de permanecerem imunes à beleza deste livro já é assustador. (in A Origem das Espécies).

in Origin of Species pp.426 ed. Mentor Book 1958

Não consigo recordar outro autor com uma escrita tão lúcida, fundamentada,  serena, discreta e aberta à crítica. Simultâneamente, poucos autores e poucos livros se podem comparar em importância para a ciência e, em geral, para a cultura.

Por todas as razões, nunca é demais celebra-lo.

duradouro

Mesmo para quem não tenha memórias da Cidade e desconheça sua História, como poderá sentir-se tranquilo sob a luz da tarde de Novembro se seus passos o levarem a passar sob as pontes?

Silhuetas de muitas épocas o assombram com agouros incertos. E o rio, luminoso e tranquilo, ilude e atrai. Como hão-de atrair as luzes do fim do dia espelhadas no casario antigo.

“O que acontece é que os filhos são parecidos com os pais, mas não são iguais”

A evolução não é um processo de transformação. É um processo de substituição de organismos pelos seus descendentes. (in Que Treta!)

Ao ler a prosa acima, lembrei-me destas imagens retiradas do Cinco Dias, onde se documenta a evolução das espécies:

mauricinho do futuro

queque do futuro

queque dos anos 90

queque dos anos 60

O melhor nome de beto de entre todas as línguas é definitivamente o brasileiro: mauricinho. Conhecidos por preppies no mundo anglo-saxónico e por betos ou queques consoante estejamos a norte ou a sul do país. (in cinco dias).

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