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Archive for Dezembro, 2009

2009 quasi 10

Este é o momento do ano em que me sinto estranho por haver tanta gente minha contemporânea vivendo seu dia-a-dia no futuro próximo.

"Group of People in Urban Scene" de Sandra Speidel

acordo ortográfico

Compreendo que para os académicos da Língua, o Acordo Ortográfico seja um assunto de crucial importância para o bem ou para o mal. Aceito que seja um modo satisfatório de contrariar a ramificação natural desse ramo de tronco latino que é o galaico-português. Ou que seja um modo de potencializar a afirmação da língua portuguesa no uso internacional. E que o faça ao arrepio de certas normas e com resultados caricatos. Mas imagino que não hajam soluções perfeitas e estou certo de que nunca houve uma política de promoção da língua por parte de Portugal (então, o Brasil que assuma esse papel!). Como disse alguém: “Falta definir quem manda na língua.”

Também imagino que os utentes linguísticos portugueses irão embirrar com tudo que lhes desagrade na mudança. Com a profundidade e coerência como habitualmente falam de qualquer assunto. (mais…)

aleluia

Um tema de Natal (para o ano todo)

(…) Suponho que disso sei mais e melhor que todos os psicólogos, psiquiatras e políticos reunidos em seminário sobre o tema, embora eu não publique papers nem faça leis, muito menos vote no parlamento.(…)

A criança que cai nesta roleta da vida, a da fatalidade da adopção, tem de ter pais substitutos mais sábios que os pais biológicos, estes sempre e apenas pais pela vontade, pela ocasião e pela biologia, nunca sujeitos a exame prévio de aprovação. É isso, apenas isso, que deve ser exigido aos que se candidatam a adoptar.

O problema exclusivo numa adopção, do ponto de vista da criança, é esta encontrar um ambiente nuclear próximo em que predominem o afecto, o respeito, a liberdade, a pedagogia e o permanente bom senso, tudo suportado, naturalmente, por uma capacidade de sobrevivência societária e económica (…).

E isso, um pólo bi ou monoparental, um negro ou um amarelo, uma parelha heterossexual ou um casal de lésbicas, podem cumprir os requisitos, se os cumprirem. (in Água Lisa)

Dilemas


(in BIG-HOAX-CLIMATE-SUMMIT-COPENHAGEN de Joel Pett)
“E se for uma grande vigarice vamos criar um mundo melhor para nada?”

nosso mundo

Um tema apropriado entre a Cimeira de Copenhague e o Ano Novo.

ciência em verso

"Ciência para meninos em poemas pequeninos" de REgina Gouveia (texto) e Nuno Gouveia (ilustração) ed. GATAfunho 2009

"Ciência para meninos em poemas pequeninos" de Regina Gouveia (texto) e Nuno Gouveia (ilustração) ed. GATAfunho 2009

Ontem assisti ao lançamento deste livro (cuja autora conheço e estimo) e ouvi algumas verdades evidentes, de todos bem sabidas, mas manifestamente esquecidas: o gosto e o hábito pela leitura cultivam-se ainda antes de se ensinarem as letras.

Como é possível semelhante prodígio não é propriamente segredo: contando (lendo em voz alta) histórias aos mais pequenos sempre foi a garantia de transmissão de cultura em todos os tempos e lugares. Por vezes nem há história, mas lenga-lengas de destreza verbal, mental ou meras mnemónicas.

Se acrescentarmos, ainda, o impacto duma imagem cujo desenho não cessa de sugerir interpretações, suscitar sentimentos e levar a imaginação a voar mais longe, o efeito torna-se duradouro e potencialmente transformador.

Minhas memórias, impressões e afectos profundos assentam muito na convivência com um avô contador e criador de histórias, da sua biblioteca de livros com imagens por vezes intrigantes, às vezes perturbantes, de que estou certo me acompanharão até ao fim da vida.

Ora, este livro contém ainda um valor adicional: o de proporcionar uma compreensão natural para os fenómenos naturais (passe a redundância, não houvessem tantas e variadas explicações fantásticas para a trovoada ou para o ciclo lunar, por exemplo), sem deixar de personificar o sol ou a gota de chuva na melhor tradição da narrativa infantil. E para tudo isto, o trabalho de ilustração é um aliado fundamental que prende a atenção e suscita o interesse, principalmente para o analfabeto com menos de meia-dúzia de anos.

Além do pretexto de, nós-os-adultos, nos transfigurar-mos num iniciado da antiga arte esotérica (e quase extinta) dos recitadores de contos e versos ao bom estilo do “Era uma vez…”

“nunca me tinha acontecido nada de semelhante àquilo que hoje vos vou narrar”

Há cerca de dois meses chegou a minha casa, via carta registada, uma convocatória do Centro de Reinserção Social da área da minha residência, adiantando que me deveria apresentar na companhia de uma pessoa idónea, de preferência adulta. À partida, portanto, consideravam-me a mim inimputável, precisando de ter alguém credível ao meu lado.( o ex-director do Expresso, actual director do Sol in Sol)

Ler para crer.

pode o pecado ir a referendo?

Deverá o direito dos padres ao casamento ser referendado?

Considero um sinal do fim dos tempos (2012…será?) esta abertura recente da Igreja Católica (em Portugal pelo menos)  ao debate e ao referendo sobre o matrimónio entre pessoas do mesmo sexo. Este fim-de-semana mesmo, li um artigo de opinião no Público (sem link para não assinantes) a defender o referendo por toda uma série jurídica de razões assinado por um senhor padre-cura. Isso choca-me.

Imaginem há 50, 100, 300 nos atrás, um padre assumir o direito dos fiéis (e infiéis) de decidir se é (ou não) legítimo o casamento entre pessoas do mesmo sexo! Já o casamento entre sexos opostos ter como opção o civil em contraposição ao religioso foi um trauma danado para a sociedade. Depois veio o flagelo do divórcio entre pessoas que Deus uniu ( e para sempre, como se sabe). E, entretanto, há cada vez mais gente a ter filhos fora do casamento.

Se a Igreja Católica portuguesa tem aceite estes flagelos com resignação, a verdade é que não achou por bem referenda-los. A interrupção voluntária da gravidez foi a referendo e creio que nenhum padre defendeu essa consulta. Também é verdade que o padre-cura acima referido assinava o artigo na qualidade de vice-presidente duma associação de famílias (não sei se numerosas ou monoparentais, mas isso não é relevante).

Receio, portanto, que um destes dias apareça outro padre-cura a defender um referendo para decidir se os padres podem ou não casar.

in the mood…

 

(…) esfriou de repente, como se o Inverno fosse uma metáfora para renas do círculo polar. Por isso, as autoridades alertam amarelo. Os portugueses foram educados no princípio de que o seu país se deve caracterizar como de clima temperado. (in A Origem das Espécies)

Pois, anda tudo às avessas e o clima não foge à regra. Felizmente, temos chuva no Outono e frio em vésperas de Natal…estranho?! 

Esta estranheza é um fenómeno recente, fruto da “urbanização” da população portuguesa, da iliteracia dos “comunicadores sociais” e da cultura comopolita que absorvemos tão diligentemente através dos pacotes de férias “de sonho” e das séries televisivas americanas passadas em Miami. Frio sem neve, sem pistas de ski, sem hotel de gelo, é coisa de país pobre e bruto. Coisa de velhos à lareira, de caldo quente e samarra sobre os ombros.

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