novidades e outras coisas

Archive for Dezembro, 2010

rio teixeira

O rio Teixeira, na verdade, é um ribeiro que no Inverno é capaz de destruir campos e arrasar pontes. Na minha infância tomei banho nele, apanhava cabeçudos, consegui evitar as sanguessugas. Depois assisti à poluição motivada pelo puro desleixo e desinteresse geral torna-lo numa via mal-cheirosa nos quilómetros finais, apesar das margens continuarem belas.

Por isso, é com imensa satisfação que leio isto. Não só pela novidade (é tão raro ouvir boas notícias, particularmente neste capítulo…), como pela iniciativa partir da mais improvável das entidades: uma câmara municipal.

Porém, devo admitir que deste presidente camarário tenho-me habituado a ouvir boas notícias.

 

 

 

nascido no alto do Marão

entre altas fragas

através de lameiros e pequenas hortas

Feliz 2011!

"Sabes, Vern...o pensamento naquilo em que este lugar se vai tornar em apenas uma semana dá-me arrepios."

“Quem se mete com a blogosfera leva!”*

O aproveitamento desta extraordinária cena, deste extraordinário filme, não é a primeira para obter um efeito qualquer na blogosfera, mas é sempre oportuna e de grande impacto:

* a citação adaptada do título foi proferida por um político e ex-governante português agora administrador duma (imensa) empresa privada na área que antes tutelava, a propósito do seu próprio partido.

O que é a Ensitel, afinal?

…e porque ainda é natal, há prendas e solidariedade para os menos afortunados, faço eco aqui deste post do TAF: leiam o blogue da Jonasnuts. É bom saber que há empresas que acreditam na Justiça para evitar a publicidade das reclamações dos consumidores insatisfeitos (esses mal-agradecidos!).

Entretanto, numa galáxia far, far away:

Se o objectivo que esteve por trás da legislação era compensar os automobilistas pelo facto de estarem a pagar um serviço (circularem numa auto-estrada com segurança e fluidez) que não estava a ser cumprido, a forma como foi regulamentado acabou foi por afunilar as condições para que esse reembolso viesse a ter lugar. (in Público)

Não são comparáveis os dois casos, eu sei: no primeiro é uma deficiente visão de marketing (ao nível dos merceeiros da minha infância que enchiam o saco com a pior fruta em exposição), no segundo a já habitual familiaridade entre reguladores e regulados em que os utentes são sempre “o terceiro excluído” da parceria.



"Desculpe, será que pode se aproximar um pouco mais? Não consigo entender muito bem o que quer dizer..."

 

esperança num futuro melhor…

Quando todos sabemos da importância do investimento para o relançamento da economia, há gente mal intencionada que contrapõe aos 1120 milhões de euros de alcatrão a ninharia de 50 milhões de euros de caminho de ferro. (via NGL)

O que vale é que, entretanto, o país avança a todo o vapor…  (via um pé no Porto e outro no pedal)

Ou, como diria o outro: “O Governo português tomou as medidas necessárias para enfrentar esta situação, com confiança, com sentido de responsabilidade e com determinação. Definiu metas ambiciosas para 2010 e 2011 que vamos cumprir



"Não pares agora! Tu estavas quase a conseguir!" "Pense nisto como uma perpétua relação não lucrativa em que jamais aprende alguma coisa"

natal

(clicar segunda vez para ouvir/ver no you tube)

e porque o natal está a chegar…

Independentemente do que se pense sobre a Wikileaks, a prisão de Julian Assange sob acusação de violação e agressão faz-me lembrar aqueles outros criminosos que, sendo famosos por criticarem o regime do seu país, são detidos por, alegadamente *, cometerem furtos ou coisas assim.

Um sinal para todos os que queiram repetir a graça, certamente. Como quem avisa: tenham medo, muito medo.

A versão internacional (dentro do mundo livre e democrático, claro) daquele gestor de empresas português que avisou, no dia em que o seu partido ganhou as eleições: “quem se meter com o [nome dum partido político português que ganhou eleições no sec. XXI mas que, como se pode depreender da frase citada, eu não vou escrever] leva!

Se esta é a melhor maneira de proteger os segredos diplomáticos e outros, também podiam encerrar os jornais e media que falam sobre essas coisas. A pretexto daqueles anúncios indecentes que os jornais costumam publicar, por exemplo. E, de seguida,  deter preventivamente os leitores e comentadores de café (como eu…mas não eu!), talvez a propósito duma qualquer acusação que depois ocorra.

Não que isto seja importante, ou sequer relevante, mas ainda vamos ter saudades do tempo em que os jornais publicavam fugas de informação pondo em causa a actuação dos governantes. É o que posso avaliar lendo a imprensa de países mais avançados como Cuba, Coreia do Norte e outros que tenho medo vergonha de dizer. O mundo vai ficar mais cor-de-rosa (ou a preto-e-branco) e um nadinha mais chato. [já agora, leia-se como a Time substituiu o escolhido na eleição da Personalidade do Ano pelo selecionado em decisão “colegial”]

“Are their heads off?” shouted the Queen.

“Their heads are gone,” the soldiers shouted in reply, “if it please your Majesty!”[74]

“That’s right!” shouted the Queen, “can you play croquet?” (in Alice in Wonderland de Lewis Carroll)

* “alegadamente” é um termo jurídico que não pertence à maioria dos sistemas penais por esse mundo fora, nomeadamente o tribunal da opinião pública.

“hay que repetirlo sin tregua”

(…) Fue un acto coherente con mi convicción de que una dictadura representa el mal absoluto para un país, una fuente de brutalidad y corrupción y de heridas profundas que tardan mucho en cerrar, envenenan su futuro y crean hábitos y prácticas malsanas que se prolongan a lo largo de las generaciones demorando la reconstrucción democrática.

Por eso, las dictaduras deben ser combatidas sin contemplaciones, por todos los medios a nuestro alcance, incluidas las sanciones económicas. Es lamentable que los gobiernos democráticos, en vez de dar el ejemplo, solidarizándose con quienes, como las Damas de Blanco en Cuba, los resistentes venezolanos, o Aung San Suu Kyi y Liu Xiaobo, que se enfrentan con temeridad a las dictaduras que sufren, se muestren a menudo complacientes no con ellos sino con sus verdugos. Aquellos valientes, luchando por su libertad, también luchan por la nuestra. (…)

Nada ha sembrado tanto la inquietud, removido tanto la imaginación y los deseos, como esa vida de mentiras que añadimos a la que tenemos gracias a la literatura para protagonizar las grandes aventuras, las grandes pasiones, que la vida verdadera nunca nos dará.

Las mentiras de la literatura se vuelven verdades a través de nosotros, los lectores transformados, contaminados de anhelos y, por culpa de la ficción, en permanente entredicho con la mediocre realidad.

Hechicería que, al ilusionarnos con tener lo que no tenemos, ser lo que no somos, acceder a esa imposible existencia donde, como dioses paganos, nos sentimos terrenales y eternos a la vez, la literatura introduce en nuestros espíritus la inconformidad y la rebeldía, que están detrás de todas las hazañas que han contribuido a disminuir la violencia en las relaciones humanas. (Mário Vargas Llosa in el país)

PortoGrafia na Lituânia

Estudantes na Universidade de Vilnius em visita à Exposição PortoGrafia, na embaixada de Portugal. Mais fotos aqui, no site olá LieTuva, do adido cultural da embaixada, Nuno Guimarães.

Estudantes da Universidade de Vilnius em visita à Exposição PortoGrafia. (foto de Nuno Guimarães)

É Tua e é de todos…ou será que é só para alguns?

Compreendo os argumentos da CP, Refer, ministérios da tutela e etc, quando pretendem encerrar linhas de caminho-de-ferro no Douro: não há utentes para lhes dar utilidade, nem há segurança por serem muito velhinhas e tal e coisa.  E têm razão. Basta alterarem os horários, reduzindo-os e levando os utentes a gastarem um dia para fazerem uma deslocação de ida-e-volta, para estes passarem a preferir os transportes públicos rodoviários ou o automóvel particular.

Também entendo a EDP e ministérios da tutela quando insistem na importância de se construírem mais barragens ainda que o benefício energético seja mínimo, com elevados custos ambientais e destruição duma estratégia de valorização turística internacional assente nos patrimónios natural, cultural e outros. Os ganhos que lhes interessam provavelmente são outros, mas disso nada percebo, ainda que entenda a ideia.

Quem não entende, mas parece que gostaria de quem lhe explicasse é o senhor abaixo-citado:

Chegados a este ponto é lícito perguntar: em que mundos vive o Ministério Público e a PJ, ou será que o vale e a Linha do Tua é que já não pertencem a este mundo? Tudo isto existe, tudo isto é triste, tudo isto fede…” (Daniel Conde in DN)

O que (ainda) resta da ponte ferroviária internacional da Linha do Douro.

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