novidades e outras coisas

Archive for Dezembro, 2008

abraço solidário

fica aqui um abraço solidário à blogo-companheira Yoani com a certeza que contará com a solidariedade de todos os cibernautas honrados e livres e que não querem que o uso da internet seja uma expressão de gozo pessoal de que outros sejam privados por ousarem pensar e dizer diferente da propaganda de regimes de partido único     (in Água Lisa)

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apelo

Apelo também às entidades portuguesas, nomeadamente ao Ministério do Meio Ambiente, Ordenamento do Território e Desenvolvimento Regional e ao Instituto da Conservação da Natureza e Biodiversidade para que não poupem esforços e recursos na salvação da águia-real no único parque nacional português: esse seria um óptimo investimento no futuro do país…  (in Fauna Ibérica)

de se sentir o faltoso e o imperfeito

São se só as coisas se sendo por pretas — e a gente de olhos fechados. (in Grande Sertão: Veredas)

a,b,c,…

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Aborrecem-me as “reformas” que se preocupam em mexer no pormenor e fazem disso bandeira, esquecendo as questões de fundo sem as quais não faz sentido mexer em nada. Mais abomino aquelas que selecionam bodes expiatórios precisamente para darem a ilusão de que se está a fazer alguma coisa, sendo os “bodes” aqueles que estão mais visíveis, mais em contacto com os utentes, por exemplo. Como se os problemas da eficiência, da qualidade, das qualificações, das avaliações, etc, não residam, antes de mais, na entidade entendida como uma organização para a obtenção de determinados fins.

Por razões que me dispenso justificar, a organização do ensino público em Portugal é “daquelas coisas” sem as quais não há futuro. Pena não se perder algum tempo a discutir ideias como esta “as disciplinas deveriam ter os programas organizados por níveis de aprendizagem, progredindo o aluno em cada disciplina de ano para ano por níveis, não podendo aceder ao nível seguinte sem o domínio do que é essencial do nível anterior” ou esta ainda “É fundamental a incidência da responsabilização nos alunos e nos pais e encarregados de educação” (Mª Regina Rocha in Sol).

Tudo o mais que ouço, leio e vejo sobre “avaliações de professores” ou computadores “magalhães” deixam de ter qualquer interesse enquanto não se tratar das questões mais mesquinhas do ensino, propriamente dito (conhecimentos e transmissão de conhecimentos, não sei se estão a ver*).

* É verdade que há quem fale em “competências”, “dotar competências” e “reconhecer competências”, que talvez seja o “eduquês” corrrecto na área da formação profissional ou de adultos, mas a “todos os alunos, no entanto, devem ser oferecidos os diversos percursos e as diversas abordagens. Nenhum deve ser restringido aquilo que mais facilmente atinge. Todos devem percorrer, com maior ou menor insistência as vias diversas de compreensão das ciências e das humanidades. Limitá-los todos às prioridades do construtivismo dogmático é limitar quase todos ao insucesso.” (Nuno Crato). Claro que “isso” fica mais caro, claro que dá mais trabalho de preparação, claro que não se resolve numa legislatura.

a solidão de cassandra

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Há dias li dois posts interessantes a propósito duma entrevista de Medina Carreira na Sic-notícias (que não vi). Eduardo Pitta colocou um problema pertinente:

(…) gosto sempre de o ouvir, porque o dr. Medina Carreira demonstra saber do que fala e fala com desembaraço. Descontado o Apocalipse, aprendo sempre alguma coisa. O mais engraçado é que a maioria dos seus actuais groupies não faz a mais pequena ideia do que o dr. Medina Carreira faria para “meter a casa” (ou seja, o país) na ordem, se tivesse oportunidade para tanto.(…)

Mas como o país continua a não produzir, e o dinheiro não cai do céu, e o dr. Medina Carreira corta (ou gostaria de cortar) a direito, se ele por acaso fosse primeiro-ministro — coloco a hipótese no quadro constitucional vigente —, não me surpreenderia se o visse a tomar medidas drásticas. Quais? Despedir (sim, despedir; não é preciso falar verdade aos portugueses?) um terço dos funcionários públicos, congelando os salários dos restantes pelo prazo de uma legislatura. Aumentar a carga fiscal e, mais importante, aumentar a eficácia da sua cobrança. E por aí fora. (in Da Literatura)

Ou seja, apesar de toda a concordância com o diagnóstico, quem estará disposto a suportar o ónus da solução? Em reacção, Luis Naves replica:

Quem perceba um pouco de economia verá nas palavras de Medina Carreira puro bom senso: o país está endividado, paga demasiados impostos e tem cada vez maiores desigualdades sociais. Existe uma crise estrutural que se reflecte num empobrecimento relativo. E o que se anuncia não é bom, vamos pelo caminho habitual e todo o esforço feito na consolidação das contas públicas será perdido em poucos meses. O resultado, diz o antigo ministro das finanças, será mais pobreza, mais desigualdade e conflito social.

O aviso parece ser adequado. O que Medina Carreira tem dito ao longo dos anos confirma-se geralmente. Podemos não gostar, mas é difícil encontrar factos que desmintam o entrevistado da SIC. (in Corta-Fitas)

Luis Naves aborda bem o tema, mas não responde ao problema colocado pelo Eduardo Pitta (que prossegue a polémica na caixa de comentários do Corta-Fitas): entre os admiradores das análises de Medina Carreira (nos quais me incluo) haverá noção das políticas necessárias para corrigir o que está mal? Serão as políticas de Medina Carreira capazes de ganhar a legitimidade do voto para poderem ser levadas adiante?

Na verdade, não é esse o problema central de toda a Política: propor medidas custosas no curto-médio prazo porque necessárias, senão imprescindíveis, e ganhando com elas o apoio da maioria? Em teoria todos estão de acordo, na prática logo surgem objecções concretas e oposição imediata. Mas a alternativa será o cinismo de quem propõe o Céu para conseguir o Poder e depois gerir a situação “o melhor possível”?

Precisamente, Luis Naves desenvolve as críticas expostas por Medina Carreira  ao “caminho habitual” (entenda-se: medidas que nada resolvem e ainda mais prejudicam, mas que dão para gerir a situação na mira duma nova maioria absoluta).

Ora, em ambas as abordagens a sociedade portuguesa não sai bem na fotografia: partido do governo, partidos da oposição, opinião pública, eleitorado, meios de comunicação social, fazedores de opinião e comentadores políticos de café (ou será de blogues?). Porque o discurso de Medina Carreira é um discurso solitário que parece não suscitar a reacção dos visados (o governo que houver no momento), nem da oposição. E, contudo, consegue o prodígio de andar na boca do “homem da rua”, daquele “zé ninguém” a quem Reich perorava: “só queres que te deixem em paz como consumidor e patriota”.

 

 

 

Ao quando bem anoiteceu, foi assim

A gente só sabe bem aquilo que não entende. (in Grande Sertão: Veredas)

¿O todos nos hemos vuelto locos?

A ser como aqui se diz, é duma crueldade anti-natura.

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