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Archive for Agosto, 2009

reflexão política masoquista e inconsequente

Esta é a campanha eleitoral para as Legislativas mais árida e boçal de que tenho memória.

Igor Kopelnitsky

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“Entrei no olho da casa, lua me esperou lá fora”

Alto eu disse, no me despedir: — “Minha Senhora Dona: um menino nasceu — o mundo tornou a começar!…” — e saí para as luas. (in Grande Sertão: Veredas)

realpolitik ou simples amesquinhamento?

A libertação dum homem, por razões humanitárias motivadas pelo cancro que o irá brevemente matar, preso sob a acusação de ter participado no acto de terrorismo que vítimou quase três centenas de pessoas, é o típico caso polémico: vítimas (se as houvesse vivas) e familiares/amigos das vítimas (que são também outras vítimas), naturalmente não se conformam; as autoridades responsáveis sublinham o sentido moral da decisão; a opinião pública, especializada e outras dividem-se.

Para ser libertado, o homem teve de reconhecer a culpa que nunca assumira: típico ritual judicial para amenizar uma condenação, já que poupa tempo e dinheiro. Como o próprio reconhece, antes do diagnóstico da doença nada tinha a perder com o apuramento de toda a verdade. Agora, diz, sua memória será associada irrevogavelmente à autoria do crime que outros cometeram. Curiosamente, este é o tema central da famosa peça de Arthur Miller “The Crucible”, que culmina com a recusa dum acusado em admitir a culpa para se livrar da morte; e Miller estava a pensar nas vítimas do senador McCarthy. (mais…)

luz incerta

As praias já foram lugares assombrados pela luz incerta de mundos desencontrados: colónias de pescadores do norte que desciam o litoral na busca de outras águas, trazendo consigo artes ancestrais; porta de entrada para piratas escandinavos e mouros na sua faina de pilhar mosteiros e povoados;

AS LINGUAS NON SE MOLESTAN

Sempre tive inveja dos filhos de pais com expressão linguística diferente pela óbvia vantagem de aprendizagem sem esforço. O facto de ser falante do português já me permite usufruir todos os matizes e ambiguidades duma língua que flui do galego (na sua vertente galaico-portuguesa mais “arcaica”, ou seja Douro-Minho e Galiza) ao brasileiro (talvez a sua vertente mais “inovadora)”.

Das vantagens do bilinguismo também retenho a óbvia facilidade para se educar o ouvido e a língua (aqui no sentido anatómico) ao se usufruir de filmes estrangeiros com versão sonora original. Veja-se Ouça-se os nossos manos ibéricos como são trenguinhos para uma conversa a duas línguas e percebe-se que a dobragem dos filmes em castelhano pode ser uma indústria rentável, mas com um preço cultural.

Ora, há muita gente que está convencida que um país deve privilegiar uma língua única e todas as outras (que porventura hajam) são um mal menor a desaparecer com a instrução pública e políticas sociais de desenvolvimento. Na França havia, na primeira metade do século passado, cartazes nas escolas públicas da Bretanha a avisar que era proíbido cuspir para o chão e falar bretão. Assim, tal e qual. E se estivessem em vigor, ainda hoje, poderiam acrescentar “e estar contaminado com a gripe dos porcos”.

As autonomias espanholas recuperaram o direito à língua nacional, sem que isso prejudique a sensacional globalização do castelhano. Provavelmente, para os castelhanos monofalantes deve ser trabalhoso e algo penalizador ter de aprender catalão, basco ou galego para poderem ter um melhor desempenho profissional e social, mas depois de ultrapassada a dificuldade inicial não tenho qualquer dúvida de que os benefícios ultrapassam largamente o esforço. Não é o que todos fazemos ao aprender inglês, bem mais complicado? Ok, o basco é mais complicado.

Veja-se este delicioso episódio de comunicação: Hoxe, a miña pequecha de ano e medio deu toda unha lección de sociolingüística no bar ao que a súa nai e irmán e eu acudimos con moita frecuencia. (in A canción do náufrago)

 

il est defendu

livros tratados como lixo

Que fazem as editoras com os livros que não se vendem? A resposta óbvia: reciclam-nos.

Bem mais lógico do que certas propostas absurdas como a seguinte: pergunto-me mesmo se não poderia lançar-se um Banco Editorial contra o Analfabetismo (ou contra a Iliteracia, o que seria mais realista), onde pudessem ser recolhidos os fundos editoriais que por aí andam a ser vendidos ao quilo. E, quem sabe, poder oferecê-los pelo mundo de língua portuguesa, para locais onde há imensa falta de coisas escritas em português. E não apenas literatura portuguesa, como o viés patrioteiro de alguns apenas quer promover. (in Duas ou três coisas)

Ou a proposta ainda mais lunática de pôr as autarquias a comprar os livros: aquisição a preços reduzidos de acervos bibliográficos que enriqueçam o espólio das bibliotecas da rede de leitura pública, ou outras. (in SPA)

"Há alguns meses, um colega ofereceu-me um livro da sua autoria, versão melhorada da tese de doutoramento. Naturalmente, agradeci-lhe o gesto, até porque o tema era do meu interesse. Disse-me que o caso não merecia tanto, pois a editora tinha-o contactado perguntando-lhe se queria comparar os restos da edição, ao quilo penso ter ouvido, caso contrário, iriam para reciclagem."(in De Rerum Natura)
“Há alguns meses, um colega ofereceu-me um livro da sua autoria, versão melhorada da tese de doutoramento. Naturalmente, agradeci-lhe o gesto, até porque o tema era do meu interesse. Disse-me que o caso não merecia tanto, pois a editora tinha-o contactado perguntando-lhe se queria comprar os restos da edição, ao quilo penso ter ouvido, caso contrário, iriam para reciclagem.”(in De Rerum Natura)
 

“la razón política y ética de mi renuncia al galardón”

Juan Goytisolo informa porque se recusou a receber €150.000,00 no passado mês de Julho.

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