novidades e outras coisas

Archive for Março, 2009

louvor à familia de Benjamina

Tendría unos 10 años, seguramente era niña, murió en lo que ahora es la sierra de Atapuerca (Burgos) hace 530.000 años y era diferente, tanto que su grupo, su familia, le tuvo que haber prestado cuidados especiales. De lo contrario, no habría sobrevivido. (in El País)

Nasceu menina, portadora de grave deficiência, numa comunidade que lutava pela vida no sentido literal da palavra.

nulidades

 A Sculpture of Love and Anguish by Kenneth Treister

A Sculpture of Love and Anguish by Kenneth Treister

Que um fulano indiciado por genocídio e outras barbaridades se passeie publica e notoriamente por diversos países que pertencem à mesma organização que lançou o mandato de captura internacional, diz muito a respeito desses mesmos países e da organização a que pertencem.

Ao menos, o presidente dessa organização podia evitar estar presente na mesma altura, no mesmo país e no mesmo evento que o alegado genocida e contumaz.

Claro, o mundo é como é e os exemplos vêm de onde menos se espera…

Saudades, dessas que respondem ao vento

 O senhor vê: o remôo do vento nas palmas dos buritis todos, quando é ameaço de tempestade. Alguém esquece isso? O vento é verde. Aí, no intervalo, o senhor pega o silêncio pôe no colo. Eu sou donde eu nasci. Sou de outros lugares. (in Grande Sertão:Veredas)

sociedade laica e liberdade

 

Ayer, el Senado aprobó otra enmienda considerada clave por la Iglesia, la que impedirá a los pacientes renunciar a la hidratación y alimentación artificial. Maurizio Gasparri, líder del grupo del Pueblo de la Libertad, estaba exultante: “El partido de la muerte y la eutanasia no ha ganado”. Y el ministro de Sanidad, Maurizio Sacconi, resumió con otro eslogan episcopal la aprobación: “Con esta ley no será posible nunca más un caso Englaro”. (in El País)

A perplexidade de quem questiona o “interesse” de quem não é católico (ou sequer crente de alguma coisa) pelas posições do Papa tem no exemplo mais recente de Itália a resposta: nossas sociedades laicas, no interior da Comunidade Europeia, estão sujeitas à pressão política religiosa, com suas simpatias partidárias e jogos de poder, umas vezes às claras, a maioria das vezes nos bastidores.

Ao exigirem a proibição do aborto voluntário em qualquer circunstância, porque não há-de chegar depois a exigência da proibição do divórcio? Ao se oporem ao uso do preservativo em qualquer circunstância, porque não há-de haver uma lei a proibir a sua comercialização? Ao se oporem ao direito a reclamar a morte assistida no contexto dramático dos doentes terminais ou de pessoas em coma há anos, porque não criminalizar as tentativas de suicidio? A lista é infindável e basta ver o que se passa nas sociedades onde o Direito é praticado segundo o que as autoridades religiosas entendem ser a vontade divina, para se perceber o que está em jogo.

As guerras religiosas que eclodiram na Europa ao longo dos séculos XVI e XVII, afectando os países mais desenvolvidos na ciência, na técnica, na organização social, na actividade económica, tiveram como reacção um saudável espírito de tolerância, liberdade, laicismo, individualismo e crítica, culminando no Espírito das Luzes. Foi pela força social desse espírito iluminista e sua evolução no que entendemos ser hoje uma sociedade livre, democrática, laica, que a Igreja Católica lentamente evoluiu para a entidade que hoje conhecemos, mais ou menos marcada pelo Concílio Vaticano II, e cujas variações nacionais traem o seu “pecado original” que é a vontade de impor sua Verdade e Salvação através do poder do Estado.

Se, como escreve o João Tunes, a Igreja Católica se limitasse a proibir às “senhoritas” católicas o recurso à pilula, ao planeamento familiar, à interrupção voluntária da gravidez, ao sexo extra-conjugal, ao divórcio, etc, etc, sob ameaça de penitência (voluntária, bem entendido), excomunhão e condenação às chamas do Inferno, o máximo que pessoas ateias, apóstatas e blasfemas como eu diriam a propósito do papa e quejandos seria ” e ainda há quem os leve a sério?!”

Mas não é assim: o interdito é para ser aplicado a todos os cidadãos, e isso é inadmissível quando o que está por base são convicções de ordem confessional com aplicação na vida íntima de qualquer um. Quando se assiste ao espectáculo mediático, às campanhas virulentas, à má-fé despudorada e à manipulação execrável das emoções das campanhas anti-interrupção voluntária da gravidez, anti-direito à morte assistida, anti-casamento entre pessoas do mesmo sexo, dá para entender o potencial de violência e a pulsão de poder que o chamado “sentimento religioso” pode albergar conjuntamente com o lado benigno de fraternidade, solidariedade e não-violência activa. Torna patente, até, porque é que fenómenos abjectos como o nacionalismo étnico encontram nas estruturas religiosas locais uma plataforma ideal de exaltação de fidelidades e ódios atávicos.

No sec.XX assistiu-se à “morte da ideologias”, essas herdeiras “degeneradas” do espírito iluminista pela sua aparência racional a esconder estereotipos mentais de subordinação e ausência de crítica. O sec.XXI assiste ao “renascer do espírito religioso”, não na sua vertente contemplativa ou aberta para o mundo, mas nas já esquecidas figuras do “guerreiro da fé”, do “vigilante da moral e bons costumes”, para quem o Estado e o Direito não podem contrariar a Lei de Deus, nem a Sociedade pode ser “afrontada” nos seus principios e valores. Esquecidas?! Só no chamado mundo ocidental (e mesmo assim…): veja-se como os estados confessionais relacionam cidadania com a obrigação de seguir a religião de Estado, a obediência ao Líder Espiritual.

É por tudo isto que a mim, ateu confesso, me interessam e me preocupam as “dores” do Papa e da Santa Madre Igreja.

Detalhe da Beata Ludovica Albertoni de Gian Lorenzo Bernini

Detalhe da Beata Ludovica Albertoni de Gian Lorenzo Bernini

cultura da crise

(…) o contributo que a cultura pode dar para enfrentar e ultrapassar a crise que vivemos, como de resto foi defendido pelo anterior ministro das Finanças, Luís Campos e Cunha (Público, 28/11/08).

É para isso que apontam também todos os estudos internacionais, nomeadamente da União Europeia, sobre o papel da cultura e da criação no PIB, no emprego, na coesão, na competitividade. Não reconhecer isto é, hoje, de uma cegueira tragicamente irresponsável.

E valorizar o contributo da cultura significa ainda ter em conta os diversos factores que, na última década, alteraram muitos dos parâmetros tradicionais das actividades culturais: a inovação tecnológica, a transformação das modalidades de aceso aos bens culturais, os desafios da gratuitidade, o impacto das indústrias criativas, etc. (M.M.Carrilho no DN)

porque será?

Dúvida que me surge: se não acreditam porque é que se incomodam tanto com o que o Papa diz?  (Mª.José N.Pinto in DN)

porque é que os não católicos se importam tanto com a coerência do Papa?
Porque será que os não católicos exigem tanto a “modernização” da Igreja Católica Apostólica Romana?
(in A barbearia do senhor Luis)

(…) explicas-me devagar ao ritmo da minha manivela de entendimento que a Igreja quando faz campanha contra a despenalização da IVG (como a violentíssima campanha que está a ter lugar em Espanha) ela só se dirige a senhoritas católicas (quando bastava uma recomedação interna para elas não ligarem à lei e, por orientação papal, não abortarem) (João Tunes in caixa de comentários da A barbearia do senhor Luis)

Deus, Pátria e...

Deus, Pátria e...

e vai mais uma!

(…) esta política merece o apoio do mesmo Governo que pretende investir 3,8 mil milhões de euros numa linha de alta velocidade entre Lisboa e o Porto.

O mesmo Governo que elegeu o Douro como um dos pólos turísticos prioritários para o país e que, no entanto, autorizou a construção de uma barragem no Tua que vai acabar com um dos mais belos troços ferroviários do país.

O mesmo Governo que quer povoar a Trás-os-Montes de auto-estradas e não investe um cêntimo no desenvolvimento, ou na manutenção, do caminho-de-ferro na região.

O mesmo Governo que, com o fecho das Linhas do Corgo e do Tâmega, dá uma machadada mortal no formidável projecto ferroviário do Douro  

(in Publico)

estação de Barca d'Alva

estação de Barca d'Alva

“the magellan culture”

Ao que parece, o novo programa escolar britânico para a primária pretende que os alunos dominem o twitter e a wikipedia como ferramentas da comunicação e consulta.

 Na mesma linha  podiam acrescentar a comunicação SMS, o uso de telemóvel, a consulta do Google e outras coisas assim complicadas que, de outro modo, nunca teriam normal acesso. Ainda bem que a escola se preocupa com eles.

Não tarda nada, estão ao nível do ensino em Portugal…

magalhaes

(imagem retirada daqui)

país a arder

A vaga de incêndios que já começou, anunciando um ano prolífico pela frente, faz-me pensar quanto apreciam os portugueses as delícias dum dia ao ar livre, em plena natureza.

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Nestes dias de sol e calor, é vulgar vê-los à borda dos rios com os seus carrinhos amontoados nas margens, ocupando precioso espaço para não terem de se deslocar uma centena de metros a pé, desde a berma da estrada. E com o rádio do carro alegram o ambiente, por vezes numa curiosa competição entre si, do mesmo modo como fazem os passaros (mas com reportório mais variado).

E a sua actividade ao ar livre mais concorrida?! Piqueniques à beira da estrada (qualquer estrada!). Ainda há dias contaram-me ter sido visto um grupo instalado numa das saídas de emergência na IP4 no Marão: excelentes vistas, chão “natural” com todo aquele cascalho em plano inclinado para travar algum camião em rota de colisão, um mimo! Mais vulgarmente, em qualquer estrada nacional ou florestal sem correrem o risco de se afastarem mais do que um ou dois metros da viatura. Depois, raros são aqueles que não deixam no local simpáticas marcas da sua presença folgazã.

Na vertente elitista, a partir de certa década da 2ª metade do passado século, a popularidade dos jeeps ou TT também se deveu à possibilidade de percorrerem as mesmas estradas de asfalto, e mais algumas em terra batida, para obterem os mesmos resultados: estacionarem a viatura o mais perto possível do objectivo sem darem grande canseira às pernas. Mais recentemente, as “moto 4” estão na linha desta paixão de modo mais acessível às pequenas bolsas e aos adolescentes. Quem goste de andar pelos montes pode estar certo de que, volta e meia, lá passará uma dessas simpáticas criaturas com o seu ruído característico.

Num país em que se edificou um centro comercial no seu ponto mais alto, em que as estradas chegam a todo o lado para satisfazer o anseio pela Natureza de cada português, verifica-se que as pacatas, singelas ermidas perdidas na paisagem remota, alvo de devoção e romaria uma vez ao ano, também alteraram a sua imagem graças à facilidade do acesso automóvel. Cada vez mais, à sua volta, vão crescendo barracões de cimento e tijolo para churrascadas e outros fins obscuros, geralmente com lindos muros (também em cimento e tijolo) e coisas assim populares e genuínas.

Os mais sofisticados, aqueles para quem não basta um ambiente com sua fauna e flora mais ou menos protegidos da presença humana suburbana, alimentam o espírito com elevadas doses de adrenalina em actividades pseudoradicais, ruidosas e aceleradas, sem as quais a Natureza é uma chatice.

Por isso percebo-os, tranquilos, indiferentes, perante a destruição metódica, gradual, cíclica, do que resta das zonas naturais do seu país plantado à beira-mar. Bem Hajam!

“una relación con el tiempo”

 “a la melancolía le debemos el estímulo para reflexionar acerca del pasado, el presente y el futuro, y de plantearnos un acceso a ese futuro (…) Ésta es una época en la que la melancolía es genuina“.  (Jean Starobinski in el país)

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