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Verão cultural

Um dos privilégios da minha vida é o de poder gozar, com alguma frequência, fins-de-semana numa zona rural algures no sudoeste europeu, finais de tarde à beira-mar numa praia do nordeste-atlântico ou um dia inteiro a passear por um dos grandes rios ibéricos. Privilégios de quem reside no litoral sul da região galaico-portuguesa.

Apesar desta diversidade geográfica, em todos estes lugares posso usufruir do mesmo gosto cultural pela música gravada, geralmente com uma qualidade algo peculiar, que me chega de localidades “em festa”, dos bares da praia por onde passeio, do próprio barco que faz o percurso do rio.

A qualidade do som pode variar (muito mau nas aldeias, mau nos barcos e sofrível nas esplanadas de praia), o reportório vai do pimba (os barcos) ao pseudo-folclórico (as festas de aldeia) e a estilos mais ecléticos desde o pop dos anos 80 a temas jazzísticos (os bares), mas a ubiquidade do ruído (musical) é, de facto, a prova da tenacidade cultural das multidões estivais que celebram o convívio, a festa, o escape.

Cultura versus (evidentemente) Natura. Quem está para escutar o piar irritante dos passarinhos, o silêncio enervante das margens do rio (se calhar o rio até tem os seus ruídos próprios, mas é impossível afirmá-lo sob a torrente de canções porno-pimba que os barcos debitam) ou o barulho monótono do mar?

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depois disto, em que ficamos?

 Ana Soeiro, que esteve 30 anos ao serviço do Ministério da Agricultura e que fez o maior levantamento de produtos tradicionais em Portugal, critica os “sucessivos governos” de serem omissos por não terem feito uma simples comunicação a Bruxelas para se poder continuar a usar materiais tradicionais e manter práticas de fabrico de produtos típicos portugueses sem violar a lei comunitária.

E não há quem lhe dê réplica?! É assim mesmo como ela diz? Então, como foi possível chegar a este ponto?

“Estou saturada da desculpa de que Bruxelas é que tem a culpa”, disse Ana Soeiro, acrescentando que “aquilo que a UE exige é francamente pouco e fácil de fazer”

Aparentemente, os “sucessivos governos” têm realizado uma bem sucedida sabotagem económica, colocando em risco modos de vida tradicionais e estilos de vida alternativos ao modelo consumista, assim como a cultura do país.

Como não sou dado a teorias de conspiração, mas também ouço críticas como esta faz muitos anos, confesso que não entendo.

 

o cabaz da horta e os nabos de sempre

Hoje na SIC fui surpreendido com esta reportagem “Cabaz da Horta“. Pelo que vi, uma associação formada por malta na casa dos vinte, trinta e poucos, “instalou-se” numa região deprimida demografica e economicamente (concelho de Odemira), e criou projectos para a população, maioritariamente idosa, ainda ligada à agricultura, de modo a esta ganhar auto-estima e algum dinheiro.

 Como? (mais…)

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