novidades e outras coisas

Archive for Agosto, 2008

o arco da velha e outras coisas

(…) a transmissão das tradições culturais de geração em geração está ameaçada devido à televisão e à falta de convívio entre crianças e idosos (in Publico)

Não é de hoje que se diz que “a tradição já não é o que era”, que as pessoas deixaram de ir à missa, deixaram de ter tempo/vontade para ler, passam menos tempo com os filhos/pais. Também é verdade que, antigamente (no caso português até há meia centena de anos) pouca, pouquíssima gente sabia ler/escrever. E “passar mais tempo” não é o mesmo que ter qualidade de convívio afectivo e estimulante. Logo, nem tudo será exactamente como se diz. Para não falar das tradições também poderem servir de veículos culturais para vivências retrógadas.

Mas para não complicar, fiquemo-nos pelas boas notícias: A percentagem de portugueses idosos – nos grupos etários de maiores de 65 e de 80 anos -, vai aumentar para quase um terço (30,9%) no decorrer das próximas cinco décadas, até 2060, segundo as projecções populacionais divulgadas ontem pelo Eurostat (in DN). Ou seja, com tanto velho que vem aí, qual é o motivo para nos preocuparmos?

Eu, por exemplo, que em 2060 terei 98 anos, assumo desde já o compromisso de transmitir as velhas tradições do “meu tempo”: o rock dos anos 60/70, a vulgata do Maio 68, o “nuclear? não, obrigado!” e a alergia ao “principio da autoridade”.

do divórcio unilateral

O Presidente vetou  a lei que permite a declaração de divórcio unilateral alegando haver uma parte fraca no casamento (a mulher): a realidade da vida matrimonial no Portugal contemporâneo, onde subsistem múltiplas situações em que um dos cônjuges – em regra, a mulher – se encontra numa posição mais débil.

 

Com a nova lei, a ser promulgada, os comportamentos da parte abusadora (o homem) seriam recompensados dando-lhe de mão beijada a possibilidade do divórcio quando bem entender e sem ser constituído parte culpada (como seria num divórcio litigioso), sujeita ao pagamento de indemnização. Conforme diz quem deve ter muita experiência nestas coisas da vida conjugal, a proposta lei visa um “certo facilitismo, desprezando os valores que ajudam a manter os vínculos e os compromissos públicos e sérios que as pessoas fazem e que não devem ser desfeitos por uma situação imediata, mas tendo em conta os efeitos dessas decisões para as pessoas e para a sociedade”.

Como sou rapaz solteiro não tenho opinião, mas, sempre que ouço os defensores do casamento contra o facilitismo dos divórcios, fico percebendo que casamento é um tipo de sociedade ainda mais complicado do que as outras que se constituem nos registos comerciais. Bem diz o outro: “…até que a morte os separe.” (mais…)

the problem is often exaggerated…

(…) Many of these provinces are beyond the control of the respective governments or the international community.

 In many cases, the absence of monitoring has turned these territories into havens for smuggling as well as illegal trafficking in arms, people and drugs.

(mais…)

ordem olimpica

Sentencing them both to a year in a labour camp, the official paperwork says Wu, who walks with a stick, and Wang, who is deaf and partially blind, had “seriously disturbed the normal social order (in al-Jazeera)

I’m glad to hear that over 70 protest issues have been solved through consultation, dialogue.This is a part of Chinese culture” (Wang Wei, vice-presidente do comitê olimpico chinês)

“At first we were happy to hear the government was allowing protests during the games, but now we realise that promise was fake. I’m very, very angry” (Wu Dian Yuan, 79 anos, condenada a cumprir 1 ano num centro de re-educação pelo trabalho)

“o espelho representa o que nós somos “

Se Deus existe, se lhe colarem um autocolante na testa e lhe mostrarem um espelho Ele não vai saber o que fazer (in Que Treta!)

desdoidar

O que mais penso, testo e explico: todo-o-mundo é louco. O senhor, eu, nós, as pessoas todas

(in Grande Sertão: Veredas)

“the critical question”

“The critical question now is whether the West is prepared to behave like the West, to speak with one voice and create a common transatlantic policy.

 In recent years, Russia has preferred to deal with Western countries and their leaders one by one. Just last week, an affiliate of Gazprom, the Russian state-dominated gas company, added a former Finnish prime minister to its payroll — which already includes former German chancellor Gerhard Schroeder” (Anne Applebaum)

espíritos olimpicos

 

Houve um tempo em que se dizia que o importante é participar (outra variante: jogar). Havia o fair-play (intraduzível em português, segundo as más-línguas), havia que saber perder.

Tempos houve em que se lançavam suspeições psicanalíticas sobre a necessidade de afirmação, a vontade em ser o primeiro.

Não gostar de perder nem a feijões, por exemplo, já é uma expressão actualíssima, algo ingénua (haverá quem goste de perder, mesmo a feijões?). Ora, para ser o melhor, há que “especializar-se”. Mas o que será mais admirável: um atleta que ganhe oito medalhas numa modalidade ou outro que não ganhe nenhuma, mas tem aptidões para participar em mais do que uma modalidade (tipo natação+ciclismo+corrida)?

(mais…)

eu não sou racista, mas…

 

Nascido no início da década de 60, ainda vivi mergulhado na ideologia multiracial do Império Português. Abstraindo o contexto colonialista e as intenções que a motivavam, creio que seria hoje apodada de “multiculturalista”: éramos todos portugueses (do Minho a Timor, passando por Goa, Damão e Diu que já nem eram “nossas”), independentemente da cor da pele, dos usos e costumes folclóricos, etc.

Da escola primária, do livrinho de “História de Portugal” recordo a figura do elegante soldado português do sec.XVI de mão dada com uma bela indiana, legenda aludindo à importância dos casamentos mistos promovida por Afonso de Albuquerque para o “nosso” domínio no Oriente. Todos iguais, todos diferentes, tu também Salazar?! (mais…)

Alexandre Soljenitsyne

 “O seu compromisso literário e cívico, o seu longo e espinhoso destino permanecerão para nós como um exemplo de autêntica abnegação, ao serviço do povo, da Pátria, dos ideais de liberdade, justiça e humanidade” (V.Putin, primeiro-ministro russo)

Por uma vez, concordo com Putin.

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