novidades e outras coisas

Archive for Janeiro, 2010

detalhes

O PIDDAC para o Porto é um sexto do PIDDAC para Lisboa. Um sexto! Sem mais comentários. (in Nortadas)
 

"Se há um centro no oeste peninsular, este é o Porto. E se havia dúvidas, não há nada como o visual para as eliminar" (Nuno Gomes Lopes)

(imagem tirada daqui)
 
A primeira leitura que se faz é de perplexidade. Se não houver explicações, é uma situação grave. (Carlos Lage, presidente da Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Norte in JN)
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“a gente entrar no meio de pessoas muito diferentes da gente”

De homem que não possui nenhum poder nenhum, dinheiro nenhum, o senhor tenha todo medo! (in Grande Sertão:Veredas)

não meter a cabeça debaixo da areia

O que vale um discurso? Talvez pelo que diz. Ou pela forma como diz. Ou por quem o diz. Ou tudo isto e mais ainda.

Mais importante do que ser “brilhante”, este discurso vale por fazer um balanço, apontar os problemas e as prioridades, apelando à responsabilidade política,  não abdicando os valores da sociedade democrática e livre em prol da segurança e do bem-estar.

Pena que um discurso assim não esteja nos horizontes duma Comunidade Europeia, nem dum país como Portugal, e não é por não se viver também em permanente campanha eleitoral.

E pena que para ler um discurso assim não encontre uma transcrição integral na minha língua.

120 km/hora no centro urbano

Não se passou nada: As peritagens ao acidente já foram concluídas pela equipa da PSP destacada para casos do género, tendo as mesmas concluído que se registou apenas um possível caso de ofensas à integridade física por acção negligente e, em consequência, não haver motivos para que o caso seja remetido ao MP   .  

Para quê complicar?  

"A ACA-M entende que existe uma utilização indevida das viaturas do Estado, que assinalam a marcha de urgência sem justificação. Chegar mais depressa à cerimónia de tomada de posse dos governadores civis não me parece um motivo que justifique a marcha de urgência", comentou o dirigente daquela associação, Manuel João Ramos. (in Público)

parque natural do douro internacional

(…) as 2 áreas protegidas encerram mais de 120 quilómetros de canhões e bosques mediterrâneos inacessíveis. Perfazem uma das maravilhas naturais da Europa, habitada por Águias-reais (Aquila chrysaetos), Lobos-ibéricos (Canis lupus signatus), Gralhas-de-bico-vermelho (Pyrrhocorax pyrrhocorax) ou Britangos (Neophron percnopterus).(…)  

(…) desde há cerca de 4 meses, não há um único Vigilante da Natureza a trabalhar no Parque Natural do Douro Internacional! Restam apenas 4 técnicos superiores o que não permite sequer a recepção adequada dos visitantes que procuram a região.  (in Fauna Ibérica)  

"Ficam as perguntas: estará o país numa penúria tão profunda que não possa honrar os seus compromissos internacionais na área da Conservação da Natureza? Se esta mesma situação se passasse numa área protegida próxima de um grande centro urbano do litoral o desfecho seria o mesmo? Faz ainda sentido chamar ao Douro Internacional área protegida quando não resta praticamente ninguém para a proteger?"

 

 

actualização a 15/01/10:  

“Bloco de Esquerda e CDS questionaram ontem o Governo sobre duas áreas protegidas 

Ministério do Ambiente chamado a responder sobre Douro Internacional e Costa da Caparica” (in Público

droga

Por vezes descubro que Portugal consegue surpreender pela positiva em áreas a que, habitualmente, não associo nem a nossa cultura política, nem a nossa legislação. Provavelmente, fruto das nossas “élites” ou de certas “forças fracturantes” ou de alguma “engenharia social”. Pelos vistos, funciona:

The report also sets forth the data concerning drug-related trends in Portugal both pre- and postdecriminalization. The effects of decriminalization in Portugal are examined both in absolute terms and in comparisons with other states that continue to criminalize drugs, particularly within the EU.

The data show that, judged by virtually every metric, the Portuguese decriminalization framework has been a resounding success. Within this success lie self-evident lessons that should guide drug policy debates around the world. (in Cato Institute)

"More significantly, none of the nightmare scenarios touted by preenactment decriminalization opponents — from rampant increases in drug usage among the young to the transformation of Lisbon into a haven for "drug tourists" — has occurred"

 

Porque, da China aos Estados Unidos, o combate ao tráfico da droga bate forte nos consumidores, pequenos traficantes e pequenos produtores. Em linguagem de mercado, isso significa entregar o circuito da produção até à distribuição às “grandes corporações” mafiosas. Tornando o consumidor num cúmplice. Mas há pior, muito pior, claro:

El problema no es policial sino económico. Hay un mercado para las drogas que crece de manera imparable, tanto en los países desarrollados como en los subdesarrollados, y la industria del narcotráfico lo alimenta porque le rinde pingües ganancias. Las victorias que la lucha contra las drogas pueden mostrar son insignificantes comparadas con el número de consumidores en los cinco continentes. Y afecta a todas las clases sociales. Los efectos son tan dañinos en la salud como en las instituciones. Y a las democracias del Tercer Mundo, como un cáncer, las va minando.

¿No hay, pues, solución? ¿Estamos condenados a vivir más tarde o más temprano, con narco-Estados como el que ha querido impedir el presidente Felipe Calderón? La hay. Consiste en descriminalizar el consumo de drogas mediante un acuerdo de países consumidores y países productores, tal como vienen sosteniendo The Economist y buen número de juristas, profesores, sociólogos y científicos en muchos países del mundo sin ser escuchados. (…)

El obstáculo mayor son los organismos y personas que viven de la represión de las drogas, y que, como es natural, defienden con uñas y dientes su fuente de trabajo. No son razones éticas, religiosas o políticas, sino el crudo interés el obstáculo mayor para acabar con la arrolladora criminalidad asociada al narcotráfico.

(Vargas Llosa in El País)

tradição e direitos humanos

Passar, em poucas dezenas de anos, duma situação criminal ao reconhecimento legal do direito ao matrimónio é uma evolução simplesmente admirável.

Atente-se ao detalhe: quando eu nasci e durante os anos da minha juventude, ninguém era livre para manter uma relação consentida com alguém do mesmo sexo. A homossexualidade só foi descriminalizada em 1982. Em 2009, até a Igreja Católica pugnou pelo referendo ao direito ao casamento entre pessoas do mesmo sexo: “A iniciativa de pedir o referendo é dos cidadãos. Sei que muitos deles são católicos” (José Policarpo, cardeal patriarca in Agência Ecclesia).

A mesma Igreja que ainda classifica a homossexualidade como uma coisa assim muito, mas muito “desordenada”*, tem bispos em Portugal que pretendem “designar e tratar, com respeito e verdade, tal relação para que todas as pessoas homossexuais sejam protegidas e defendidas nos seus direitos humanos” (Ilídio Leandro, bispo de Viseu in Agência Ecclesia). Portugal é mesmo um caso digno de estudo!

Serão “poucas” as pessoas que vão aproveitar a nova lei? É esta uma questão “menor”? Como disse alguém que sabe do que fala e luta pelo que pensa: As pessoas de quem estamos a falar nasceram numa sociedade largamente homofóbica, à semelhança da experiência terrível do racismo para muitas pessoas negras em várias sociedades, e à semelhança da experiência terrivel do sexismo para muitas mulheres. (Miguel Vale de Almeida in Público)

*Apoiando-se na Sagrada Escritura, que os apresenta como depravações graves (103) a Tradição sempre declarou que «os actos de homossexualidade são intrinsecamente desordenados» (104). São contrários à lei natural, fecham o acto sexual ao dom da vida, não procedem duma verdadeira complementaridade afectiva sexual, não podem, em caso algum, ser aprovados.(…) As pessoas homossexuais são chamadas à castidade.” (in Catecismo da Igreja Católica)

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