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Archive for Outubro, 2010

Estamos todos convidados!

Lapkričio 16, Portugalijos Embassy, 17 val.

Pedro Freire Almeda Parodos “portography” atidarymas (in olá LieTuva)

A Embaixada de Portugal na Lituânia...não tem nada que saber: é mesmo ao lado da Benneton.

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Não, por acaso não sabia…e ainda me espanto!

 Sabia que mais de metade das receitas projectadas com a subida do IVA vão “direitinhas” para os cofres de uma empresa privada? Sabia que as transferências dos dinheiros do Estado para esta empresa equivalem a mais de metade das poupanças arrecadadas com o corte de salários dos funcionários públicos? 
Pois é, é verdade. Pelo menos, é isso o que nos informa o Relatório do Orçamento de Estado para 2011. (in Desmitos
 
 Enfim, tudo isto é, no mínimo, muito pouco transparente. Por isso, e para acabarmos de uma vez por toda com a tendência dos nossos governos em levar a cabo este tipo de manobras orçamentais (este governo não é caso único), devíamos seguir as recomendações de organizações internacionais como a OCDE, e criar uma comissão de peritos e auditores independentes que elaborasse pareceres sobre os Orçamentos de Estado. (idem)

"Sr. Osborne, posso ir lá fora? O meu cérebro está cheio."

 

 
A higiene política desapareceu de Portugal. O Governo fracassou mas age como salvador. (PSG in Jornal de Negócios)
 
” Que tipo de gente vive por aqui?”
 
“NAQUELA direção,” disse o Gato, rodando a sua pata direita,” vive um Chapeleiro; e NAQUELA direção, “mexendo com a outra pata,” vive a Lebre de Março. Visita qualquer um à tua escolha: ambos são loucos.”

‘Mas não quero ir para jundo de pessoas loucas,” replicou Alice.

‘Oh, não podes evita-lo,” disse o Gato:“somos todos loucos aqui. Eu sou louco. Tu és louca.”

‘Como sabes que sou louca?” perguntou Alice.

‘Tens de ser,” respondeu o Gato, “ou não terias vindo para aqui.” (in Alice’s Adventures in Wonderland)

óptica: ciência e ilusão

(…) Pode-se fazer o juízo que se quiser perante um défice de cinco por cento, não se pode é ter um défice de cinco por cento e querer convencer alguém que é de um por cento. Isso é aldrabice pura e dura. Temos de tornar independente o que é factual.

Foi o que aconteceu no ano passado?
Até às eleições, o défice foi mantido ocultado num determinado valor. Menos de um mês depois, a Comissão Europeia publicou as previsões do Outono em que demonstrou que não confiava no valor do Governo e avançou com outra estimativa.

 Chegámos ao final do ano com um défice que era quase o dobro do que fora divulgado até às eleições. Isto não pode ser. Tinha sido uma informação relevante até para a própria disputa eleitoral. Disputaram-se as eleições com a informação viciada. Não quer dizer que o resultado se alterasse – isso depende da valoração das funções de preferência das pessoas aos resultados. As consequências são sempre objectivas, mas a avaliação das consequências é sempre subjectiva.

Este ano, estamos na mesma situação. Ninguém sabe o que se passa com as contas públicas, é inadmissível. Em democracia, não é possível que a população não tenha essa informação.

(Vitor Bento in Público, sublinhados meus)

Isto mostra que vemos ilusões porque o cérebro realmente não quer ver a imagem dos seus olhos, mas o sentido dessa imagem (…). E esse sentido-e isto é realmente importante- é criado pela experiência“. (in BBC News, miserável tradução por minha conta)

“Isto é o que se chama a “ilusão do brilho contrastante”, o que prova que o contexto é tudo quando se trata do que vemos, mesmo quando se vê as mais simples qualidades do mundo, ou seja, a luminosidade. Mas porque é que o contexto é tudo?” (idem)

imaginário, é mesmo?!

Como conhecer uma cidade, um país, um lugar? Provavelmente, a pergunta é mera retórica porque não há como responder. Visitam-se países, lugares e cidades, e daí resultam experiências que podem ser expressas em não sei quantos testemunhos, tantas vezes contraditórios. Por alguma razão se recomenda para não revisitar os lugares onde se foi  feliz… .

Movemo-nos, portanto, numa geografia imaginária. Que partilhamos colectivamente através dos quadros electrónicos das chegadas e partidas dos aeroportos e cais de embarque. Iludidos pelos postais turísticos-todos-iguais, pelos roteiros que resumem viagens numa visita a capelinhas de culto, culto gastronómico, artístico ou da moda. Porque serão mais reais os vídeos de férias do que as lenga-lengas que ecoam no País das Maravilhas? 

E será menos explorador aventureiro aquele que desbrava pilhas de títulos comos os escritos por Salgari, Verne, Tolkien ou Bradbury, do que aquele que persegue a rota traçada num pacote de viagens vendida por operadores turísticos? Que dizer, então do fascínio de percorrer linhas imaginárias que ligam cores e gravuras, como só os velhos e bons mapas de papel sabem atrair os curiosos viajantes?

 

 

Ou Corto Maltese é menos real do que Marco Polo e Fernão Mendes Pinto? Mas nenhum dos três teve patrocínios de bancos, sapatilhas ou, sequer, duma qualquer marca de bebida energética, e isso faz diferença.

Já o velho Bilbo Baggins recordava ao sobrinho que a familiar e pacata estrada que passava à porta de sua casa o levaria a todo o lado (inclusivé à montanha do ainda mais velho Smaug…). Mas também ele viajou sem o apoio de nenhuma revista da socialite a custear as dormidas em hotéis de sonho.

E, para concluir, nas palavras duma alegre lagosta para um caracol:

What matters it how far we go?” his scaly friend replied.
“There is another shore, you know, upon the other side.
The further off from England the nearer is to France—
Then turn not pale, beloved snail, but come and join the dance.

Will you, won’t you, will you, won’t you, will you join the dance?
Will you, won’t you, will you, won’t you, won’t you join the dance?

porto de rio

Na deriva dos passos perdidos, a cidade velha parece ter o sentido fixo nos poderes emanados do Céu como se algo alguém?, altíssimo e eterno, marcasse o ritmo e desse sentido às atribulações que se atravessam no caminho.

Porém, muitas foram as vezes que os que cá moravam pegaram em armas contra o poder lá do alto. Não só o céu é sempre outro, conforme a cidade se move em redor do transeunte, como este é transportado para outros horizontes e distintas emoções.

o poder dum homem só

Que se pode pensar de alguém que põe em causa a legitimidade do regime do seu próprio país? Um “criminoso que violou a lei do seu país, julgado por um tribunal desse seu país“? E que participa em “coisas” como a abaixo -assinadas?

“Unfortunately most of this political progress has extended no further than the paper on which it is written. The political reality, which is plain for anyone to see, is that China has many laws but no rule of law; it has a constitution but no constitutional government. The ruling elite continues to cling to its authoritarian power and fights off any move toward political change.” (in Charter 08)

Então, e que pensar dos motivos que animam quem premeia essa atitude criminosa? Uma obscenidade, talvez. Mas isso seria uma grande ingenuidade. Há pior, muito pior: A decisão da atribuição do Prémio Nobel da Paz a Liu Xiaobo – inseparável das pressões económicas e políticas dos EUA à República Popular da China – é, na linha da atribuição do Prémio Nobel da Paz de 2009 ao Presidente dos EUA, Barack Obama, mais um golpe na credibilidade de um galardão que deveria contribuir para a afirmação dos valores da paz, da solidariedade e da amizade entre os povos. (lido aqui, que é o mesmo que dizer de quem percebe destas coisas).

Que, curiosamente, está na mesma linha de pensamento de quem diz que  “the Nobel Peace Prize broadens the suspicion that there is a Western plot to contain a rising China“.

Se, ao menos, tivesse este nosso país um sistema político tão combativo que nos defendesse de quem quer subverter o actual regime!

“…seria um erro ainda maior usar a sua crítica para abrir caminho à legitimação da ditadura. “

É verdade que houve de 1910 a 1926, instabilidade, violência política, guerra civil, intolerância, repressão, manipulação eleitoral, actuação anti-operária e anti-sindical, censura, mas também é verdade que muitos republicanos, depois de afastados do poder, mostraram o melhor de si próprios.

Quando, depois de 1926, foram perseguidos, exilados, presos, impedidos de exercer a sua profissão, afastados das forças armadas, desempregados, insultados e agredidos, muitos republicanos, incluindo os chefes partidários, permaneceram fiéis a uma resistência tenaz, tanto mais valorosa quanto durou quatro décadas, em que muitos podiam ter-se acomodado e desistido. Em muitas terras de Portugal, e não só nas cidades, eles fizeram sempre a melhor propaganda que há, a propaganda pelo exemplo.

Talvez por isso, mais do que a Primeira República de 1910 a 1926, comemoramos hoje a sua imagem na resistência nos anos do salazarismo e do marcelismo, quando se via, como eu vi, nas romagens aos túmulos das vítimas do 31 de Janeiro no Porto, alguns velhos a chorarem quando gritavam emocionados “viva a República”. A revolução republicana já pouco dizia à minha geração, mas essa emoção dizia quase tudo. Esse “viva à República” era um puro acto de liberdade em tempos de servidão. E esse grito de liberdade merece todas as comemorações.

Disse.

(JPP in Abrupto)

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