novidades e outras coisas

Archive for Janeiro, 2009

para essa aversão não carecia de compor explicação e causa

Que ódio é aquele que não carece de nenhuma razão? (…) Tivesse medo? O medo da confusão das coisas, no mover desses futuros, que tudo é desordem. E, enquanto houver no mundo um vivente medroso, um menino tremor, todos perigam — o contagioso. Mas ninguém tem a licença de fazer medo nos outros, ninguém tenha. O maior direito que é meu — o que quero e sobrequero —: é que ninguém tem o direito de fazer medo em mim! (in Grande Sertão: Veredas)

« nous naissons tous dignes et égaux en droits »

Il est paradoxal qu’à l’heure où l’être humain dispose de davantage d’outils pour réaliser sa complexité, certains souhaitent le réduire et le définir par une seule dimension (…) l’identité se crée face à l’altérité, se façonne dans l’échange avec l’autre. Or, quand l’identité réduite à une dimension[3] répond à un vide existentiel, elle peut devenir essentielle à l’individu, vitale.  Il n’y a dès lors qu’un pas à franchir pour que l’affirmation de soi tourne à la haine de l’autre (…)

le respect des droits de l’Homme doit permettre à l’individu, conscient de son pouvoir sur lui-même et l’environnement, d’actualiser son potentiel. Or, la vie d’un individu selon une identité complexe et des traditions particulières, tant qu’elles sont respectueuses de la dignité d’autrui, appartient précisément à ce potentiel(…)une politique de la diversité respectueuse des droits de l’Homme doit agir sur les capacités des individus et non se fonder sur le concept délicat d’identité (E. Kaminsky)

42-19693035 

“nossa estrutural identidade é um valor a cultivar”

E é irónico que os padres católicos queiram ditar-nos o que é o casamento e a família quando a sua religião os proíbe de casar e quando a família que mais veneram é o marido, a mulher e um filho que esta teve com o Outro (in Que Treta!)

 

sem erro

They always mean beautiful things like hummingbirds

I think of a little child in east Africa with a worm burrowing through his eyeball. The worm cannot live in any other way, except by burrowing through eyeballs. I find that hard to reconcile with the notion of a divine and benevolent creator (David Attenborough)

novo mundo, velho mundo

e agora, obama?

Eis uma excelente oportunidade para debater se é este ( ou não) um daqueles momentos de viragem:

pelos Professores Carlos Santos e Seabra Figueiredo
SERÕES CULTURAIS DA BONJÓIA
TERTÚLIAS À MODA DO PORTO
LOCAL: Quinta da Bonjóia. Rua da Bonjóia 185, Porto
QUINTA, 29 de Janeiro 2009 / 21H15
 
O pessimismo é um valor seguro a prazo, mas há sempre lugar para a novidade eu acredito que ele possa realmente trazer mudança. Já conseguiu mudar a cor da América no mundo, mas eu espero muito mais. A ver vamos…(Celi M).
 
 
 

PINpoint

mon-oncle

Franqueza, franquezinha, do que se ouve a respeito, isto é o que me preocupa deveras:

Hoje, um processo de licenciamento similar ao Freeport seria decidido, com igual ou maior celeridade, nos «discretos» gabinetes da Agência para o Investimento e Comércio Externo de Portugal (AICEP). Ou seja, era um Projecto de Interesse Nacional (PIN), forma ardilosa para, mais que acelerar procedimentos burocráticos, ultrapassar normas ambientais. Vários projectos, na actual legislatura, foram aprovados neste regime de excepção, quando antes tinham sido reprovados (in Estrago da Nação)

Mas também há aquela coisa ( e que são logo duas!) que não entendo: por um lado, tanto atropelo e a violação de espaços naturais por causa dum centro comercial; por outro, tantos estudos económicos (e outros, certamente), a justificarem tal coisa em tal sítio, e logo dois anos depois já está quase a falir.

so much for Darwin… Sócrates e também o Papa

 

in deo gratia

Há anúncios que parecem deixar indiferentes a maioria das pessoas, ao contrário do que acontecia alguns (muito poucos, aliás) anos atrás. Água mole em pedra dura? Tolerância? Decandência dos costumes? Tabú? Pela minha parte, creio que o problema mesmo são os créditos do mensageiro.

Ainda há dias outro mensageiro disse umas coisas (As florestas tropicais merecem a nossa protecção, certamente, mas não menos a merece o homem como criatura, p.ex. ) e fez-se um zum-zum-zum a respeito da sua alegada equiparação das “ameaças” ao casamento heterosexual com a crise ecológica global que ameaça milhares de espécies animais. Se for o caso dele ter dito isso (ou isso querer dizer), não me preocuparia muito porque a Humanidade sempre se perpetuará nem que seja à custa dos chamados filhos “ilegítimos”, de pai “anónimo” ou, simplesmente, “naturais” ( e o que é natural é bom*).

Provavelmente, a eventual decadência dos costumes e a minha convição no futuro da Humanidade assentam em verdades muito triviais como aquela que deixou um pobre académico perplexo:

David Buss, professor of psychology at the University of Texas, in his book The Evolution of Desire tries to unravel the mystery of the female orgasm. He is apparently perplexed because it has nothing to do with reproduction and appears to have no other function except to give a woman pleasure – hence the existence of the clitoris, “useful” only for female sensory delight. (Yvonne Roberts in The Guardian)

Ou seja, que a cultura e sociedade humana possam aumentar o leque das possibilidades que os constrangimentos (naturais, obviamente) da Evolução favorecem, so much for Darwin…nada, evidentemente, que um troubadour não tenha dito já: 

Mas como pod’achar bõa razon                                  

ome coitado que perdeu o sen

com’eu perdi? e quando falo, ren

ja non sei que me digo, nen que non!

E con gran mal non pod’ome trobar!

E prazer non ei se non en chorar!

E chorando nunca farei bon son! 

(Paay Gomes Charinho) 

 

E assi morrerei por quen

nen quer meu mal, nen quer meu ben! 

(Nuno Fernandes Torneol)

 

(*) É sempre interessante verificar a força dos velhos adágios, tal como aquele que diz ser “preciso mudar alguma coisa para que tudo continue na mesma”. Antigamente, ou seja no século passado, ainda se pregava o controlo dos instintos (entenda-se: sexualidade, natureza) pelo espírito (ou razão entendida no sentido moral); hoje, pede-se o controle das tendências culturais (ou mentalidades) em nome das “leis naturais”.

** Ambas cantigas do Cancioneiro da Ajuda

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