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Archive for Fevereiro, 2010

“Livros que mudaram o mundo”

Curioso título da coleção de livros que o Público está a vender juntamente com o jornal. Certamente estão presentes obras-primas da Literatura e alguns livros que marcam o pensamento do nosso tempo. Mas daí a dizer que os Lusíadas, o Fausto ou o Hamlet mudaram o mundo…quem dera! Faz-me pensar, antes, nos critérios de edição e na ausência de direitos de autor.

Mesmo a Odisseia, que marca profundamente a cultura europeia, creio ser discutível atribuir-lhe a “mudança do Mundo”. Tal como a Divina Comédia.

Platão tem direito a dois títulos na coleção, mas nem assim mudou o mundo do seu tempo (nem depois) com muita pena sua (ao menos, fez por isso). Marx e Engels também tiveram essa pretensão, contribuindo efectivamente para a mudança do mundo muito para lá de suas vidas, e os títulos escolhidos são, provavelmente, dos mais lidos da sua obra. Mas Rousseau?! More ainda menos. Weber? Não creio. Agostinho, Erasmo, Descartes e Maquiavel: esses marcaram decisivamente o modo como, ainda no seu tempo e muito depois (até hoje), o nosso mundo foi mudando sua mundivisão. (mais…)

…pero que los hay, los hay

Nada mais ridículo do que estes abaixo-assinados de textos comprimidos de modo a caberem contraditórias sensibilidades, para no fim ficarem todos a discutir o sexo dos anjos e, no caso, a virgindade da Revolução.

Choca-me particularmente este post de Luis Rainha (de quem aprecio o tom e o conteúdo da generalidade dos seus textos) pelas nuances exemplares: “mostrar aos torcionários em Cuba (que los hay)” e “lançar a mais dura das acusações: a do amigo indignado”. Há um despotismo iluminado sempre sedutor, apesar das barbaridades regularmente cometidas pelos esbirros do regime…

A propósito da mãe de Orlando Tamayo, ocorre-me citar este senhor: 

(…) cuyo hijo ha sido injustamente condenado a dos cadenas perpetuas y 15 años de prisión aislada y cruel y en una cárcel de alta seguridad. ¿Qué dolor más duro podía existir para ella que la injusta prisión perpetua de su hijo por delitos que nunca cometió?

No es posible depositar sobre su féretro una flor sin denunciar, una vez más, el repugnante cinismo del imperio. (retirado daqui)

O mesmo senhor que assina por baixo esta frase lapidar: 

la tortura es un acto cobarde y vergonzoso que no puede ser jamás justificado.

Fidel Castro Ruz
Mayo 27 de 2009
(retirado dali)

o Demo

«A veces, o Demo trae cara de parvo.»
Plácida Zabaleta (citação retirada do blogue do seu orgulhoso neto)

Orlando Zapata Tamayo

A morte dum trabalhador pobre e, provavelmente, sem grande instrução académica, na luta pela liberdade no seu país, se já é motivo de notícia e pesar, é particularmente chocante quando decorre duma greve de fome que durou mais de oitenta dias. Não houve, ou tenho andado muito distraído, uma campanha de alerta para esta sua luta final. Em particular, sinto o amargo de quem não redigiu uma curta linha sequer a seu respeito.

Canalizador de origem muito humilde, Orlando Zapata era membro da organização de defesa dos direitos civis Directório Democrático cubana (ilegal) quando foi preso em 2003. Foi inicialmente apanhado na vaga de repressão contra a oposição em Março daquele ano, em que dezenas de pessoas foram acusadas de conspirar com os Estados Unidos para derrubar o regime de Havana e todas foram condenadas a penas pesadíssimas, que chegaram aos 28 anos de prisão.

Na altura, porém, Zapata não foi julgado no chamado processo do Grupo dos 75 – mas condenado a três anos de prisão por desacato e desobediência. Mas, devido à atitude de desafio que manteve, foi sendo constantemente condenado em novos crimes, somando um tempo de prisão que chegou a quase 30 anos. (in Público)

Sobre o regime ignóbil de Cuba e seus dirigentes, basta saber que o actual presidente atribui a morte aos Estados Unidos “por encorajar ese tipo de protestos” (in Público). (mais…)

banco de portugal

Tendo a minha filha atingido a maioridade este mês, fomos os dois ao banco onde tem conta fazer o seu primeiro depósito a prazo. Porém, não pudemos fazê-lo. Quem nos atendeu foi um estagiário diligente e atencioso que nos entregou uma folha A4 com os elementos que o Banco de Portugal exige a quem atinge os 18 anos e já tem conta aberta: comprovar a idade, comprovar a morada de residência, comprovar sua situação profissional (ou se é estudante)…e, naturalmente, tudo isso a ter de ser entregue no balcão onde abriu conta.

 Bem sei que temos aspecto de quem movimenta milhões. Se calhar deveria ter dito que vai ser um depósitosito de algumas centenas d’euros (na verdade, até o disse desde o início). O certo é que fiquei inchado de orgulho por vivermos num país tão eficiente, onde as actividades bancárias dos cidadãos são devidamente controladas para evitar abusos e crimes financeiros. Não admira que o Banco Central Europeu tivesse de nos roubar o governador do nosso Banco de Portugal para por ordem nas finanças comunitárias.

” Primavera, não tardes…”

Nas terras altas a paisagem adquire contornos de grande beleza contudo, para a maioria da fauna Ibérica, são dias difíceis na luta pela sobrevivência. (in Fauna Ibérica)

“Un sentido es lo que todos buscamos. El absurdo es lo que más comúnmente encontramos en su lugar.”

Espejo Negro es un título o, mejor dicho, un concepto, que para mí tenía dos acepciones fundamentales que lo vinculaban con el contenido del libro. Por una parte, la mayoría de los poemas del libro nacen cuando me encierro en mí para observar la oscuridad donde se esconden las cosas. Ese espacio oscuro es Espejo Negro, donde me miro y veo lo que me hierve dentro.

Por otra parte, un espejo negro es una superficie que en lugar de reflejar la luz la absorbe casi en su totalidad, devolviendo una imagen débil y monocroma. En este sentido se refiere a la relación amorosa presente en el libro, a la figura del amante.

Pavese decía que “el amor tiene la virtud de desnudar no a los dos amantes uno frente al otro, sino a cada uno de los dos ante sí.” Siguiendo esta idea de reflejar al otro, muchos autores han hablado de la relación amorosa como de un espejo.

En la relación que se da en los poemas de este libro, la figura del amante es un espejo negro, un ser que absorbe la luz de quienes les rodean, un vampiro.(Miriam Reyes in Entrevista a Jesús Jiménez Domínguez em 2001)

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