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Archive for Abril, 2012

A Civilização do Espectáculo ou o triunfo da frivolidade

No seu último livro publicado (La civilización del espectáculo ed.Alfaguara que eu não li), Vargas Llosa  desenvolve o tema do “triunfo da frivolidade” dando como exemplos desse fenómeno, entre outros, o ascendente da moda e da gastronomia. Numa entrevista explica-se:

No tengo nada contra la moda, me parece magnífico que haya una preocupación por la moda, pero desde luego no creo que la moda pueda reemplazar a la filosofía, a la literatura, a la música culta como un referente cultural. Y eso es lo que está pasando.

Hoy en día hablar de cocina y hablar de la moda, es mucho más importante que hablar de filosofía o hablar de música.” (in el país 15 de abril 2012) (mais…)

“God is dead, Marx is dead, and I don’t feel too well myself” (Woody Allen)

As religiões com sentido “histórico” balizam com datas os eventos que marcam o início e o fim dos tempos, assim como as etapas do seu desenrolar, deste modo enfrentando a decadência do Mundo e do Homem com o horizonte duma salvação para os justos e duma condenação para os ímpios. Horizonte que se cumprirá para a Eternidade irrepetivelmente.

Cada geração envelhece com a certeza de que “no seu tempo era melhor”, desabafo que se pode já constatar em folhas de papiro egípcias ou tabuinhas de argila babilónicas com milhares de anos. Os mitos, por regra, falam duma idade de ouro no passado e o fim do mundo mais lá para a frente, num futuro mais ou menos longo. Processo muitas vezes cíclico, eternamente repetível.

A um nível mais terra-a-terra, o sentimento actual de que se perdem valores como o do estudo, da cultura e do trabalho, muito por culpa da tecnologia (televisão, internet), do consumismo, do individualismo e da procura do prazer, é uma derivação do pessimismo dos mitos. (mais…)

o verbo virtual e a imagem literal

Bem pode ser que uma imagem valha por mil palavras, mas não as dispensa: códigos ocultos à parte, a emoção e perplexidade concentrada numa imagem gera pretexto para todo comentário. Frequentemente, faz apelo a estórias e leituras que sugerem um contexto.

Assim sendo, fica estranho o entendimento expresso na cotação da palavra associada ao valor da prata, quando o silêncio atinge o valor do ouro. O que está subentendido é o valor superior da inteligência, ficando por acrescentar que não há inteligência sem partilha. E a partilha é expressão visual, escrita, verbal, corporal…

Curiosamente, há quem cobre pelas palavras o valor literal e há quem delas retire sentidos fora de texto, principalmente quando estas emanam dum autor tido por sagrado (ou divino). A História é pródiga de polémicas, guerras e massacres por causa das palavras e das imagens.

Numa época de textos e imagens “virais” em processo vertiginoso de canibalização, parasitismo, mutação ou fecundação, tanto se fazem leituras literais de qualquer montagem publicitária quanto se atribuem significados às mais singelas e banais expressões espontâneas (como se pode ver diariamente nas polémicas à volta das figuras mediáticas).

No mercado das cotações, um fenómeno de comunicação assim está abaixo do ouro e da prata, até mesmo do níquel e do latão: é escória, mesmo. Mas gera lucros fabulosos. Paradoxo tecnológico?

"É um bocado estranho com esta tecnologia sem fios."

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