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Archive for Abril, 2010

Novas Tecnologias de Informação e Comunicação

Visitando a Rua da Castela, espreitei para uma montra e descobri esta novidade:

Mas como tudo o mais, também têm os seus defeitos: ardem mal…

“uma face vermelha e outra branca”

Curioso como as atenções duns e de outros se podem dividir: há quem valorize a alegada descoberta da Arca de Noé, construída nas vésperas, et pour cause, do Dilúvio que afogou o Mundo e há quem se comova por haver documentação visual dos comportamentos manifestados por chimpazés perante a morte dum seu semelhante. Reconheço que sou dos que se comovem: para quem cresceu e viveu com cães e gatos, não há nada que espantar com a tristeza num animal. Aristóteles definia o Homem como o animal que ri, mas no sec.IV a.C a televisão não passava os excelentes documentários sobre a vida selvagem que temos o privilégio de ver.

Ao contrário de certos pontos de vista, a animalidade dos comportamentos humanos me tranquiliza e dá um sentido de identidade. Suponho que isso tem a ver com a empatia, não é por acaso que se diz que “um olhar vale por mil palavras”.

Se calhar, pela mesma ordem de ideias, “os humanos fariam bem em evitar qualquer contacto com extraterrestres, defende o físico britânico Stephen Hawking”(in Publico): podem ser demasiado parecidos por força da mesma necessidade em explorar escassos, mas vitais, recursos espalhados ao acaso pelo Universo.

Ora, prosseguindo eu o raciocínio, também se interessarão por desportos competitivos e por rituais tipo Queima das Fitas? Há quem pense que não: “our appreciation of art and music is very much tied to our cognitive architecture. There’s no particular reason why some other intelligent species will share these aesthetic values. The general theory of relativity is impressive and will surely be understood by them. But if we send a Picasso or a Mona Lisa? They wouldn’t care ” (Paul Davies in The Guardian). Para Paul Davies a conversa será basicamente matemática e astronomia, talvez alguma biologia.

Lá está: a tal coisa da empatia. Eu também me sinto um extraterrestre quando chegam pop-stars e o país se rende a questões tão detalhadas como esta: “Para a missa no Porto foram criados 60 conjuntos formados por casulas e estolas (faixas longas e estreitas) para os bispos, bem como 500 estolas com uma face vermelha e outra branca” (in Publico).

“quando a intimidação visual não é suficiente e a disputa assume contornos de luta física”

É contudo em Abril que se começa a preparar esse confronto ainda longínquo. (…) A luta pelo domínio social ainda vem longe mas o momento-chave acontece agora… (in Fauna Ibérica)

A Fé move montanhas…

(retirado do De Rerum Natura)

(retirado do De Rerum Natura)

soluções económicas e processos de decisão

 

Sei que está fora de moda falar em política com “P” maiúsculo, certamente por excesso de politiquices e politiqueiros. Porém, acredito que a responsabilidade é colectiva quando ouço as “queixinhas” contra os políticos “que nos governam e se governam”: sem intervenção no debate sobre a coisa pública, sem iniciativas concretas de cidadania, premiando o discurso demagógico com o voto, do que é que nos podemos queixar?

Um dos problemas de sempre e que se agrava com o passar do tempo está na aplicação dos dinheiros públicos e a argumentação que sustentam as decisões. As pirâmides do Egipto ou o convento de Mafra foram as melhores opções para o bem-estar e progresso dos egípcios do sec.XX a.C ou dos portugueses do sec.XVIII? Talvez fossem, mas já os antigos atenienses assumiam a diferença do seu sistema de governo em relação aos déspotas da Pérsia ou da Macedónia, por exemplo, por príncipios políticos que nos são familiares e que se resumem ao “interesse comum” e ao modo de tomar decisões.

Ora, a actual discussão pública de qualquer assunto envolve tanta mais complexidade quanto o montante financeiro envolvido for maior, a ponto dos debates quase se resumirem a disputas entre economistas e advogados (muitas vezes vestindo a pele de políticos), assessorados por tecnocratas com previsões a prazo, estudos de pormenor e dados estatísticos que mudam conforme a perspectiva. Por detrás, quando não à frente, aparecem os interesses locais, as corporações profissionais-empresariais-outras, os chamados lobbies. No fim, o cidadão sente que a sua opção será mais em função de quem lhe inspire confiança, do que por opção fundamentada.

Há alturas que acontece o milagre do consenso, para depois, muito depois, surgirem balanços bem contrários ás expectativas iniciais. Enganamo-nos todos? Ou deixamo-nos enganar?

Foi isto que me veio à cabeça quando li esta reflexão do F.Míguez: “Portugal España é o país de Europa con maiores ratios de vias terrestres de alta capacidade, que se construíron coa excusa da competitividade, a produtividade, e todas esas cousas do progreso e a riqueza que, como digo, despois de quince anos, teñen como resultado que seguimos sendo os peores de Europa en xeración de emprego e riqueza. Algo falla, ou algo entendín eu mal, pero mentres non mo aclaren mellor, pensarei que me están enganando.”

Talvez por serem ambos engenheiros (ou por se andarem a ler um ao outro), o Tiago A. Fernandes já alertava ontem, a propósito dum outro grande investimento recorrente, apoiado no mesmo cepticismo metódico: “Vamos confiar no Estado para gerir um processo destes? Vamos entregar os estudos ao mesmo tipo de especialistas que defendeu a Ota ou o TGV? Não venham dizer que se consegue fazer tudo com investimento privado, porque é inevitável grande envolvimento público, directo ou indirecto” (in JN). E logo sugere uma receita banal, caseirinha, que não faz feliz ninguém: “Em vez de apostar na oferta de energia, é preferível investir um montante equivalente na redução da procura, com resultados decerto até mais compensadores“.

Ora, Míguez também sugere algo de parecido, a propósito dos grandes investimentos em rodovias urbanas: porque não repensar o investimento dum modo inverso ao actual, resolvendo os problemas com os recursos que existem? E remete para a leitura deste artigo em que a aplicação do transporte público gratuito numa cidade belga, ampliando a sua cobertura, resultou não só numa economia real do investimento como teve um efeito positivo no comércio local. Além da qualidade de vida dos cidadãos ter melhorado, penso eu de que.

Provavelmente, algum ateniense contemporâneo do velho Sócrates diria que isto é simplesmente política, as usual.

afinal existe!

Se até o Ludwig Krippahl reconhece Sua existência, depois de tantos anos a negar as evidências…

Arrebol do CERN

O que procuram são respostas para grandes questões: de que é feita a matéria? O que é a matéria escura, que constituiu grande parte do Universo mas se mantém teimosamente invisível? O bosão de Higgs, partícula que explicaria por que algumas têm massa e outras não, existe mesmo? (in Publico)

 

“Over 2000 graduate students are eagerly awaiting data from the LHC experiments. They’re a privileged bunch, set to produce the first theses at the new high-energy frontier.”(CERN Director General Rolf Heuer)

Mesmo eu que nada entendo destes assuntos metafísicos, consigo perceber quando alguém como Carlos Fiolhais explica que os “novos detectores poderão ser úteis nos nossos hospitais para ver o interior dos nossos corpos. E o poder prodigioso de cálculo que é necessário para tratar a vaga de informação que inunda os detectores, e analisada também nos computadores portugueses, desafiará decerto o engenho humano, para benefício de todos. (in Publico)

Numa época de profunda e prolongada crise que afecta o modo de vida confortável e protegido dos países desenvolvidos, quando voltam a “popularizar-se” relações de produção claramente injustas ou governos autoritários sentem-se legitimados por suportarem melhor a crise do que os governos democráticos e, acrescendo a isto, sabendo-se como os modelos de desenvolvimento actuais colocam em risco o ambiente, creio ser esta a maior das oportunidades para a Humanidade evoluir no sentido desejado.

Levando tempo, certamente, e podendo contribuir também para o oposto de tudo o que aqui desejo. Mas estes são os eternos desafios da Humanidade: comer o fruto da Árvore do Conhecimento sem admitir a culpa, nem aceitar a expulsão, ter o discernimento para só abrir a outra caixa de Pandora e controlar os demónios que espalham o medo-ódio.

Mas o que mais me atrai nestas experiências do CERN exprime-o melhor uma poetisa (que também é professora de física): “Talvez viajem desde o Big Bang/átomos que me afagam através da morna brisa,/neste rubro arrebol do dia exangue./Quem sabe já terão sido pedra, rouxinol, flor/e por isso a brisa como que canta e exala um perfumado odor.” (in Arrebol de Regina Gouveia)

Isto é assim uma forma pós-moderna de Panteísmo. Não sei. Nem me importa.

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