novidades e outras coisas

Archive for Julho, 2010

“Mas, para não mentir, lhe digo: eu nisso não credito”

O senhor deve de ficar prevenido: esse povo diverte por demais com a baboseira, dum traque de jumento formam tufão de ventania.

Por gosto de rebuliço. Querem-porque-querem inventar maravilhas glorionhas, depois eles mesmos acabam crendo e temendo.

Parece que todo o mundo carece disso. Eu acho, que.

(in Grande Sertão: Veredas)

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lassie

Passa-palavra

Vimos convidar os senhores e senhoras jornalistas para participar numa Conferência de Imprensa, na próxima sexta-feira, dia 30/07, pelas 11.15h, no Café Majestic, no Porto, na qual será apresentada a resposta favorável dada ao Requerimento e o teor do Despacho relativo ao pedido de abertura do processo de classificação da Linha Ferroviária do Tua como Património de Interesse Nacional” (in LinhadoTua.net)

O anúncio da conferência é dos Verdes e do Movimento Cívico pela Linha do Tua.
Suspiro pelo fim daquela inexplicável ideia de barragem
. (Pedro Figueiredo in A Baixa do Porto)

” a mutação radical que ocorreu na nossa relação com o tempo”

Habituados que estamos, por um lado a viver como se a velocidade por si só desse sentido à vida e, por outro lado, a associar a aceleração com a intensidade, é cada vez mais comum reagirmos com ansiedade a qualquer vislumbre de lentidão e identificarmos a mais pequena desaceleração com uma assustadora ameaça de tédio.

Como se, quando finalmente há tempo, faltasse a paciência ? (M.M. Carrilho in DN)

Em defesa do bom nome dos pulhas

De Predrag Matvejevitch li o Breviário Mediterrânico e logo fiquei abismado com o estilo poético e erudito como desfiava histórias, pintava paisagens e retratava tipos humanos. Depois há sua visão dum espaço comum de integração e de diferenças que se vai construindo ao longo dos milénios e dos espaços à volta do grande mar interior.

Mais recentemente li o Epistolário Russo onde se acumulam cartas ao longo dos anos em que visitou a Rússia Soviética, ele próprio como representante dos “intelectuais” yugoslavos. Para os nostálgicos de outros tempos será mais um livro para deitar ao caixote de lixo da História, mas para qualquer outra pessoa é um documento precioso sobre a irrealidade do quotidiano.

 

Nasceu na Bósnia-Herzegovina em 1932, filho de pai russo e mãe croata, um bom exemplo da outra Europa, aquela cujas fronteiras se movem incessantemente, os impérios se sucedem, as guerras somente interrompidas por algum tempo, numa manta de retalhos étnicos tanto mais artificial superficial quanto sujeita a surtos pestíferos de nacionalismo letal.

Por ter escrito sobre o surto que desfez a ex-Yugoslávia, Pedrag apontou o dedo àqueles que usaram a palavra (escritores e jornalistas) para desencadear e justificar a violência e a expulsão de populações inteiras. Significativamente, o texto publicado em jornal intitulava-se “Os nossos Talibãs“. Pelos vistos, houve quem se sentisse ofendido com a designação de “talibãs cristãos” e levou o assunto ao tribunal, na Croácia (seu actual país de nacionalidade), onde o crime de difamação é pesadamente castigado. E foi condenado à prisão.

Amanhã, será o seu primeiro dia atrás das grades.

nota em 02/08/10: Felizmente, não se passou nada. Et pour cause…”il n’y a en effet aucun risque que Predrag Matvejevitch soit emprisonné, puisque aucune décision de justice en Croatie ne le motive. (…)  J’ajoute pour finir que non seulement Predrag Matvejevitch n’est sous la menace d’aucune peine d’emprisonnement, mais, qui plus est, que je l’ai récemment nommé pour me représenter personnellement auprès de l’Organisation internationale de la francophonie. (Ivo Josipovic, presidente da República da Croácia in Le Monde)

business as usual…

Numa comunidade de língua de pau qual o problema de adicionar mais um que dá com o pau encima de quem dá à língua pela liberdade de expressão? Imagine-se um país governado por mafiosos que administram os recursos naturais, económicos e humanos como quem cria gado e um dia descobrem petróleo, ficando ainda mais ricos (os mafiosos). E começam a fazer amigos por todo o lado. É claro que um dia hão-de mudar de vida, é claro que sim.

solidariedade

Em 2006, Ashtiani foi condenada por ter mantido “relações ilícitas” e recebeu 99 chibatadas. Desde então, esta mulher de 43 anos está na prisão, onde se retratou da confissão feita sob a coerção das chicotadas.Só recentemente é que ela foi levada ao tribunal e recebeu um novo julgamento. De novo ela foi condenada e, desta vez, apesar de já ter sofrido uma punição, foi sentenciada à morte por apedrejamento. Essa prática desumana envolve enrolar firmemente a mulher, da cabeça aos pés, com lençóis brancos, enterrá-la na areia até os ombros e golpeá-la à morte com pedras grandes.

Ontem, no final da tarde, o governo do Irã negou a informação de que Ashtiani seria executada por apedrejamento, embora sua sentença de morte ainda possa ser levada a cabo por outro método, provavelmente o enforcamento.” (in site para a libertação de Sakineh Ashtiani)

Ashtiani é somente mais uma vítima dum regime retrógado, cruel e cínico. Mas está viva e pode ser salva.
Sakineh Ashtiani encara a morte após ser torturada por um suposto adultério.

A pressão mediática e o número de assinaturas na Petição para a sua libertação tem tido um efeito dissuasor nestas situações. A Blogosfera tem um papel cívico a cumprir aqui, ao divulgar e promover as assinaturas.

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