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Archive for Maio, 2010

para acabar de vez com a acédia

Por vezes me dou conta do pouco que blogo apesar de haver tanto para opinar (que é o gosto que tenho em flutuar na blogosfera: opinar sobre o que vejo e ouço, lêr a opinião dos outros, acrescentar a minha e assim por diante…). O JPP ensinou-me a palavra (e o conceito) que me faltava: sofro da acédia. Nem sempre, claro. É coisa que se pegue? Infelizmente, sim. Tem antídoto? Mais ou menos, já que é uma forma de depressão.

Talvez em reacção à acédia que tem grassado a Norte, pessoas bem formadas criaram um partido assumidamente regional: “ (…) era imperioso criar uma força pragmática, sem limitações ideológicas, para a defesa dos interesses da região.” (Pedro Batista no JN). Não posso estar mais de acordo quanto a isso, como aliás acontece com outros. O problema está na forma: um “partido”? Um partido “regional”?

 N’ A Baixa do Porto a “coisa” já dá que falar: “Este Partido no Norte pode muito bem ser um desses partidos abrangentes com um objectivo específico: a autonomia política da Região. Pode até dissolver-se alcançada esta.” (António Alves). Há quem justifique até: “…não precisaríamos de um partido deste género se os outros partidos assumissem a gestão geográfica, solidária e sustentável, do território como um ponto importante das suas missões.” (Vitor Silva). Já o próprio TAF não se entusiasma com a forma e responde: “Certo, Vítor. O que me parece é que um partido é a ferramenta errada para esse efeito. Então que se constituísse um movimento, com gente de vários partidos, destinado a coordenar esforços para fazer passar a mensagem para dentro desses partidos “a sério”.

Em relação aos partidos “nacionais” tenho muitas dúvidas porque não vejo sinais de preocupação real com a questão da regionalização. E quanto ao partido “regional” outras dúvidas tenho em conseguirem reunir “massa crítica” de nomes e instituições que participem e colaborem activamente no objectivo central. Mas pior que do que desiludir, é a acédia que não leva ninguém a lado algum.

Enfim: concordo com todos, até concordo com quem diz que o tema da fusão das três cidades [Porto, Matosinhos, V.N.Gaia] deve ser, pelo menos, discutido (Manuel Pizarro in Publico).

Porque o diagnóstico está à vista e tem séculos: “a grande maioria dos problemas do país resulta do centralismo vigente em que todos trabalham para alimentar uma corte macrocéfala em Lisboa” (Paulo Morais in JN)

Ou como diz o José Silva, a crise pode ser uma oportunidade: “É uma excelente oportunidade para o Norte. Como referi anteriomente, nós exportamos e nos não estamos tão endividados. Tal como o FMI em 1983, a UE, a Alemanha, o FMEuropeu quererão ter sucesso nas suas políticas de redução do endividamento e deficit externo. Eles irão apoiar e proteger os territórios mais cumpridores, economicamente sustentáveis, produtores de bens e serviços transaccionáveis. Só precisamos de fazer «lobby», de explicar o que o Norte tem conseguido apesar da sabotagem crónica de Lisboa. Explicar que não queremos ser prejudicados por uma capital drenadora de recursos financeiros e humanos.” (in Norteamos)

Sem complexos de vir alguém dizer que aquilo que “um transmontano-duriense como eu mais pode desconfiar é, sob a bandeira do Norte, assistir a sinais do centralismo portuense a tentar erguer-se” (in Água Lisa). Mesmo que haja essa vontade, João, felizmente a região tem uma dinâmica que já não o permitirá nunca. E depois…depois há a questão da Galiza (ver post de Nuno Gomes Lopes aqui)

retirado de Nuno Gomes Lopes

(do blogue homónimo)
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“Bobices minhas”

Tempo? Se as pessoas esbarrassem, para pensar — tem uma coisa! —: eu vejo é o puro tempo vindo de baixo, quieto mole, como a enchente duma água… Tempo é a vida da morte: imperfeição. (in Grande Sertão: Veredas)

A quantum of solace

 

“Pope Benedict intends to tell the Portuguese to seek solace in their faith to relieve the gloom of financial hardship, he says”. (in BBC)

There are no easy answers to the fix we’re in. But there are no easy non-answers either”. (George Monbiot in Guardian)

Já o João Zilhão dizia que sim, que continuam.

Eles não se extinguiram totalmente, continuam a viver em nós.”(Svante Pääbo in Público)

Confesso que fico contente com as provas da promiscuidade do género humano, tanto pela familiaridade que inspira perante qualquer outra pessoa, em qualquer parte do mundo, como por ser mais um contributo contra o racismo tão arreigado no inconsciente de tantos de nós.

Esclarecimento

Aquele senhor coloca na minha boca afirmações que me comprometem e que venho aqui desmentir inequivocamente: nunca me dediquei à portografia, nem acho bem que se pratique.

“somos felizes”

 

 O governo deve ter acreditado piamente no efeito da visita papal, conforme os termos da nota pastoral da Conferência Episcopal Portuguesa: “vem dinamizar a nossa esperança para podermos abrir caminhos de solução às dificuldades e crises que a nossa sociedade atravessa“(in JN). Se bem que dinamizar a esperança não seja exactamente o mesmo que dinamizar a economia. Mas com tanto artefacto feito e vendido, produzido no país, certamente que visitas assim são benvindas por muitos industriais, comerciantes e artífices do reino: são ovos de porcelana e prata (design de Siza Vieira), é louça pintada a ouro da Vista Alegre, são hotéis esgotados, são paramentos coloridos, bandeirinhas, etc.

E vai daí o governo concede tolerância de ponto para se poder acompanhar in loco a visita do Papa, medida corajosa que não recuou frente às reclamações dos falsos moralistas que falam da crise e da necessidade de trabalhar mais, como é o caso da  Confederação Nacional das Instituições de Solidariedade (CNIS), que recomenda para que se “mantenham abertas as valências de creche e infantário a 13 de Maio, apesar da tolerância de ponto pela visita do Papa” (in Radio Renascença), chegando ao desplante de falar em “serviços mínimos” a serem assegurados também nos ATL´s!

Felizmente, as escolas públicas irão garantir o direito a receber o Santo Papa: “Todas as escolas públicas encerrarão no dia 13 de Maio, bem como as de Lisboa na tarde de dia 11 de maio e as do Porto na manhã de 14 de Maio, quando estão decididas tolerâncias de ponto devido à visita de Bento XVI, segundo fonte oficial do Ministério da Educação.” (in Publico)

É como diz o outro: Nós acreditamos, temos fé, somos felizes.

das rias altas ao douro

O Vigo metropolitano debe asumir un liderado que dependerá tanto do comportamento dos tres grandes motores da nosa economía metropolitana (automoción, construción naval e actividade portuaria) como da capacidade política de artellar un novo modelo de administración territorial baseado na creación dunha área metropolitana que funcione como centro equilibrador desa eurorrexión Galicia e Norte de Portugal de sete millóns de habitantes (o 12% de toda a península ibérica).(Manuel Bragado in Brétemas)

Vigo ten a responsabilidade de funcionar coma ponte económica e cultural entre ambas as dúas bandas do Miño, servindo de contrapeso á voluminosa área metropolitana de Porto e á rexión urbana da Coruña e Ferrol, das que nos separan na actualidade apenas unha hora e media de viaxe por autoestrada e un pouco menos cando funcione o tren atlántico de velocidade alta. (Manuel Bragado in Faro de Vigo)

Nunca me canso de repetir o que muitos (ainda que não os suficientes…) vêm dizendo há uma centena de anos (ou mais): há um óbvio contrasenso ao não encarar-se a unidade económica, geográfica e humana da região galaico-duriense. Nas duas últimas décadas, o desenvolvimento galego e a decadência da região entre Douro e Minho tem acirrado por estas bandas um espírito de combate pela disputa do movimento nos portos, aeroportos. Mas, felizmente, é maioritária a noção das afinidades e interesses mútuos. É só fazer as contas…

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