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Archive for Janeiro, 2012

matando saudades dum bom debate

Ontem assisti a um debate à volta do livro “Corpo e Transcendência” de Anselmo Borges (ed.Almedina), moderado pelo próprio autor, com a presença de José Pacheco Pereira, Bento Domingues e Daniel Serrão. O tema não me interessava especialmente, mas os participantes garantiam a qualidade do debate.

Sendo eu também um incréu, como o próprio JPP se auto-designou, com ele partilhei a ausência de interrogações e dúvidas sobre o Transcendente, a Morte e, naturalmente, Deus. Dos outros participantes observei com apreço o modo como enfrentam racionalmente (dando o exemplo de Tomás de Aquino) os desafios à sua fé religiosa colocados pelo conhecimento científico.

O que me leva a reflectir nas pessoas que assistiam ao debate (entre 100 a 200): ninguém se levantou a acusar apostasias, heresias e blasfémias, a   invocar argumentos de autoridade e dogma. Bom-humor, cordialidade, simpatia, seriedade…porque haveria de esperar outra coisa? (mais…)

” façam o favor de não estragarem aquilo que está direito…”

E, desta forma[porto de Leixões passará a ser administrado por um administrador delegado, dependente de uma empresa lisboeta], a economia do Norte estará a sustentar esses modelos, continuando a pagar mais, e nada recebendo em troca. (Rui Moreira in JN)

titanic

Faz hoje 100 anos que aconteceu o famoso naufrágio. Curioso, quando era miúdo parecia-me uma história de tempos muito remotos. Agora, apanhou-me de surpresa terem passado somente 100 anos.

Apesar do impacto que teve na época, não passou dum episódio dramático e sem consequências para o mundo. Porém, ficou a imagem do enorme barco demasiado grande para afundar (e que foi ao fundo a meio da 1ª viagem) e do critério de prioridade de acesso aos barcos salva-vidas (passageiros de 1ª classe primeiro…). Como alegoria da corrente crise económica na Europa e América do Norte é impecável, e nos últimos anos tem sido usada abundantemente. Desde as entidades financeiras e economias nacionais “demasiado grandes para irem à falência”, ao prudente critério de todos os idosos com necessidade de hemodiálise terem direito ao tratamento se pagarem, a poderosa imagem do Titanic funciona como a dum mito grego sempre rico em novos sentidos e actualidade.

Como todas as comparações e simbolismos, tem os seus limites: o capitão do Titanic não abandonou o barco, nem os passageiros que ficaram sem salvamento.

Sendo optimista por natureza, desvalorizo o detalhe histórico da Europa e América do Norte terem vivido décadas de paz e prosperidade até dois anos e meio depois do naufrágio. O calendário maia não é para aqui chamado.

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