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Verão cultural

Um dos privilégios da minha vida é o de poder gozar, com alguma frequência, fins-de-semana numa zona rural algures no sudoeste europeu, finais de tarde à beira-mar numa praia do nordeste-atlântico ou um dia inteiro a passear por um dos grandes rios ibéricos. Privilégios de quem reside no litoral sul da região galaico-portuguesa.

Apesar desta diversidade geográfica, em todos estes lugares posso usufruir do mesmo gosto cultural pela música gravada, geralmente com uma qualidade algo peculiar, que me chega de localidades “em festa”, dos bares da praia por onde passeio, do próprio barco que faz o percurso do rio.

A qualidade do som pode variar (muito mau nas aldeias, mau nos barcos e sofrível nas esplanadas de praia), o reportório vai do pimba (os barcos) ao pseudo-folclórico (as festas de aldeia) e a estilos mais ecléticos desde o pop dos anos 80 a temas jazzísticos (os bares), mas a ubiquidade do ruído (musical) é, de facto, a prova da tenacidade cultural das multidões estivais que celebram o convívio, a festa, o escape.

Cultura versus (evidentemente) Natura. Quem está para escutar o piar irritante dos passarinhos, o silêncio enervante das margens do rio (se calhar o rio até tem os seus ruídos próprios, mas é impossível afirmá-lo sob a torrente de canções porno-pimba que os barcos debitam) ou o barulho monótono do mar?

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onze de março

Há umas rubricas na blogosfera à volta do tema “o mundo é um lugar estranho” onde se expõem perplexidades sobre o “admirável mundo novo”, na maioria das vezes fenómenos que surgem no facebook, youtube  e similares. Fenómenos estranhos é certo, mas antigos e bem conhecidos.

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Concordo que há coisas que só acontecem porque vivemos num tempo em que o comum dos cidadãos pode utilizar ao seu critério recursos audiovisuais e divulgá-los num espaço aberto a centenas de milhões de internautas.

Mas o que está por detrás de todos esses fenómenos continuam a ser pessoas como as que sempre houve, pelo menos de há cem mil anos a esta parte. Não sei se isso é motivo de sossego, considerando o impacto que a tecnologia tem nas sociedades humanas: sermos essencialmente os mesmos, ao longo de milhares de gerações.

Atento aos sinais do tempo e procurando acompanhar o ciclo das estações do ano, e apesar de saber que a maioria abomina o Inverno e anseia pelos calor que está para chegar, devo confessar que me animam posts como este:

Este tem sido um Inverno duro no que se refere às condições meteorológicas. No Norte do país tem sido frequentes os nevões em áreas do Interior, assim como os ventos fortes. As fotografias em anexo revelam as dificuldades de mobilidade de raposas e lebres, ou a caída de árvores em trilhos que perturbam o Homem e animais.

É difícil acreditar que dentro de algumas semanas inicia-se a época de reprodução…”

Que é um modo de dizer: “apesar de tudo, a vida continua…” E, já se sabe, onde há vida…

” Primavera, não tardes…”

Nas terras altas a paisagem adquire contornos de grande beleza contudo, para a maioria da fauna Ibérica, são dias difíceis na luta pela sobrevivência. (in Fauna Ibérica)

so much for Darwin… Sócrates e também o Papa

 

in deo gratia

Há anúncios que parecem deixar indiferentes a maioria das pessoas, ao contrário do que acontecia alguns (muito poucos, aliás) anos atrás. Água mole em pedra dura? Tolerância? Decandência dos costumes? Tabú? Pela minha parte, creio que o problema mesmo são os créditos do mensageiro.

Ainda há dias outro mensageiro disse umas coisas (As florestas tropicais merecem a nossa protecção, certamente, mas não menos a merece o homem como criatura, p.ex. ) e fez-se um zum-zum-zum a respeito da sua alegada equiparação das “ameaças” ao casamento heterosexual com a crise ecológica global que ameaça milhares de espécies animais. Se for o caso dele ter dito isso (ou isso querer dizer), não me preocuparia muito porque a Humanidade sempre se perpetuará nem que seja à custa dos chamados filhos “ilegítimos”, de pai “anónimo” ou, simplesmente, “naturais” ( e o que é natural é bom*).

Provavelmente, a eventual decadência dos costumes e a minha convição no futuro da Humanidade assentam em verdades muito triviais como aquela que deixou um pobre académico perplexo:

David Buss, professor of psychology at the University of Texas, in his book The Evolution of Desire tries to unravel the mystery of the female orgasm. He is apparently perplexed because it has nothing to do with reproduction and appears to have no other function except to give a woman pleasure – hence the existence of the clitoris, “useful” only for female sensory delight. (Yvonne Roberts in The Guardian)

Ou seja, que a cultura e sociedade humana possam aumentar o leque das possibilidades que os constrangimentos (naturais, obviamente) da Evolução favorecem, so much for Darwin…nada, evidentemente, que um troubadour não tenha dito já: 

Mas como pod’achar bõa razon                                  

ome coitado que perdeu o sen

com’eu perdi? e quando falo, ren

ja non sei que me digo, nen que non!

E con gran mal non pod’ome trobar!

E prazer non ei se non en chorar!

E chorando nunca farei bon son! 

(Paay Gomes Charinho) 

 

E assi morrerei por quen

nen quer meu mal, nen quer meu ben! 

(Nuno Fernandes Torneol)

 

(*) É sempre interessante verificar a força dos velhos adágios, tal como aquele que diz ser “preciso mudar alguma coisa para que tudo continue na mesma”. Antigamente, ou seja no século passado, ainda se pregava o controlo dos instintos (entenda-se: sexualidade, natureza) pelo espírito (ou razão entendida no sentido moral); hoje, pede-se o controle das tendências culturais (ou mentalidades) em nome das “leis naturais”.

** Ambas cantigas do Cancioneiro da Ajuda

apelo

Apelo também às entidades portuguesas, nomeadamente ao Ministério do Meio Ambiente, Ordenamento do Território e Desenvolvimento Regional e ao Instituto da Conservação da Natureza e Biodiversidade para que não poupem esforços e recursos na salvação da águia-real no único parque nacional português: esse seria um óptimo investimento no futuro do país…  (in Fauna Ibérica)

nas Astúrias

porque aqui a conservação e respeito pela Natureza não constituem apenas uma obrigação legal mas antes um desígnio de toda a sociedade…(in Fauna Ibérica)

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