novidades e outras coisas

Archive for the ‘mundo íntimo’ Category

Perigos de quem anda sozinho pela noite…

De vez em quando, alguém teima em me recordar como é perigosa e selvagem a vida em certos recantos deste país, supostamente civilizado.

 

Sempre bem documentado com detalhes macabros e fotográficos, confirma que por aí andam lobos maus e outras criaturas sinistras da noite a comer inocentes bambis, tal qual os vampiros e lobisomens dos best-sellers e blockbusters que a nossa cultura urbana de centro comercial nos oferece para descarga de adrenalina e fantasia onírica.

Illustration of Wolf Approaching Little Red Riding Hood

E diz que o fazem para cevar a fome duma prole desejosa de sangue e carne, e deste modo garantir a perpetuidade destas espécies que se alimentam de outros seres vivos.

Nesta altura dos fogos de Verão, quando andamos iludidos pelo marketing que nos leva a confundir floresta com monoculturas industriais de pinheiro-bravo e eucalipto, é bom que prestemos atenção à “Natureza bem viva, selvagem, que apesar de raramente podermos observar encontra-se ainda bastante preservada no nosso país. Acreditem. Basta olhar para as imagens…

Ok...Espero que todos gostem deles tostado por fora e rosadinhos no meio.

Ok…Espero que todos gostem deles tostados por fora e rosadinhos no meio.

 

Verão cultural

Um dos privilégios da minha vida é o de poder gozar, com alguma frequência, fins-de-semana numa zona rural algures no sudoeste europeu, finais de tarde à beira-mar numa praia do nordeste-atlântico ou um dia inteiro a passear por um dos grandes rios ibéricos. Privilégios de quem reside no litoral sul da região galaico-portuguesa.

Apesar desta diversidade geográfica, em todos estes lugares posso usufruir do mesmo gosto cultural pela música gravada, geralmente com uma qualidade algo peculiar, que me chega de localidades “em festa”, dos bares da praia por onde passeio, do próprio barco que faz o percurso do rio.

A qualidade do som pode variar (muito mau nas aldeias, mau nos barcos e sofrível nas esplanadas de praia), o reportório vai do pimba (os barcos) ao pseudo-folclórico (as festas de aldeia) e a estilos mais ecléticos desde o pop dos anos 80 a temas jazzísticos (os bares), mas a ubiquidade do ruído (musical) é, de facto, a prova da tenacidade cultural das multidões estivais que celebram o convívio, a festa, o escape.

Cultura versus (evidentemente) Natura. Quem está para escutar o piar irritante dos passarinhos, o silêncio enervante das margens do rio (se calhar o rio até tem os seus ruídos próprios, mas é impossível afirmá-lo sob a torrente de canções porno-pimba que os barcos debitam) ou o barulho monótono do mar?

931233_393474604094304_1436444077_n

 

 

 

“…os livros me fazem e desfazem”

Quando se lê muito, e eu fui feito pela leitura e não pelo estudo – porque nunca verdadeiramente estudei no sentido escolar do termo, e não “fazia os trabalhos de casa” -, aprende-se e forma-se. Aliás, este é o cerne da educação no sentido clássico, hoje tão esquecido, o de aprender para se fazer.
 
 
O livro de Werner Jaeger sobre a paideia grega era então de leitura obrigatória para qualquer aprendiz de filosofia, e explicava bem essa parte “passiva”, interior, aberta às influências e às seduções, quer do pathos, quer doethos, quer do logos.
 
 
Essa formação “passiva”, a que nos faz, é, pela sua natureza, caótica, depende do “monstro”, que alimentamos à força dos livros, e do modo como eles atingem a vida que se tem. Mas uma vez feita, fica lá para sempre. “Passiva”, aqui nada tem de negativo, mas de silêncio interior perturbado apenas pelo som da nossa voz íntima falando connosco próprios.
 
 
Freud sabia o que isso era, Proust também e, lá longe, na sua fantasmática Konigsberg, Kant procurava-a como alicerce para essa “razão prática” que fundamentava tudo. 
 
Depois, a uma dada altura, dá-se a volta, e a enorme presunção adâmica que os intelectuais têm fá-los escrever. Escrever, nos anos sessenta, por esta ordem: poemas, “teoria” e romances.
 
 
Hoje, a ordem está alterada: os poemas estão lá, mas com menos peso, depois ficam as escritas fáceis (e quase sempre débeis) dos blogues e Facebook, e depois romances, romances, romances. Esta ordem das coisas é para mim um mistério, como é que uma pessoa de juízo normal pensa que os pode escrever com facilidade.” (JPP in Abrupto)
935884_343701612424770_1283075027_n

“Condenado à morte em fuga capturado no Minho”-notícia de última hora

Há notícias que irrompem no fluir noticioso dos media e nos fazem sentar, pensar, o olhar preso a uma esquina azul do horizonte. Aqui está uma história de quem já estava no “corredor da morte”, provavelmente a poucas horas de conhecer o seu carrasco, mas consegue iludir os guardas e, literalmente, saltar a cerca fugindo para a floresta.

Estas histórias normalmente acabam mal, a desproporção de meios entre perseguidores e perseguidos é enorme, as pessoas são influenciadas pelos media e denunciam qualquer estranho em fuga que surpreendam nas traseiras de casa.

O foragido é sempre visto como uma besta sanguinária e um perigo para a comunidade. Não é o caso, ainda que tenha todo o direito de, na luta pela liberdade e pela vida, usar da violência.

registros-de-touradas

O drama maior desta fuga é bem a imagem dos problemas que afligem a Humanidade, desde o sec.XX, principalmente: o mundo encolheu, deixaram de haver os grandes espaços selvagens para onde um foragido à justiça, à sociedade ou aos seus próprios demónios possa escapar e seguir vivendo.

Tomo nota, também, como a sociedade é indiferente aos verdadeiros dramas, tratando-os como uma tourada, quando qualquer cão ou gato abandonado na rua tem direito a campanhas de lágrima no olho nas páginas do facebook. (ACTUALIZAÇÃO em 18-05-13: página do Facebook  Touros em Fuga dedicada aos dois foragidos)

Hoje, “o mais perigoso” dos membros da alegada quadrilha (uma invenção dos media, diga-se) foi detido por populares, que não tendo coragem de o pegar de caras, dominaram-no com cordas. Um dia destes, os corajosos cidadãos que colaboraram com a justiça irão festejar o feito comendo um bom bife, certamente. Mal passado, se calhar.

O mundo é mesmo um lugar perigoso para andar por aí…

1368370267_466902_1368370342_noticia_normal

Quatro anos de Vivacidade

Há a dinâmica cultural dos grandes eventos, grandes instituições, dependente do mecenato, do Estado ou das fundações.

E há outra em (quase) tudo pequena, dependente da boa vontade e interesse dos que nela se envolvem como público e participante.

Ambas são imprescindíveis, complementares e, infelizmente, vítimas da Grande Crise. Galerias, tertúlias, academias, espaços, vão surgindo (e desaparecendo) pela vontade de realizar projectos pessoais ou colectivos, e a sua simples existência já é um “atestado de vida” a uma sociedade-cidade-cidadania que, no geral, peca pela passividade e conformismo.

O Vivacidade-espaço criativo , que  festeja hoje 4 anos de actividade, tem sido exemplar nessa dinâmica de escassos recursos, mas capaz de promover um variado e elevado número de actividades, envolvendo, ao longo de cada ano, agentes culturais, instituições, artistas e investigadores.

Concebido, criado e animado pela Adelaide Pereira, que se tornou uma referência nos meandros da cultura do Porto sem ser ela própria uma “artista”, nem ter tido ligação anterior ao mundo da cultura e das artes, o Vivacidade afirmou-se como um espaço criativo, aberto e com a extraordinária capacidade para impor, a si mesmo, uma agenda de eventos regular ao longo de todos estes 48 meses.

11

Em quatro anos, semanalmente foi desenvolvendo acções de formação nas mais diversas áreas, visitas guiadas a lugares e monumentos da cidade (na maioria pouco conhecidos ou habitualmente fechados ao público), realização de exposições (pintura e fotografia), sessões de poesia e de cinema orientadas sempre por algum expert no assunto, programas culturais para crianças no Natal e na Páscoa, lançamento de livros, workshops de criação literária, fotografia e outras matérias, palestras/debates sobre os mais variados assuntos e por gente de extraordinário valor, recitais de música, teatro…

O “segredo”, acessível só a quem frequente este espaço, está na criatividade, curiosidade, dedicação e trabalho de todos os que nele participam, uns de forma regular, outros esporadicamente, mas sempre de modo generoso e dedicado.

Como diz o outro, a propósito destas questões da rotina e da falta de inspiração: o Vivacidade-espaço criativo é um “berro rebelde à vida torcida ao avesso/que urge despertar a cores num movimento/ vibrante/ de vivacidade“.

Parabéns!

“Géant de la BD et poète de génie”

“Ici se trouve l’Amerique, lá l’Europe…et entre ces deux continents, l’Ocean Atlantique. Eh, bien, nous sommes ici, sur l'”A”. (Barthélemy, le puisatier)

Imagem

Au revoir, Fred!Imagem

Dia do Pi 2013

Devo dizer que sou a última das pessoas que conheço para poder falar do Pi Π (3.14159265359) e o melhor que julgava entender era que se tratava de um número irracional. Apesar de ser verdade, não o é no sentido que lhe dava.

 chickenchaos

Dito isto, e assumindo publicamente que sofri um atraso neurológico das competências matemáticas a partir da tabuada dos 7 (com a notável excepção da tabuada dos 10), o Π sempre me fascinou desde que percebi que alguns matemáticos e místicos nele depositavam a esperança da revelação duma Inteligência Superior que concebeu o Universo. O que me parecia dar razão no entendimento sobre a irracionalidade de certas coisas.

how-many-digits-of-pi-do-you-know (mais…)

Nuvem de etiquetas

%d bloggers like this: