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Da inteligência das galinhas

Sem ironia e sem qualquer juízo depreciativo, um dos aspectos mais extraordinários e fascinantes da espécie humana é a estupidez. Digo isto e acrescento, desde já, que me incluo na dita espécie, partilhando a tal extraordinária e fascinante qualidade.

Tal como dizia um francês metódico e cartesiano, também me parece que o bom senso é a coisa mais bem distribuída no mundo, ainda que sujeito a variações bruscas e catastróficas.

Ainda esta semana li uma entrevista com Jane Goodall em que ela confessava o seu desapontamento ao reconhecer nos chimpanzés os mesmos comportamentos agressivos e cruéis  que conhece no macaco humano.

É um ovo quadrado dentro dum buraco quadrado, seu idiota.

É um ovo quadrado dentro dum buraco quadrado, seu idiota.

Curiosamente, num artigo publicado recentemente, uma investigadora da Universidade de Bristol, Christine Nicol, afirma que os pintainhos nascem com uma precoce competência numérica, incluindo noções de física e, particularmente, engenharia estrutural (seja lá o que isso for). O que me faz reflectir profundamente sobre o sentido deste mamífero destituído de qualquer competência matemática (que sou eu) ter acabado de almoçar um frango estufado com batata.

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…e queremos agradecer à evolução por mudar lentamente algumas espécies de dinossauro numa bola de carne com pernas e com uma pequena cabeça.

Ora, o que me motiva este post tem a ver com a milionésima vez que leio no Facebook um aviso urgente, com apelo cívico à sua divulgação maciça pela rede, a anunciar mais uma malfeitoria da entidade que se esconde por detrás da sigla Facebook.

A que li hoje não varia muito do habitual: se o usuário não afixar o texto que está a ler na sua Cronologia, o Facebook irá cobrar-lhe não sei quanto por dia/mês (um balúrdio de dólares, mesmo quando convertidos em euros), apropriando-se dos direitos de autor de tudo quanto o usuário publicou, além de apropriar-se de todos os dados pessoais do usuário.

O mais assustador nem é isso. Dum modo muito geral, tudo o que se publica na net (facebook incluido) passa a património mundial automaticamente (veja-se o que se passa com os downloads ilegais de filmes, músicas e livros) e a entrega dos dados pessoais de todos nós, intrépidos navegantes e surfistas, são a contrapartida para usufruirmos de todos aqueles serviços gratuitos com que já não saberíamos viver se os perdêssemos e, pior ainda, para os quais não teríamos dinheiro para pagar se a isso formos obrigados.

A esse respeito, incomoda-me mais que os governos da China, do Irão, dos Estados Unidos ou da Rússia, ou de qualquer outro país aliás, tenham acesso a esses dados directamente ou via google, facebook, microsoft, etc.

O que me assusta mesmo é ler nos tais avisos publicados em páginas do Facebook por usuários de espírito cívico, rebelde e bem informado, é que, a partir das tantas horas de tal dia (geralmente o próprio dia ou o seguinte), “os fiscais do Facebook” começarão a visitar todas as páginas para listar as que não tiverem publicado o tal texto em que o usuário não autoriza tal e tal coisa por parte do Facebook.

É a partir daqui que a inteligência superior das galinhas me dá um nó no estômago.

-Qual é o teu Q.I.? -Esses testes são muito imperfeitos -Uau, é assim tão baixo, eh?

-Qual é o teu Q.I.?
-Esses testes são muito imperfeitos
-Uau, é assim tão baixo, eh?

Abaixo leia-se a reprodução dum desses avisos:

NÃO AUTORIZO COBRANÇAS POR PARTE DO FACEBOOK, DIRETA OU INDIRETAMENTE.
FALTAM 12 HORAS PRAZO FINAL, ACABOU DE SAIR NA MÍDIA, EXTRA OFICIAL, passou no Splash (domingo passado) e no Programa da Querida Julia na quinta-feira, no Jornal Nacional e na terça-feira, na RFM na segunda-feira, no Jornal da Noite, no sábado passado no Gosto Disto e no Corean On Line, Daqui a 30 horas os fiscais do Face darão início a busca seletiva avançada a procura desse aviso no seu mural, tal qual está escrito aqui, e então o facebook e todos os serviços continuarão a ser gratuitos e sem o envio de dados ao governo americano. Do contrário, os dados continuarão a ser pesquisados pelo governo americano, as fotos serão visíveis por todos e seu nome irá para lista de inadimplentes com inclusão no SCP – CPT – SERAZA – OLGIZ – BANK CITY – BOBONIS E TROLINS (conforme lei 3102/07-06, recentemente aprovada pela Constituição da Republica). Caso não tenha esse aviso copiado, colado e registrado em arquivo word no seu computador com um print screen de tela, os agentes do face ligarão a cobrar, uma ligação internacional de 30 minutos, cobrando a taxa de 5,99 E (convertidos a moeda corrente do país pouco mais de 10,00 E por dia mais juros) por semana debitado diretamente na conta telefônica no seu ponto de acesso wi-fi internet segura – Não esqueça de colar isso no seu mural e você estará livre da cobrança e livre de ser taxado de bobo mais uma vez, dentre outros inconvenientes. Caso contrário, em trinta dias suas publicações tornar-se-ão públicas propriedade na privada, suas mensagens e fotos,
EU NÃO AUTORIZO!!!

tudo à molhada

Pode ser que por não entender nada de nada sobre quase tudo em geral, o erro seja meu. Porém, reconheço que isto de construir encima da linha do mar, num local tão afamado como a foz do Douro (marés-vivas, cheias, naufrágios…), ainda por cima num local que se chama “molhes” só poderia dar no que deu: meter àgua.

 

Fui à Wikipédia buscar esta definição de “molhe”: 

Um molhe é uma obra marítima de engenharia hidráulica que consiste numa estrutura costeira semelhante a um pontão, ou estrutura alongada que é introduzida nos mares ou oceanos, apoiada no leito submarino pelo peso próprio das pedras ou dos blocos de concretos especiais (tetrápodes ou outros), emergindo da superfície aquática. É, portanto uma longa e estreita estrutura que se estende em direção ao mar, mas não deve ser confundido com os píeres.

Necessariamente uma ponta do molhe se situa no mar e a outra ponta do molhe em terra. Se as duas pontas da estrutura forem no mar trata-se de um quebra-mar, e se as duas pontas forem na terra, trata-se de um dique.

Claro, arquitectos, engenheiros, e tantos outros decidiram que se ali ficava bem um restaurante, uma galeria, etc e tal, é porque fica mesmo bem. Entretanto, gastam-se uns dinheiritos, uns dizem que a situação é excepcional, outros que estão surpreendidos, outros ainda prometem acionar garantias. Moral da história: a culpa é do mar.

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