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Archive for Julho, 2009

sobre a luta dos povos pela liberdade

Uma das minhas (muitas) grandes dificuldades está em distinguir as lutas justas das outras (injustas e pagas por serviços secretos estrangeiros). Isto a propósito deste post do João Tunes, onde também é feita uma curiosa citação do cronista Manuel António de Pina. Infelizmente, fiquei na mesma.

Hoje tive a felicidade de ler esta pérola do pensamento político dito pelo que penso ser o equivalente ao nosso presidente da Assembleia da República, e que traduzido no meu mau português dá mais ao menos isto: “políticos de sucesso são aqueles que seguem o caminho do clero e da liderança.” Boa recomendação em tempo eleitoral.

Crowd escaping from speech bubble, flat tone (Tim Ellis)

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ora, ao fim de 47 anos isso deve me dar mil…milh…é fazer as contas!

(…) a criação de um subsídio de 200 euros para cada criança nascida em Portugal, que seriam depositados numa conta a prazo e que só poderiam ser mexidos quando a criança completasse os 18 anos” (in O Publico).

Plenamente de acordo, mas com efeitos retroactivos e juros. Para que não hajam ressentimentos invejas descriminações.

"daqui a 18 anos, o depósito a prazo de 200 euros renderá o dobro"

"daqui a 18 anos, o depósito a prazo de 200 euros renderá o dobro"

“Este é um Blog livre de pontos de exclamação”(!!?)

blogueiros muito respeitáveis que estão a dinamizar um movimento por uma causa extraordinária.

Talvez por boa parte da minha educação literária se dever a obras como as que Vasco Granja divulgava na revista Tintin(o qual não teve qualquer responsabilidade por aquilo em que me tornei, bem entendido…), até aprecio o pobre bicho agora banido. Obviamente, este blogue pretende ser igualmente livre (!) mesmo que exclame suas emoções com ponto e medida!!!

 Bof!

Bof!

e (já agora) essa Joana de que tanto se fala não diz nada porquê?

Parece que o fenómeno das transferências dos jogadores de futebol se estende ao de figuras políticas (e outras) para diferentes partidos: espectáculo, ruído, troca de acusações, autojustificações, num cortejo de humilhados e ofendidos com que se esgota o debate político.

De nada valerá, ou muito pouco,  passar a vida a criticar políticas, modos de fazer política, etc, se sempre que se entra em período eleitoral cai-se na partidarite aguda, com os mesmos sintomas dum membro de claque de futebol. Ou cair na tentação derrotista, de vencido da vida, lamentando que “são todos iguais” e o país não tem salvação. Leiam-se os jornais do fim-de-semana, os blogues empenhados políticamente, ouçam-se as conversas de rua, tudo ao estilo “bastante mais do mesmo”.

Arrisco esta comparação: muitos, muitos anos atrás, quando os grandes centros comerciais começaram a surgir na paisagem e no quotidiano, a polémica colocava-se entre defensores da concentração das lojas e serviços, com horários, comodidades e preços mais favoráveis, etc e tal, versus os detractores que receavam pelo comércio tradicional e o impacto que isso viria a provocar na malha urbana. Ambos estavam certos, mas qual é o saldo ao fim de tanto tempo? Este balanço receio não ter sido feito e, só por si, implicaria muitas outras polémicas.

O certo é que o chamado “comércio tradicional” sempre pecou por defeito (grandes defeitos, por vezes!). E as camaras municipais das maiores cidades andam distraídas das suas responsabilidades no ordenamento do território, sentindo-se igualmente predestinadas a grandes obras e magnos problemas (como os governos centrais), quando a fixação da população urbana está directamente relacionada (também) com a qualidade de vida dos residentes. O que inclui a oferta de bens e serviços “de próximidade”, sem necessidade de pegar no carro, e tendo (imagine-se) até o gosto de sair à rua, cruzar com vizinhos e despachar meia-dúzia de assuntos do dia-a-dia. Se a isso se acrescentar algumas salas de cinema, teatro, alguns espaços de convivência social, cultural e  de criação artística, isso parece-me excelente.

Ou seja, em vez de projectos de grandes avenidas novas, de grandes pavilhões multi-usos, de grandes loteamentos para edificação, uma política urbana que recupere um certo sentido de bairro, de pertença e de responsabilidade pelo local de residência, facilitando os afazeres quotidianos e proporcionando pequenos prazeres (como a sombra duma árvore ou uma rua limpa e animada).

E regressando ao tema do parágrafo inicial: mais projectos “pequenos”, geradores de emprego e “cash-flows” (será que estou a falar bem?), de impacto local, em vez de mais projectos megalómanos, não será um assunto suficientemente interessante para debater?

Num ano em que se conjugam as eleições para o parlamento e para as autarquias, que bom seria sermos capazes de fazer o duplo exercício de pensar globalmente, agir localmente.

Todd Davidson

Todos estão loucos, neste mundo?

Porque a cabeça da gente é uma só, e as coisas que há e que estão para haver são demais de muitas, muito maiores diferentes, e a gente tem de necessitar de aumentar a cabeça, para o total.(in Grande Sertão: Veredas)

to be sure

So when we speak of Europe, it is not the particular Brussels institutions we are talking about here.

It is the totality, across still diverse European nations, of a legal, political and economic system, a form of society, an ethos, a commitment, which put individual human dignity and freedom first, last, and in the centre.

(Timothy Garton Ash in The Guardian)

"Each of those three exceptionally gifted boys could so easily have been killed, thrown on the pyre of Europe's crazed self-destruction, as many of their friends and relatives were. Each went on to live a long, full life, and to create work of enduring value. Each contributed, with brilliance, clarity, courage and humour, to the free Europe we live in today."

"Each of those three exceptionally gifted boys could so easily have been killed, thrown on the pyre of Europe's crazed self-destruction, as many of their friends and relatives were. Each went on to live a long, full life, and to create work of enduring value. Each contributed, with brilliance, clarity, courage and humour, to the free Europe we live in today."

verão morrinhento

de Christopher Zacharow

Dias de Verão cinzentos, frescos-quasifrios, com alguma chuva fina, são como noites em casa sem televisão, fins-de-semana em lugar ermo, computador sem internet, telemóvel sem rede. Como se, de repente, tivessemos de nos confrontar com a terrível questão: que vou fazer da minha vida?

Os Antigos, coitados, como faziam? Os mais priviligiados também recorriam às tecnologias da época, como o livro. Veja-se a srª.Bovary, por exemplo. Mas sendo sofisticados, faziam malas e iam conhecer mundo civilizado ou para lá das fronteiras da civilização, que tanto podia ser Paris como uma quinta perdida nas margens do Douro.

Ou desconheciam o “lazer” e levavam uma vida de canseiras, sem se confundirem com aquelas criaturas dos dias de hoje que abominam as férias enquanto “tempo livre” e são viciados no trabalho.

Sem recurso às muletas que amparam o vazio e a ausência de paixão, seria tentador cultivar prazeres íntimos, partilhar interesses por coisas singelas, mas nada disso surge assim de repente. Criatividade, sensibilidade, afectividade, diálogo, introspeção, curiosidade, desejo…estranho como exigem prática, dedicação, gosto. E um grãozinho de loucura pessoal e transmissível.

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