novidades e outras coisas

Archive for Julho, 2013

Côa, Douro, Tua, Sabor, Salamanca, Régua, Porto

Do que resta da estação ferroviária do Côa não dá para imaginar que esta foi uma das portas de acesso ao Vale do Côa. Gravuras rupestres, Museu do Côa, Região Demarcada do Douro…alguém falou em património mundial?!

Estação do Côa

Estação do Côa

A segunda foto é da ponte ferroviária da (desactivada e arruinada…mas perfeitamente recuperável) Linha do Douro na foz do rio Côa: no canto superior direito, no cimo do monte, está lá o Museu do Côa, quase imperceptível por ser intenção dos seus arquitectos salvaguardar a paisagem.

Foz do Côa

Foz do Côa

A linha do Douro foi concluída nos últimos dias de 1887, doze anos após o seu início, tendo uma extensão de 200 km. Porém, cento e um anos depois foi amputado o troço entre o Pocinho e Barca D’Alva (quase 30 km), e quatro anos depois do encerramento da ligação internacional de Barca D’Alva a Salamanca (à volta de 70 km).

IMG00938-20130720-1519

Vista para o Pocinho, ponte rodoviária que liga Torre de Moncorvo a Vila Nova de Foz Côa e barragem hidroeléctrica do Pocinho.

Naturalmente, todos estes encerramentos sucessivos tiveram razões de ordem económica. O que quer dizer: falta de rentabilidade da linha.

Pode ser, mas se observarmos o mapa vemos ao longo duma linha ferroviária com menos de 300 km, cidades como o Porto e Salamanca (nos extremos), localidades centrais do Alto Douro como a Régua e o Pinhão, o vale do Côa com sua extraordinária paisagem, o inestimável tesouro arqueológico, o museu. Ou seja, na 2ª década do sec.XXI parece-me evidente que a rentabilidade da reabertura dos troços Pocinho-Barca D’Alva e Barca D’Alva-Salamanca pode ser obtida através do turismo e, por sua vez, sua reabertura irá ter um efeito dinamizador de toda a região.

Região que na verdade são várias e distintas regiões. Podia referir a proximidade das Arribas do Douro, a região de Lamego e Tarouca, os vales de rios como o Paiva, o Águeda ou o Tâmega.

Também podia simplificar, dizendo que o percurso de Porto-Barca D’Alva  é, provavelmente, o circuito mais extraordinário que Portugal tem para oferecer ao turista apreciador de arqueologia, história, gastronomia, vinhos, natureza, arquitectura, tranquilidade e beleza.

Circuito que pode fazer de barco, de carro, de comboio. Os mais endinheirados até têm a opção do helicóptero. Melhor ainda podendo combinar os diferentes meios de transporte. E ainda caminhar pelo próprio pé por montes e vales.

E que seria um bónus poder prosseguir viagem até terminar numa cidade tão especial quanto Salamanca. Depois de ter conhecido o Porto. Numa viagem que pode demorar um dia, como toda a vida.

IMG00926-20130720-1355

Só não digo por vergonha, porque tenho de omitir os vales dos rios Sabor e Tua, ambos bem representativos da beleza, fascínio e peculiaridade da grandiosa bacia hidrográfica do Douro (a maior da Península Ibérica).

A omissão deve-se ao facto de, neste preciso momento em que escrevo e tu, caro(a) Leitor(a), lês, esses mesmos vales estarem a ser arruinados pela construção de duas inúteis barragens hidroeléctricas. Inúteis é exagero, afinal alguém está a ganhar com isso, certamente.

Mas não a região, não o país. Já agora, nem o Mundo.

Anúncios

“¿Por qué odio las fiestas populares?”

Aranda del Duero, uma cidade vizinha de Pamplona, nunca alcançou o mesmo grau de sucesso com a sua largada anual de abelhas assassinas.

Aranda del Duero, uma cidade vizinha de Pamplona, nunca alcançou o mesmo grau de sucesso com a sua corrida anual de abelhas assassinas.

Cuando los poderes perseguían, restringían, oprimían, internaban o ejecutaban, las fiestas populares eran un paréntesis de alivio en el que se consentían algunos excesos, un tiempo breve en el que hacer manifiestas la alegría vecinal o la furia, la risa satírica y el poder corrosivo de los menesterosos.

En teoría, el único precepto que se seguía en una manifestación reglada por ritos era éste: fuera normas… ¿Qué es lo que sucede hoy, en nuestros tiempos permisivos e hipermodernos?

En muchos casos, las fiestas populares se han convertido en la excusa para que el exceso injustificado se exprese, para que algunos brutos se manifiesten rompiendo materialmente lo propio y lo ajeno, para que algunos se entreguen a un libramiento destructivo con desenfreno impenitente.

Por supuesto, en las fiestas siempre estuvo ese sentido de brutalidad: eran incluso bestiales, pues el vandalismo es una forma de expresar lo reprimido, lo que necesita escape o paliativo.

Sin embargo, en la sociedad permisiva y democrática de nuestros días, el vandalismo no es necesariamente la manifestación de los humildes: muy frecuentemente es la licencia que se da el individuo bronco y ordinario.

(Justo Serna in El País)

Da inteligência das galinhas

Sem ironia e sem qualquer juízo depreciativo, um dos aspectos mais extraordinários e fascinantes da espécie humana é a estupidez. Digo isto e acrescento, desde já, que me incluo na dita espécie, partilhando a tal extraordinária e fascinante qualidade.

Tal como dizia um francês metódico e cartesiano, também me parece que o bom senso é a coisa mais bem distribuída no mundo, ainda que sujeito a variações bruscas e catastróficas.

Ainda esta semana li uma entrevista com Jane Goodall em que ela confessava o seu desapontamento ao reconhecer nos chimpanzés os mesmos comportamentos agressivos e cruéis  que conhece no macaco humano.

É um ovo quadrado dentro dum buraco quadrado, seu idiota.

É um ovo quadrado dentro dum buraco quadrado, seu idiota.

Curiosamente, num artigo publicado recentemente, uma investigadora da Universidade de Bristol, Christine Nicol, afirma que os pintainhos nascem com uma precoce competência numérica, incluindo noções de física e, particularmente, engenharia estrutural (seja lá o que isso for). O que me faz reflectir profundamente sobre o sentido deste mamífero destituído de qualquer competência matemática (que sou eu) ter acabado de almoçar um frango estufado com batata.

391841_311261818883882_179063062103759_1295515_1246462427_n

…e queremos agradecer à evolução por mudar lentamente algumas espécies de dinossauro numa bola de carne com pernas e com uma pequena cabeça.

Ora, o que me motiva este post tem a ver com a milionésima vez que leio no Facebook um aviso urgente, com apelo cívico à sua divulgação maciça pela rede, a anunciar mais uma malfeitoria da entidade que se esconde por detrás da sigla Facebook.

A que li hoje não varia muito do habitual: se o usuário não afixar o texto que está a ler na sua Cronologia, o Facebook irá cobrar-lhe não sei quanto por dia/mês (um balúrdio de dólares, mesmo quando convertidos em euros), apropriando-se dos direitos de autor de tudo quanto o usuário publicou, além de apropriar-se de todos os dados pessoais do usuário.

O mais assustador nem é isso. Dum modo muito geral, tudo o que se publica na net (facebook incluido) passa a património mundial automaticamente (veja-se o que se passa com os downloads ilegais de filmes, músicas e livros) e a entrega dos dados pessoais de todos nós, intrépidos navegantes e surfistas, são a contrapartida para usufruirmos de todos aqueles serviços gratuitos com que já não saberíamos viver se os perdêssemos e, pior ainda, para os quais não teríamos dinheiro para pagar se a isso formos obrigados.

A esse respeito, incomoda-me mais que os governos da China, do Irão, dos Estados Unidos ou da Rússia, ou de qualquer outro país aliás, tenham acesso a esses dados directamente ou via google, facebook, microsoft, etc.

O que me assusta mesmo é ler nos tais avisos publicados em páginas do Facebook por usuários de espírito cívico, rebelde e bem informado, é que, a partir das tantas horas de tal dia (geralmente o próprio dia ou o seguinte), “os fiscais do Facebook” começarão a visitar todas as páginas para listar as que não tiverem publicado o tal texto em que o usuário não autoriza tal e tal coisa por parte do Facebook.

É a partir daqui que a inteligência superior das galinhas me dá um nó no estômago.

-Qual é o teu Q.I.? -Esses testes são muito imperfeitos -Uau, é assim tão baixo, eh?

-Qual é o teu Q.I.?
-Esses testes são muito imperfeitos
-Uau, é assim tão baixo, eh?

Abaixo leia-se a reprodução dum desses avisos:

NÃO AUTORIZO COBRANÇAS POR PARTE DO FACEBOOK, DIRETA OU INDIRETAMENTE.
FALTAM 12 HORAS PRAZO FINAL, ACABOU DE SAIR NA MÍDIA, EXTRA OFICIAL, passou no Splash (domingo passado) e no Programa da Querida Julia na quinta-feira, no Jornal Nacional e na terça-feira, na RFM na segunda-feira, no Jornal da Noite, no sábado passado no Gosto Disto e no Corean On Line, Daqui a 30 horas os fiscais do Face darão início a busca seletiva avançada a procura desse aviso no seu mural, tal qual está escrito aqui, e então o facebook e todos os serviços continuarão a ser gratuitos e sem o envio de dados ao governo americano. Do contrário, os dados continuarão a ser pesquisados pelo governo americano, as fotos serão visíveis por todos e seu nome irá para lista de inadimplentes com inclusão no SCP – CPT – SERAZA – OLGIZ – BANK CITY – BOBONIS E TROLINS (conforme lei 3102/07-06, recentemente aprovada pela Constituição da Republica). Caso não tenha esse aviso copiado, colado e registrado em arquivo word no seu computador com um print screen de tela, os agentes do face ligarão a cobrar, uma ligação internacional de 30 minutos, cobrando a taxa de 5,99 E (convertidos a moeda corrente do país pouco mais de 10,00 E por dia mais juros) por semana debitado diretamente na conta telefônica no seu ponto de acesso wi-fi internet segura – Não esqueça de colar isso no seu mural e você estará livre da cobrança e livre de ser taxado de bobo mais uma vez, dentre outros inconvenientes. Caso contrário, em trinta dias suas publicações tornar-se-ão públicas propriedade na privada, suas mensagens e fotos,
EU NÃO AUTORIZO!!!

“…os livros me fazem e desfazem”

Quando se lê muito, e eu fui feito pela leitura e não pelo estudo – porque nunca verdadeiramente estudei no sentido escolar do termo, e não “fazia os trabalhos de casa” -, aprende-se e forma-se. Aliás, este é o cerne da educação no sentido clássico, hoje tão esquecido, o de aprender para se fazer.
 
 
O livro de Werner Jaeger sobre a paideia grega era então de leitura obrigatória para qualquer aprendiz de filosofia, e explicava bem essa parte “passiva”, interior, aberta às influências e às seduções, quer do pathos, quer doethos, quer do logos.
 
 
Essa formação “passiva”, a que nos faz, é, pela sua natureza, caótica, depende do “monstro”, que alimentamos à força dos livros, e do modo como eles atingem a vida que se tem. Mas uma vez feita, fica lá para sempre. “Passiva”, aqui nada tem de negativo, mas de silêncio interior perturbado apenas pelo som da nossa voz íntima falando connosco próprios.
 
 
Freud sabia o que isso era, Proust também e, lá longe, na sua fantasmática Konigsberg, Kant procurava-a como alicerce para essa “razão prática” que fundamentava tudo. 
 
Depois, a uma dada altura, dá-se a volta, e a enorme presunção adâmica que os intelectuais têm fá-los escrever. Escrever, nos anos sessenta, por esta ordem: poemas, “teoria” e romances.
 
 
Hoje, a ordem está alterada: os poemas estão lá, mas com menos peso, depois ficam as escritas fáceis (e quase sempre débeis) dos blogues e Facebook, e depois romances, romances, romances. Esta ordem das coisas é para mim um mistério, como é que uma pessoa de juízo normal pensa que os pode escrever com facilidade.” (JPP in Abrupto)
935884_343701612424770_1283075027_n

Croácia

A entrada dum novo membro para a Comunidade Europeia (CE) é sempre uma boa notícia, principalmente num período em que a CE sofre a maior crise de sempre.

A Croácia, curiosamente, já pertenceu a uma outra comunidade e dela saiu para entrar numa guerra de extrema crueldade contra outros membros dessa mesma comunidade.

Na altura, a CE podia ter tido um efeito moderador, mas falhou de modo escandaloso. Que a Croácia, a Sérvia e outros ex-membros da ex- Iugoslávia tenham aprendido alguma coisa com a sua experiência nos últimos 100 anos pode parecer evidente, mas nada é mais incerto. Porque a Europa da CE parece ter desaprendido aquilo que esteve na base da sua criação.

O “sonho europeu” pode ser um sonho, realmente, mas também é uma necessidade que a geopolítica colocará sempre na ordem-do-dia. Afinal, para o ano a Europa irá celebrar o centenário duma triste efeméride: uma das maiores guerras civis europeias, mas nem a maior, nem a mais recente.

A chegada da Croácia à CE este ano e da Sérvia, em breve (espero eu…), são boas notícias.

6a00d8341bfb1653ef0168e654ac4b970c-550wi

 

 

Nuvem de etiquetas

%d bloggers like this: