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Posts tagged ‘urbanismo’

a importância de andar com os pés bem assentes sobre rodas

Em tempos muito remotos, no início dos anos 80 do sec. XX, recordo como a bicicleta era coisa de desportista de estrada (mesmo na versão dos sexagenários tesos, que todos os fins-de-semana pedalavam perto duma centena de quilómetros pelo prazer de dar ao pedal) ou veículo da classe operária nas famosas pasteleiras, fabricadas algures no distrito de Aveiro.

Andar de bicicleta no Porto? Impossível, diria qualquer pessoa bem informada/bem formada.

Mesmo assim, alguns malucos iam para a Faculdade na bicla, havia um Departamento de Cicloturismo num grupo ecológico, faziam-se uns passeios para divulgar “a causa”, tudo actividades efémeras, marcadas ainda por um espírito “soixante-huitard”, nas vésperas dos gloriosos anos do Cavaquismo e do novo sonho português (betão-alcatrão-carrão).

Assim, para um velhinho desses tempos, não lhe é indiferente quando lê uma coisa como esta:

“Há décadas atrás, ainda a Internet não tinha chegado a Aldoar, o Velho Lau começou este blogue. Quer dizer, não foi assim há tanto tempo, mas parece.

A ideia, era ter um sítio que respondesse por si à pergunta que as pessoas me faziam permanentemente:

Porque carga de água andas de bicicleta na cidade?” (in Um pé no Porto e outro no Pedal)

Na verdade, a revolução dos hábitos urbanos não começa exclusivamente pelas nossas cabeças.

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urbanidade

Outra evidência é que o desenho do sistema viário urbano tem vindo a ser feito por engenheiros de trânsito que não sabem desenhar “ruas”, e pejam as cidades com “sistemas rodoviários”. Naturalmente que neste caso há um evidente conflito com os sistemas alternativos de transporte. 

 As nossas cidades deixaram de ter ruas e passaram a ter rodovias. A introdução de transportes alternativos sejam eles quais forem tem de ser feito pelo princípio de urbanidade, isto é pela convivência e não pela exclusão. (Alexandre Burmester in A Baixa do Porto)

valha-nos S.Apolónia!

…e depois vai de se desactivar o canal ferroviário de Santa Apolónia só porque assim se libertam terrenos – para mais construção claro – e sanear as finanças da Refer. Saneam-se as finanças, urbaniza-se mais e borrifa-se na qualidade e na eficiência dos transportes públicos. Genial, meu caro Costa! (in Estrago da Nação)

AALX001507 - Saint Apollonia by Andy Warhol

velho mercado dos produtos frescos

(…) Ora, este duplo desaparecimento – dos mercados nas cidades e dos produtores em seu redor – é um incentivo criminoso ao abandono dos campos. E se, por maldade ou incúria dos homens – como acontecerá se o Bolhão for destruído – se quebrarem os elos duma cadeia vital, os resistentes de hoje serão os desistentes de amanhã e o que é, ainda hoje, espaço natural, produtivo e saudável, será amanhã… mais cidade!

Esta política surda mas consentida chama-se “desertificação” porque expulsa os camponeses para a cidade e os cidadãos da cidade para as catacumbas das “grandes superfícies”, quase sempre insaciáveis gastadores de energia e, não raro, indecorosos poluidores e predadores de recursos mas com perigosas cores a vesti-los. (Manuel C. Fernandes in JN)

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