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favela de rico e lixo urbano

Este estudo da Universidade do Minho sobre  a “favela dos ricos” em Braga (e a alargar-se a outras “favelas ricas” de Guimarães e Viana) lança vários alertas curiosos: destroi-se uma zona verde (matas, antigas quintas), mantém-se o traçado dos antigos caminhos rurais (!), pavimentam-se linhas d’água, e o aumento da densidade da construção acaba por pôr em causa a expectativa inicial gerada pela urbanização de luxo.

de A. Quendray

 

 

Numa primeira fase, tipicamente, os lotes de construção permitem que o proprietário “desenhe” a casa a seu gosto “subjugados à imagem e não à eficiência“; nas fases seguintes, chegam os lotes para construção em banda (as casas dos menos “ricos”) que se atravessam à frente dos primeiros moradores. A urbanização leva anos a construir-se, transformando o prometido paraíso ao alcance de poucos num enorme estaleiro.

Ainda se, ao menos, fosse dando origem a uma rede social: “Onde cabe, constrói-se. Tudo isto vai gerar níveis de conflitualidade, tornando-se até repulsivo para os que lá moram” (Miguel Bandeira), “Não há relações de vizinhança, nem sentido de comunidade. Devido ao capital escolar dos moradores, 80% dos quais são licenciados, podia haver um certo rendimento para a freguesia, mas não se verifica” (Carlos Veiga). E, certamente, sem serviços, escolas e equipamentos sociais na zona, a favela já nem é refúgio relaxante do fim-de-dia, fim-de-semana. Reduz-se a dormitório e formigueiro humano.

É interessante observar a constância destes fenómenos, sejam “favelas para ricos”, sejam “condomínios para remediados”, ao longo de décadas, apesar dos sábios avisos (do Arq.º Ribeiro Teles, como exemplo maior) e das evidentes realidades (“aldeamentos” no Algarve, o projecto imobiliário da Expo, o Grande Porto). Os suspeitos do costume: administração central, autarquia, promotores imobiliários… e a cultura social de todos nós. Não admira que a “culpa” morra solteira.

Os mesmos suspeitos que, como de costume, estão indiciados neste “apelo a uma cidadania responsável para um futuro sustentável”. Na verdade, os “10 mandamentos”  atiram com a responsabilidade toda para cima dos cidadãos, mas esse é o reflexo natural duma entidade intermunicipal, regida pelas autarquias. Podia, é certo, apontar responsabilidades à Administração Central (vulgo Estado). Ou olhar para as próprias práticas da Administração Local (vulgo Câmara Municipal), mas prefere apontar o dedo ao anónimo e provocar em cada um de nós a angústia da responsabilidade e a neurose da culpa.

E, a bem dizer…os “10 mandamentos” fazem todo o sentido, mais a mais na época de crise que vivemos (a mundial e de agora, não a nossa e de sempre). Até acrescento: os (as) senhoritos (as) que levam o cãozinho urbano a fazer as necessidades nos canteiros, jardins, passeios ou onde calha; os “limpinhos” que se apressam a esvaziar o lixo de casa largando-o na rua sem preocupação de acondicionamento; os “distraídos” que jogam cartão e plástico e vidro nos contentores de lixo apesar de haver recipientes para reciclagem por perto. Mentalidades, dir-se-á. Cultura, também.

a mancha directa

A oposição entre o traço e a sombra, a metodologia duma investigação, a polémica sobre a possibilidade dum olhar sem ideias feitas. Coisas que aprendo com o irmão caçula.

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