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“Internet es una cosa y su contraria”

Em entrevista recente, Umberto Eco diz que “Internet es como la vida, donde te encuentras personas inteligentísimas y cretinas. En Internet está todo el saber, pero también todo su contrario, y esta es la tragedia.

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Ou seja, uma tragédia banal e previsível: quanto mais se alarga o universo dos nossos relacionamentos, contactos, fontes de desinformação, espaços de debate, etc, mais facilmente nos deparamos com o maravilhoso e o mesquinho. Porém, há uma ou outra lei da Física que explica haver maior probabilidade estatística para encontrarmos esta última categoria, em vez da primeira (life sucks, terá dito já algum filósofo).

A internet veio aumentar (vertiginosamente) o número de interacções possíveis para o ser humano comum. Que diferença para aqueles bem informados cidadãos ao longo do sec.XIX, correspondendo-se com dezenas, às vezes centenas, de outros indivíduos por todo o mundo, através de papel de carta e dos serviços de correio da altura (a pé, a cavalo, de barco), lendo jornais e revistas que os punham a par das últimas novidades com um atraso somente de dias, semanas, talvez meses, e partilhando entre si um imenso acervo bibliográfico que as enciclopédias (em papel, também) tornaram ainda mais fácil de aceder e consultar!

Porém, sentido crítico, bom senso, curiosidade intelectual e abertura de espírito nunca deixaram de ser ferramentas básicas para o uso e abuso destes recursos, sejam analógicos, sejam digitais.

Infelizmente, são ferramentas que não vêm com o software básico.

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a bem ou a mal

A propósito dum livro recentemente publicado, parece ter-se levantado uma polémica “literária” sobre a abordagem do “Mal”. É interessante como pode ser expresso o critério proposto para a “evocação” do dito cujo: Cuando se evoca el mal, es necesario enfrentarlo al bien, para que sirva de contraste. La reconstrucción del mal sin condena, sin héroes positivos, adquiere una apariencia de voyeurismo amoral. (Lucetta Scaraffia citada in el país)

Supunha que a arte europeia já tinha esgotado o tema ainda no sec.XIX. Que os americanos mantém a dialéctica dos bons e dos maus é um facto que posso observar na esmagadora das séries de televisão ou dos filmes de Hollywood, mas até há uma década atrás iludia-me com a expectativa de que, um dia, também haveriam de crescer. Com a presidência de Bush jr. e o Tea Party já percebi que não. E, entretanto, a Europa parece regressar progressivamente aos velhos demónios da sua infância.

Culpa das nossa herança grega? Pouco provável, ou não tivessem os antigos gregos escritos tragédias. Da cultura judaico-cristã? Ainda menos, como se pode ver por esta pérola do “voyeurismo amoral”:

Ora, um dia em que os filhos de Deus se apresentaram diante do Senhor, Satanás apareceu também no meio deles na presença do Senhor.

O Senhor disse-lhe: De onde vens tu? Andei dando volta pelo mundo, respondeu Satanás, e passeando por ele

O Senhor disse-lhe: Notaste o meu servo Jó? Não há ninguém igual a ele na terra, íntegro, reto, temente a Deus e afastado do mal. Persevera sempre em sua integridade; foi em vão que me incitaste a perdê-lo.

Pele por pele!, respondeu Satanás. O homem dá tudo o que tem para salvar a própria vida.

Mas estende a tua mão, toca-lhe nos ossos, na carne; juro que te renegará em tua face.

O Senhor disse a Satanás: Pois bem, ele está em teu poder, poupa-lhe apenas a vida.

Satanás retirou-se da presença do Senhor e feriu Jó com uma lepra maligna, desde a planta dos pés até o alto da cabeça. ( in a Bíblia)

Não há nada como reler os velhos clássicos…

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