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ninguém é perfeito, afinal

Na derradeira década do passado milénio o Japão ainda tinha intacta a fama de grande potência económica e os Estados Unidos temiam ser dominados pelos gigantes industriais nipónicos. A isso acrescia o duvidoso prestígio da disciplina, rigor e método em todas as áreas e em todos os passos de execução de tarefas.

Na Europa do início do actual milénio, a Alemanha partilha do mesmo prestígio. Ou partilhava. Como se pode ver pelo modo obtuso como impõe austeridade aos seus devedores, arriscando a leva-los ao incumprimento dos pagamentos. Bem sei, pode-se alegar a severa ética protestante, a disciplina prussiana, o rigor do país que inventou a burocracia e desenvolveu o pensamento lógico.

Outro mito, afinal: perante a catástrofe nuclear, o Japão revela a mesma negligência, a mesma parcimónia de administração da verdade, que o mais comum dos países do terceiro mundo; perante a ameaça mortal da bactéria, a Alemanha exibe o reflexo histérico de arranjar bodes expiatórios, a ponto de ter de ser travada pelas instâncias comunitárias, como qualquer país da Europa dos PIGS.

É a crise, afinal.

pão-de-ló e amêndoas amargas

Bem sei que é páscoa e tal, o futebol está bem e recomenda-se, mas a alta política impõe-se. A saber: no congresso em Matosinhos, o PS assume que a política do chefe é a opção assumida dos militantesos escolhos as escolhas políticas de Passos Coelho retratam a maturidade e a reflexão da alternativa, o desinteresse assumido do PCP e do BE em enfrentar a crise está ao nível dos dois partidos anteriores. Aparentemente, o PP está seguro de que depois de 5 de Junho alguém terá de lhe telefonar a pedir qualquer coisa, et pour cause, está sereno e não se compromete.

Posto tudo isto, que interessa o resto pelo mundo fora?

Ou, para ser mais mesquinho, de que vale pensar no que se deve pode fazer para resolver aqueles pequenos problemas do dia-a-dia?

Como se pode ler abaixo, por exemplo:

Quais são os mitos e os erros da política económica em Portugal?

  • O Grande
  • O Concentrado, numa Região, em poucas pessoas
  • As cidades criativas
  • O Ganho das Economias de Escala, em se pretender tudo fazer de uma só vez
  • A Internacionalização, descurando o mercado interno
  • Os Resultados rápidos, por uma exigência das Bolsas, de 3 em 3 meses
  • Os Oligopólios nos bens não transaccionáveis: energia, telecomunicações, estradas, saúde

O que fazer? O contrário.

  • As micro e PME’s
  • A Regionalização
  • O regresso ao interior, para o qual as linhas ferroviárias regionais são essenciais
  • As obras públicas repartidas por pequenas adjudicações que fomentem a eficiência pela concorrência e a baixa dos preços e não pelo monopólio de grandes obras em que só alguns conseguem concorrer
  • O mercado ibérico, a Euroregião Galiza – Norte de Portugal – Castela e Leão
  • O capital paciente e os resultados uma vez por ano
  • A concorrência nos bens não transaccionáveis
(José Ferraz Alves in A Baixa do Porto)
Entretanto, o país folga mais um pouco.

triste fado

O enredo parece ser recorrente em Portugal: o Estado gasta demais e mal, sobrecarrega os contribuintes, continua a gastar demais e mal e volta a sobrecarregar, etc e tal… . De tanto em tanto tempo surge um balão de oxigénio, uma miragem, reais oportunidades (que se perdem mais adiante). E governantes autoritários, “esclarecidos”, que impõe uma qualquer disciplina de contenção, a sucederem a uma série de outros que “nada fazem” ou “deixam fazer tudo”, para depois serem sucedidos pela continuação da mesmíssima série. 

Culpamo-nos todos uns aos outros: aos portugueses por sermos como somos, à Igreja e à Inquisição, às Descobertas e aos velhos do Restelo, a Castela e a Espanha, à pérfida Inglaterra e à Comunidade Europeia, aos patrões e aos sindicatos, aos produtos chineses e aos imigrantes, à Monarquia e à República, aos 48 anos de fascismo e ao 25 de Abril, às reformas por fazer na Educação-Saúde-Justiça e à legislação feita a torto e a direito, à chuva de Inverno e à seca do Verão. 

Dos discursos dos vencidos da vida aos anúncios das novas oportunidades, uma doença bipolar parece afectar os ciclos do país. Ora, num mundo crescentemente multipolar e numa comunidade europeia tendencialmente amorfa, com a economia ferida duma crise estrutural e de longa duração, alguma coisa se pode fazer sempre e para melhor mas na condição dum balanço realista e de aceitar que muita coisa tem de mudar para pior agora. 

Muitos dos que enchem a boca com lições e pregões sobre “ganhos de produtividade”, “aumento de eficiência”, “investigação&desenvolvimento”, “fazer melhor leis”, “cortar ao despesismo”, e outras grandes ideias, são gente que trabalha na política, nas finanças, na justiça, no ensino, mas nem por isso lhes merece a pena explicar a discrepância entre o que fazem, o que falam e o que acontece. 

Noutros tempos, este seria o cenário ideal para o Homem-Providencial. Felizmente, vivemos num canto do universo (a Europa Comunitária) onde outras soluções podem aparecer sem se colocar em perigo os ganhos civilizacionais das últimas décadas: a sociedade democrática com liberdade de expressão, direito à oposição e gestão pacífica dos conflitos. 

Como bom português, direi: aguardemos, então!

o que vale é que amanhã há futebol!

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Quando leio sobre a ascensão e (rápida) queda de civilizações (ou sistemas políticos), parece que um factor comum a todas as ascenções-quedas está no gasto irracional de recursos, nos investimentos massivos sem sustentação económica, ambiental, etc e tal. Tipo obras faraónicas, convento de Mafra, arsenais atómicos.

Fica-me a dúvida se as pessoas que viveram um período assim tiveram consciência do que se ia passar. A dúvida posso até restringi-la às elites dirigentes para simplificar a resposta: não se deram conta do processo? Eram tão limitados os seus conhecimentos que não conseguiam projectar no médio, longo prazo, as consequências?

Creio que sabiam bem o que se iria passar, mas julgavam poder recorrer a um expediente clássico: a predação de novos territórios. Talvez os Maias acreditassem nisso. Os Europeus modernos praticaram-no à escala mundial, e o seu último império (o soviético) conseguiu chegar até à última década do sec.XX. Ou, em alternativa mais prosaica, aumentavam os impostos à população e desviavam atenções para um inimigo imaginário e temível. Até ao dia em que todos acordaram e descobriram que o Império Romano tinha ruído.

As “elites” podem sacrificar o longo prazo para se garantirem no curto, na boa lógica de “quem vier no fim que limpe a porcaria toda” . E se os restantes estivermos demasiado preocupados com os casos do dia, o futuro ficará realmente muito, muito curto…

 

eleições e bocejos

E pensar que houve e continua a haver quem dê a vida ou arrisque a liberdade pelo direito ao voto...

E pensar que houve e continua a haver quem dê a vida ou arrisque a liberdade pelo direito ao voto...

Porque tem de ser um frete especial participar num acto eleitoral genuinamente democrático? E porque é que os assuntos “europeus” nos são tão distantes e indiferentes (apesar de abalarem fortemente o nosso dia-a-dia e determinarem, para o melhor e o pior, o nosso futuro)?

Talvez fosse diferente se as “famílias políticas” representadas no Parlamento Europeu fizessem campanha “regional” pelos diversos países e através dos seus membros “locais”. Aí podiam defender um programa à escala europeia (do mesmo modo como faz um partido nacional nas legislativas).

Surgiriam, inevitavelmente, as “grandes questões” e a abordagem ultrapassaria as temáticas nacionais (embora seja duvidoso elencar os “grandes” temas da campanha europeia em Portugal como temas nacionais, quanto mais europeus…).

Os representantes eleitos teriam, a meu ver, maior eficácia e responsabilidade. Assim como o eleitorado.

Havia um slogan “anarca”, em tempos que já lá vão, que argumentava que “se o voto é uma arma, não votes” (porque ficarias desarmado, suponho). Uma arma não é certamente, mas é triste a nossa cultura política obrigar a relembrar constantemente a importância das eleições  livres e universais para os órgãos de soberania.

E uma coisa é certa: não basta votar em liberdade para que o exercício da cidadania tenha valor e eficácia. Mas isso é com cada qual (e com todos nós). Complicada coisa a Política. Em liberdade, bem entendido.

“Look harder still:”

For that matter, the bad debts accumulated by British financial institutions alone far exceed, by many tens of billions, the governmental debt of Poland and the Czech Republic, two countries that have had no domestic banking failures to speak of. (Anne Applebaum)

“the critical question”

“The critical question now is whether the West is prepared to behave like the West, to speak with one voice and create a common transatlantic policy.

 In recent years, Russia has preferred to deal with Western countries and their leaders one by one. Just last week, an affiliate of Gazprom, the Russian state-dominated gas company, added a former Finnish prime minister to its payroll — which already includes former German chancellor Gerhard Schroeder” (Anne Applebaum)

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