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um murro no estômago

Timor não é um Estado falhado. É pior. Falhou o projecto nacional idealizado há uma década

Timor é um país rico atolado na indigência, onde os líderes se insultam por causa de orçamentos que ninguém tem sequer unhas para gastar

A “estabilidade” actual é comprada com um Natal todos os dias. Tudo é subsidiado, desde o arroz ao combustível, com uma chuva de benesses e compensações a um leque impensável de clientelas e capelas. A sociedade civil, digamos, é uma soma de grupos de pressão que recebem na mesma moeda em que ameaçam com incêndios e pedradas, desde os deslocados aos peticionários ou aos estudantes.

Perdidos da gramática e do vocabulário, uma geração de timorenses chegou à idade adulta e ao mercado de trabalho sem muitas vezes conhecer conceitos como a lei da gravidade, o fuso horário ou as formas geométricas, apenas para dar exemplos fáceis.

Tudo ainda não aconteceu“, avisava um “espírito” antepassado, pela voz de uma menina de Ermera, no Natal ainda inocente de 2005. (Pedro Rosa Mendes in Publico)

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timor

Apesar de tudo, que posso pensar do regime político dum Estado (Estado falhado, proto-Estado, o que se queira chamar…) onde é enterrado o responsável pela dupla tentativa de assassinato do primeiro-ministro e do presidente da república (democraticamente eleitos) num funeral que reúne milhares de pessoas em homenagem ao falecido (morto, recorde-se, durante uma das tentativas falhadas)? Isto a poucos dias depois dos acontecimentos e com o presidente ainda em estado crítico num hospital dum outro país.

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Em que o próprio primeiro-ministro, no dia seguinte após ter escapado à emboscada para o matarem, convoca uma conferência de imprensa no Palácio do Governo, ao lado do pai de quem organizou a conspiração, para os dois juntos apelarem à calma durante o funeral a realizar.

Do Estado Timorense concordo sobre suas insuficiências, mas do regime político creio que revela um sentido democrático, com respeito pela liberdade e pela pessoa humana, excepcional.

Onde mais se viu algo assim?

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