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“Oi, nos últimos dois anos, você me permitiu matar 70 mil pessoas”

O texto abaixo é a citação integral da “carta aberta” dum famoso estadista, ainda no activo, publicado no The Onion. Ao contrário de todos os outros, sua sinceridade é desarmante, mais ainda (muito mais mesmo!) a sua perplexidade. A tradução do original em inglês é da responsabilidade do Google com uma ajudinha minha.

Oi, nos últimos dois anos, você me permitiu matar 70 mil pessoas

por Bashar Al-Assad

“Olá. Meu nome é Bashar al-Assad. Eu sou o presidente da Síria, e nos últimos dois anos, você, o cidadão do mundo e seus governos permitiram-me matar 70.000 pessoas. Você leu correctamente  Eu sou um indivíduo que matou 70 mil seres humanos desde Março de 2011, e você assistiu isso acontecer e não fez nada.”

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quem avisa…

De facto, é em momentos confusos e terríveis, como estes em que vivemos, que mais precisamos ouvir vozes sábias, oportunas e cheias de perspicácia: Una persona honesta estará siempre contra cualquier injusticia que se cometa con cualquier pueblo del mundo, y la peor de ellas, en este instante, sería guardar silencio ante el crimen que la OTAN se prepara a cometer contra el pueblo libio. (Fidel de Castro in Granma)

O crime que alguém/algo se prepara a cometer!? Se fosse líbio, estaria cheio de medo.

Não sei o que é mais interessante, se apreciar as variações dos discursos de ditadores em queda livre, se as dos seus ex-aliados, ex-amigos, ex-parceiros, perante a exposição pública e notória daquilo que são (e que representam).

 

a maldição da múmia

Sem dúvida, o terror é sempre uma arma poderosa para dissuadir as pessoas de saírem à rua em protesto pacífico. E tem a vantagem de convencer os mais timoratos (no fundo, a esmagadora maioria de todos nós) de que antes até se estava melhor. Principalmente se o braço armado do Estado (não interessa se ao serviço do Povo se da Nação) reaparecer quando a violência já tiver destruído a espontaneidade e as ilusões: aí, a segurança e a paz voltarão a ser valores mais altos do que a liberdade e a mudança.

Pode ser que o vírus da liberdade seja contagioso, mas os anti-vírus também. Nunca damos valor suficiente ao benefício social da expressão de ideias contrárias ou, simplesmente, diferentes. Nós, os que vivemos em sociedades democráticas. Talvez não seja dos vírus, mas das bactérias.

 

estranha forma de vida

Há vidas extraordinárias pela lucidez como são relatadas e pela loucura de vivê-las. Com ironia e sentido de humor.

Mas o que terá sentido Carlos, o Chacal, na sua cela de alta segurança, ao ver que, no seu blogue, esse glorioso fórum da revolução mundial, o último post é um anúncio ao livro de Antonio Salas, O Palestiniano?

E que isso dê origem a processos judiciais bem estruturados que permitem levar à justiça redes de tráfico, de terrorismo, etc, é ainda mais admirável.

Tudo gravado em vídeo, porque Salas não dá um passo sem ligar a sua câmara oculta. “As coisas que tenho visto são de facto incríveis, e não me apetece ter de discutir com os idiotas que iriam sempre dizer que eu minto”, explica ele. “Aquilo que não gravei nem sequer escrevo”.

E traga também, no formato de livro, matéria para reflexão sobre a espécie humana…fico sem palavras.

Ter uma arma, montá-la e desmontá-la, provoca uma estranha sensação de poder. E se os teus chefes, ou uma pretensa ideologia, te dizem que a podes usar legitimamente, é irresistível. Tudo o resto são justificações e desculpas. O que custa é matar a primeira vez. ( in Público)

Para não deixar pedra sobre pedra

 Para saber mais, ler aqui.

Entretanto, deixo esta sugestão via Manuel A. Pina no JN O protesto está marcado para as 18 horas, no Largo Camões. Eu teria preferido a sugestão do leitor de um dos blogues que divulgaram a iniciativa: levar à embaixada do Irão um monte de pedras conformes ao artº 104º do Código Penal iraniano, isto é, “não tão grandes que matem à primeira nem tão pequenas que não mereçam a classificação de pedras”.

solidariedade

Em 2006, Ashtiani foi condenada por ter mantido “relações ilícitas” e recebeu 99 chibatadas. Desde então, esta mulher de 43 anos está na prisão, onde se retratou da confissão feita sob a coerção das chicotadas.Só recentemente é que ela foi levada ao tribunal e recebeu um novo julgamento. De novo ela foi condenada e, desta vez, apesar de já ter sofrido uma punição, foi sentenciada à morte por apedrejamento. Essa prática desumana envolve enrolar firmemente a mulher, da cabeça aos pés, com lençóis brancos, enterrá-la na areia até os ombros e golpeá-la à morte com pedras grandes.

Ontem, no final da tarde, o governo do Irã negou a informação de que Ashtiani seria executada por apedrejamento, embora sua sentença de morte ainda possa ser levada a cabo por outro método, provavelmente o enforcamento.” (in site para a libertação de Sakineh Ashtiani)

Ashtiani é somente mais uma vítima dum regime retrógado, cruel e cínico. Mas está viva e pode ser salva.
Sakineh Ashtiani encara a morte após ser torturada por um suposto adultério.

A pressão mediática e o número de assinaturas na Petição para a sua libertação tem tido um efeito dissuasor nestas situações. A Blogosfera tem um papel cívico a cumprir aqui, ao divulgar e promover as assinaturas.

crónica duma morte anunciada

Uma reportagem inédita num país sem novidades:

[Guillermo Fariñas] incluso, dice que no quiere irse para ninguna parte —pese a que le han hecho, según refiere— propuestas para llevarlo al extranjero. Sin embargo, afirma que no se va porque aquí está la gente que le ha salvado la vida. Él confía en nuestra medicina. (Armando Caballero, chefe dos Serviços de Terapia Intensiva do Hospital Universitario Arnaldo Milián Castro, onde Guillermo Fariñas prossegue a sua greve de fome há 120 dias in Granma)

 Alicia Hernández, a mãe de Fariñas, interpretou esta publicação sem precedentes na história do Granma como uma tentativa do Governo de “fugir às responsabilidades” face ao estado crítico a que chegou o opositor ao regime. (…) O artigo dizia que Fariñas se recusava a comer, mas não dizia o motivo pelo qual o fazia – exige a libertação de 26 dissidentes doentes. (in Publico, sublinhado meu)

Orlando Zapata Tamayo

A morte dum trabalhador pobre e, provavelmente, sem grande instrução académica, na luta pela liberdade no seu país, se já é motivo de notícia e pesar, é particularmente chocante quando decorre duma greve de fome que durou mais de oitenta dias. Não houve, ou tenho andado muito distraído, uma campanha de alerta para esta sua luta final. Em particular, sinto o amargo de quem não redigiu uma curta linha sequer a seu respeito.

Canalizador de origem muito humilde, Orlando Zapata era membro da organização de defesa dos direitos civis Directório Democrático cubana (ilegal) quando foi preso em 2003. Foi inicialmente apanhado na vaga de repressão contra a oposição em Março daquele ano, em que dezenas de pessoas foram acusadas de conspirar com os Estados Unidos para derrubar o regime de Havana e todas foram condenadas a penas pesadíssimas, que chegaram aos 28 anos de prisão.

Na altura, porém, Zapata não foi julgado no chamado processo do Grupo dos 75 – mas condenado a três anos de prisão por desacato e desobediência. Mas, devido à atitude de desafio que manteve, foi sendo constantemente condenado em novos crimes, somando um tempo de prisão que chegou a quase 30 anos. (in Público)

Sobre o regime ignóbil de Cuba e seus dirigentes, basta saber que o actual presidente atribui a morte aos Estados Unidos “por encorajar ese tipo de protestos” (in Público). (mais…)

o pós-11 de setembro

Em 8 penosos anos que balanço se pode fazer de tudo quanto se passou, do ponto de vista norte-americano?

A invasão do Afeganistão assemelha-se a um novo Viet-Nam, a invasão do Iraque redundou no reforço da influência iraniana, o aliado paquistanês é cada ano mais instável, o islamismo político mais retrógado reforçou a sua influência, os recursos militares americanos chegaram ao limite e os económicos já se esgotaram faz tempo. (mais…)

realpolitik ou simples amesquinhamento?

A libertação dum homem, por razões humanitárias motivadas pelo cancro que o irá brevemente matar, preso sob a acusação de ter participado no acto de terrorismo que vítimou quase três centenas de pessoas, é o típico caso polémico: vítimas (se as houvesse vivas) e familiares/amigos das vítimas (que são também outras vítimas), naturalmente não se conformam; as autoridades responsáveis sublinham o sentido moral da decisão; a opinião pública, especializada e outras dividem-se.

Para ser libertado, o homem teve de reconhecer a culpa que nunca assumira: típico ritual judicial para amenizar uma condenação, já que poupa tempo e dinheiro. Como o próprio reconhece, antes do diagnóstico da doença nada tinha a perder com o apuramento de toda a verdade. Agora, diz, sua memória será associada irrevogavelmente à autoria do crime que outros cometeram. Curiosamente, este é o tema central da famosa peça de Arthur Miller “The Crucible”, que culmina com a recusa dum acusado em admitir a culpa para se livrar da morte; e Miller estava a pensar nas vítimas do senador McCarthy. (mais…)

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