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Posts tagged ‘tempo’

onze de março

Há umas rubricas na blogosfera à volta do tema “o mundo é um lugar estranho” onde se expõem perplexidades sobre o “admirável mundo novo”, na maioria das vezes fenómenos que surgem no facebook, youtube  e similares. Fenómenos estranhos é certo, mas antigos e bem conhecidos.

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Concordo que há coisas que só acontecem porque vivemos num tempo em que o comum dos cidadãos pode utilizar ao seu critério recursos audiovisuais e divulgá-los num espaço aberto a centenas de milhões de internautas.

Mas o que está por detrás de todos esses fenómenos continuam a ser pessoas como as que sempre houve, pelo menos de há cem mil anos a esta parte. Não sei se isso é motivo de sossego, considerando o impacto que a tecnologia tem nas sociedades humanas: sermos essencialmente os mesmos, ao longo de milhares de gerações.

Atento aos sinais do tempo e procurando acompanhar o ciclo das estações do ano, e apesar de saber que a maioria abomina o Inverno e anseia pelos calor que está para chegar, devo confessar que me animam posts como este:

Este tem sido um Inverno duro no que se refere às condições meteorológicas. No Norte do país tem sido frequentes os nevões em áreas do Interior, assim como os ventos fortes. As fotografias em anexo revelam as dificuldades de mobilidade de raposas e lebres, ou a caída de árvores em trilhos que perturbam o Homem e animais.

É difícil acreditar que dentro de algumas semanas inicia-se a época de reprodução…”

Que é um modo de dizer: “apesar de tudo, a vida continua…” E, já se sabe, onde há vida…

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setembro

Neste final de Verão, assim a modos que xôxo, verifico que já no ano passado o Verão de 2010 não foi diferente. A bem dizer, no canto noroeste da Ibéria…porque por outras paragens a canção será outra.

Mas o tempo que faz e o tempo que temos, são só aspectos do Tempo que passa. Importante, mesmo, é ser a tempo.

“distintas visões de futuro”

(…) O fato é que se me perguntarem, como me têm perguntado, o por quê da permanência de Casa Grande & Senzala, ou mesmo de Sobrados & Mocambos, direi, sem exclusão de outros motivos, que entre eles prima a forma como foram escritos.

 Palavras bem escolhidas. Frases concatenadas, graça no discorrer dos temas, de tal modo que a vasta erudição do autor e a imensidade das notas e citações são como papel de embrulho chinês ou como as caixinhas que os japoneses usam para dar um quê de mistério encobrindo os delicados presentes que oferecem.

(…) Freyre achava que além de tomar em conta o passado e ver como ele se reproduzia ou se modificava no presente, as análises deveriam incluir as orientações e visões que os homens anteviam e como vislumbravam o futuro (…) há tempos co-existentes, tempos menos cronológicos do que psicológicos e que a inter-subjetividade é parte constitutiva da realidade. Esta tanto é dada como é imaginada pelos atores sociais.

Mais ainda, quando passa dessas considerações abstratas para a cronologia, procurou definir as épocas como sendo compostas por quatro gerações. Resumindo, diz nosso autor: “o tempo do relato literário e sociológico tipicamente brasileiro parece dever corresponder a situação mais complexa de entrelaçamento na consciência do brasileiro dos três tempos: o presente, o passado e o futuro.

(…) Faz-nos recordar também que não existe uma “realidade” dada. Nas sociedades, de certa maneira, tudo é processo, ora mais estável, ora se desfazendo, ora se refazendo, mas sempre guiado por distintas visões de futuro.” (Fernando Henrique Cardoso sobre Gilberto Freyre in Estadão)

” a mutação radical que ocorreu na nossa relação com o tempo”

Habituados que estamos, por um lado a viver como se a velocidade por si só desse sentido à vida e, por outro lado, a associar a aceleração com a intensidade, é cada vez mais comum reagirmos com ansiedade a qualquer vislumbre de lentidão e identificarmos a mais pequena desaceleração com uma assustadora ameaça de tédio.

Como se, quando finalmente há tempo, faltasse a paciência ? (M.M. Carrilho in DN)

2009 quasi 10

Este é o momento do ano em que me sinto estranho por haver tanta gente minha contemporânea vivendo seu dia-a-dia no futuro próximo.

"Group of People in Urban Scene" de Sandra Speidel

verão morrinhento

de Christopher Zacharow

Dias de Verão cinzentos, frescos-quasifrios, com alguma chuva fina, são como noites em casa sem televisão, fins-de-semana em lugar ermo, computador sem internet, telemóvel sem rede. Como se, de repente, tivessemos de nos confrontar com a terrível questão: que vou fazer da minha vida?

Os Antigos, coitados, como faziam? Os mais priviligiados também recorriam às tecnologias da época, como o livro. Veja-se a srª.Bovary, por exemplo. Mas sendo sofisticados, faziam malas e iam conhecer mundo civilizado ou para lá das fronteiras da civilização, que tanto podia ser Paris como uma quinta perdida nas margens do Douro.

Ou desconheciam o “lazer” e levavam uma vida de canseiras, sem se confundirem com aquelas criaturas dos dias de hoje que abominam as férias enquanto “tempo livre” e são viciados no trabalho.

Sem recurso às muletas que amparam o vazio e a ausência de paixão, seria tentador cultivar prazeres íntimos, partilhar interesses por coisas singelas, mas nada disso surge assim de repente. Criatividade, sensibilidade, afectividade, diálogo, introspeção, curiosidade, desejo…estranho como exigem prática, dedicação, gosto. E um grãozinho de loucura pessoal e transmissível.

chegada à Primavera

Quem anda pelos velhos caminhos tem encontros inesperados, mas já poucos são os que temem o lobo. Os dias escuros, frios e húmidos são convite ao recolhimento, à reflexão, à melancolia. Ou assim era dantes. Há saberes que convocam os cinco sentidos, há aproximações só possíveis depois dum distanciamento. E a vida é impulso.

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