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“Hablando de sexualidad como Dios manda…”

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Imagem a acompanhar a publicidade da “FORMACIÓN PARA JÓVENES: Curso SEXUALIDAD Y AFECTIVADAD PARA JÓVENES. HABLANDO DE SEXUALIDAD COMO DIOS MANDA…”

Confesso (e fica-me bem o acto de contrição): sou dum tempo em que não se ouvia falar destas coisas como aquela que acima se pode ler. Ainda bem que a Igreja Católica já fala do sexo, promove o falatório sobre sexo, forma os jovens sobre sexo, enfim…sinto-me abençoado por viver estes tempos!

Confesso, também, que pensei tratar-se duma brincadeira (una broma, vaya usted!), mas quando confirmei que estava na página da “Pastoral Universidad de Alcalá“, que é coisa mesmo da Igreja, bem…volto a olhar para a foto publicitária, releio o texto, e fico maravilhado: afinal, o sexo pode ser algo divertido. E depois duma sessão de 45 minutos de perguntas, sobe-se para a capela e assiste-se a uma missa com a mesma duração. É mesmo o que os “muchachones” estão a pedir! (mais…)

so much for Darwin… Sócrates e também o Papa

 

in deo gratia

Há anúncios que parecem deixar indiferentes a maioria das pessoas, ao contrário do que acontecia alguns (muito poucos, aliás) anos atrás. Água mole em pedra dura? Tolerância? Decandência dos costumes? Tabú? Pela minha parte, creio que o problema mesmo são os créditos do mensageiro.

Ainda há dias outro mensageiro disse umas coisas (As florestas tropicais merecem a nossa protecção, certamente, mas não menos a merece o homem como criatura, p.ex. ) e fez-se um zum-zum-zum a respeito da sua alegada equiparação das “ameaças” ao casamento heterosexual com a crise ecológica global que ameaça milhares de espécies animais. Se for o caso dele ter dito isso (ou isso querer dizer), não me preocuparia muito porque a Humanidade sempre se perpetuará nem que seja à custa dos chamados filhos “ilegítimos”, de pai “anónimo” ou, simplesmente, “naturais” ( e o que é natural é bom*).

Provavelmente, a eventual decadência dos costumes e a minha convição no futuro da Humanidade assentam em verdades muito triviais como aquela que deixou um pobre académico perplexo:

David Buss, professor of psychology at the University of Texas, in his book The Evolution of Desire tries to unravel the mystery of the female orgasm. He is apparently perplexed because it has nothing to do with reproduction and appears to have no other function except to give a woman pleasure – hence the existence of the clitoris, “useful” only for female sensory delight. (Yvonne Roberts in The Guardian)

Ou seja, que a cultura e sociedade humana possam aumentar o leque das possibilidades que os constrangimentos (naturais, obviamente) da Evolução favorecem, so much for Darwin…nada, evidentemente, que um troubadour não tenha dito já: 

Mas como pod’achar bõa razon                                  

ome coitado que perdeu o sen

com’eu perdi? e quando falo, ren

ja non sei que me digo, nen que non!

E con gran mal non pod’ome trobar!

E prazer non ei se non en chorar!

E chorando nunca farei bon son! 

(Paay Gomes Charinho) 

 

E assi morrerei por quen

nen quer meu mal, nen quer meu ben! 

(Nuno Fernandes Torneol)

 

(*) É sempre interessante verificar a força dos velhos adágios, tal como aquele que diz ser “preciso mudar alguma coisa para que tudo continue na mesma”. Antigamente, ou seja no século passado, ainda se pregava o controlo dos instintos (entenda-se: sexualidade, natureza) pelo espírito (ou razão entendida no sentido moral); hoje, pede-se o controle das tendências culturais (ou mentalidades) em nome das “leis naturais”.

** Ambas cantigas do Cancioneiro da Ajuda

“don’t ask, don’t tell”

Há poucos dias lia o JCésar Neves sobre o “deboche e perversão” e hoje vejo estampado aqui exemplos bem palpáveis:”(…)warnings about “inappropriate passive/aggressive actions common in the homosexual community,” the prospects of “forcible sodomy” and “exotic forms of sexual expression,” and the case of “a group of black lesbians who decided to gang-assault” a fellow soldier.”(in Washington Post)

Não, não é “o mais brutal e esmagador ataque à família e à vida da história do mundo” (JCésar Neves a propósito da pílula anti-concepcional), mas anda perto.

unbelievable!

Is That 4-Year-Old Really a Sex Offender? (via A Origem das Espácies)

Ás vezes, quando me dá para pensar em leis abomináveis, costumes macabros e culturas perversas, lembro-me das mulheres condenadas à morte por apedrejamento, na excisão dos genitais femininos ou no elogio da castidade.

Ainda tenho tanto para aprender.

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