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” façam o favor de não estragarem aquilo que está direito…”

E, desta forma[porto de Leixões passará a ser administrado por um administrador delegado, dependente de uma empresa lisboeta], a economia do Norte estará a sustentar esses modelos, continuando a pagar mais, e nada recebendo em troca. (Rui Moreira in JN)

“opções de desenvolvimento erradas, com centralismos irremediavelmente desfasados da realidade”

Se repetirem o exercício (abstrato) de desenharem uma circunferência com um raio de 80 km centrada em Lisboa, encontram cerca de 3,45 milhões de pessoas, quase um terço da atual população total do país, 10,6 milhões. Mas se desenharem igual círculo à volta do Porto, encontram cerca de 3,77 milhões. Mais de um terço da população.(…) A demografia diz-nos pouco do poder real das regiões, mas é clara neste aspeto: o Porto é o centro populacional do país. (in Nuno Gomes Lopes)

Infografia de Nuno Gomes Lopes onde se desenham circunferências  com raios iguais centradas no Porto e em Lisboa e respectiva cobertura demográfica.

lá se fazem…

…cá se pagam:

Governo dá 400 milhões a Lisboa e 1 milhão ao Porto

Porto garante maioria à Direita

Nada de novo, pois as virtudes do centralismo são bem conhecidas e Lisboa é mesmo uma linda cidade, cheia de história, simpatia e um grande rio.
Por outro lado, as pessoas do Porto, do Norte, os galegos em geral, são gente mesquinha, rancorosa e,como se vê vingativa.

Olha lá se fossem tão unidos e determinados em avançar com a Regionalização de modo a poderem desenvolver políticas de desenvolvimento e gerir as verbas comunitárias que lhe são destinadas,mas previdentemente aplicadas no engrandecimento da nossa bela capital

regionalização

Como não ver a beleza poética de duas cidades milenares do Noroeste Ibérico, aonde os Celtas se instalaram para ficar, partirem juntas até à Irlanda, também terra de Celtas?

E, para a Irlanda, já em tempos bem remotos, partiram outros povos ibéricos muito antes daí chegarem os Celtas. Dum modo, ou de outro, “cultivando a melancolia característica dos habitantes do país da morrinha, essa terra de marinheiros e labregos que cantam, dançam e versejam de modo incontinente. País que começa aqui e termina nas rias altas galegas. Ou vice-versa.” (in duradouro)

Região Norte?! Melhor ainda: Região Galaico-Portuguesa! Que no tempo dos Romanos teve como capital Bracara Augusta.

pão-de-ló e amêndoas amargas

Bem sei que é páscoa e tal, o futebol está bem e recomenda-se, mas a alta política impõe-se. A saber: no congresso em Matosinhos, o PS assume que a política do chefe é a opção assumida dos militantesos escolhos as escolhas políticas de Passos Coelho retratam a maturidade e a reflexão da alternativa, o desinteresse assumido do PCP e do BE em enfrentar a crise está ao nível dos dois partidos anteriores. Aparentemente, o PP está seguro de que depois de 5 de Junho alguém terá de lhe telefonar a pedir qualquer coisa, et pour cause, está sereno e não se compromete.

Posto tudo isto, que interessa o resto pelo mundo fora?

Ou, para ser mais mesquinho, de que vale pensar no que se deve pode fazer para resolver aqueles pequenos problemas do dia-a-dia?

Como se pode ler abaixo, por exemplo:

Quais são os mitos e os erros da política económica em Portugal?

  • O Grande
  • O Concentrado, numa Região, em poucas pessoas
  • As cidades criativas
  • O Ganho das Economias de Escala, em se pretender tudo fazer de uma só vez
  • A Internacionalização, descurando o mercado interno
  • Os Resultados rápidos, por uma exigência das Bolsas, de 3 em 3 meses
  • Os Oligopólios nos bens não transaccionáveis: energia, telecomunicações, estradas, saúde

O que fazer? O contrário.

  • As micro e PME’s
  • A Regionalização
  • O regresso ao interior, para o qual as linhas ferroviárias regionais são essenciais
  • As obras públicas repartidas por pequenas adjudicações que fomentem a eficiência pela concorrência e a baixa dos preços e não pelo monopólio de grandes obras em que só alguns conseguem concorrer
  • O mercado ibérico, a Euroregião Galiza – Norte de Portugal – Castela e Leão
  • O capital paciente e os resultados uma vez por ano
  • A concorrência nos bens não transaccionáveis
(José Ferraz Alves in A Baixa do Porto)
Entretanto, o país folga mais um pouco.

Os três A, o Norte e a Euro-Região

(…) somos contra a ideia de roubar a capacidade de investimento ao país para concentrar nos três A, os três Abortos: o Caia-Poceirão [Alta Velocidade], o Novo Aeroporto de Lisboa e a Terceira Travessia [do Tejo].

(…) Este Governo tem uma vantagem incrível – que é uma desgraça para o país – que é o apoio do PSD e do CDS ao corte nas bases do aparelho de Estado para manter os clubes de cortesãos no Terreiro do Paço, e para manter o esbulho do país (em relação ao investimento público), para a deslocação das verbas da linha Porto-Vigo, e a deslocação de todos esses investimentos para o Caia-Poceirão, Novo Aeroporto de Lisboa e Terceira Travessia tem o apoio do Bloco de Esquerda e do PCP. (…)

Na Galiza toda a gente fala de Galiza e Norte de Portugal como uma euro-região, e aqui no Norte de Portugal ninguém sabe que somos uma euro-região. Nós não sabemos, ninguém sabe isto. Os galegos sabem, mas aqui não; os galegos têm um governo regional, nós não temos absolutamente nada. Nós temos perto de 100 Câmaras Municipais no Norte de Portugal, mas não temos nenhuma consciência de que a nível europeu já somos uma euro-região.

(…) em vez de perceberem que é preciso cortar na administração central, que é a que gasta o dinheiro, querem cortar nos órgãos que têm o contacto direto com os cidadãos (…). Em vez de cortarem lá em cima querem cortar cá em baixo. Em vez de descentralizarem para reduzir os custos, não, querem centralizar para reduzir os custos. Isto é um erro completo, porque não só não reduzem os custos como impedem o desenvolvimento.

(Pedro Batista in Novas da Galiza via NGL)

esperança num futuro melhor…

Quando todos sabemos da importância do investimento para o relançamento da economia, há gente mal intencionada que contrapõe aos 1120 milhões de euros de alcatrão a ninharia de 50 milhões de euros de caminho de ferro. (via NGL)

O que vale é que, entretanto, o país avança a todo o vapor…  (via um pé no Porto e outro no pedal)

Ou, como diria o outro: “O Governo português tomou as medidas necessárias para enfrentar esta situação, com confiança, com sentido de responsabilidade e com determinação. Definiu metas ambiciosas para 2010 e 2011 que vamos cumprir



"Não pares agora! Tu estavas quase a conseguir!" "Pense nisto como uma perpétua relação não lucrativa em que jamais aprende alguma coisa"

É Tua e é de todos…ou será que é só para alguns?

Compreendo os argumentos da CP, Refer, ministérios da tutela e etc, quando pretendem encerrar linhas de caminho-de-ferro no Douro: não há utentes para lhes dar utilidade, nem há segurança por serem muito velhinhas e tal e coisa.  E têm razão. Basta alterarem os horários, reduzindo-os e levando os utentes a gastarem um dia para fazerem uma deslocação de ida-e-volta, para estes passarem a preferir os transportes públicos rodoviários ou o automóvel particular.

Também entendo a EDP e ministérios da tutela quando insistem na importância de se construírem mais barragens ainda que o benefício energético seja mínimo, com elevados custos ambientais e destruição duma estratégia de valorização turística internacional assente nos patrimónios natural, cultural e outros. Os ganhos que lhes interessam provavelmente são outros, mas disso nada percebo, ainda que entenda a ideia.

Quem não entende, mas parece que gostaria de quem lhe explicasse é o senhor abaixo-citado:

Chegados a este ponto é lícito perguntar: em que mundos vive o Ministério Público e a PJ, ou será que o vale e a Linha do Tua é que já não pertencem a este mundo? Tudo isto existe, tudo isto é triste, tudo isto fede…” (Daniel Conde in DN)

O que (ainda) resta da ponte ferroviária internacional da Linha do Douro.

voando alto e arriscando a não sair do sítio

Quando deixou de ser suportável a “legitimidade” de se concentrarem investimentos, obras públicas e equipamentos culturais numa certa cidade mais a sul, passou a usar-se o argumento da “locomotiva” que iria arrastar o país para o desenvolvimento. Um logro, pois o que fizeram foi plantar um eucalipto que seca tudo o mais em redor.

Quando leio este post duma associação de cidadãos duma certa cidade mais a norte, percebo a preocupação com a falta de pressa duma tal Ana, criatura algo imprevidente e com pouco acerto a fazer contas. Mas depois leio este outro post de José Ferraz Alves, mais concretamente no ponto iv), e vejo que a referida associação bem pode andar preocupada com a Ana e outros como ela, eles próprios preocupados em regar o eucalipto.

Se houvesse debate político no país, certamente este seria um tema central. Mas a avaliar pelo que leio e ouço, andamos todos a ver passar os aviões…

"O que está a fazer uma cabra-montesa no meio das nuvens?"

jornalismo comprometido

Pela mesma lógica do Expresso, a não-construção da barragem do Côa e a criação do Parque Arqueológico do Côa não melhoraram as acessibilidades, não tornaram o Douro "tão conhecido e visitado como agora é"...

De facto, como Carlos Romão denuncia (ver link mais abaixo) , há um “exercício contorcionista que não passa de um um frete à estratégia da EDP, de apropriação da água dos rios do norte para no futuro a comercializar através de transvases no sul do país” neste trabalho assinado por Vítor Andrade e Liliana Coelho:

“Com a construção das várias barragens que o Douro hoje tem o nível das águas subiu, fizeram-se estradas e melhoram-se as acessibilidades, tanto para os locais como para os turistas – ficou mais fácil circular junto ao vale do Douro vinhateiro, hoje património da humanidade.

Será que se não tivesse havido esta evolução e os investimentos que se fizaram nas barragens, o Douro hoje teria a importância que tem? Seria tão conhecido e tão visitado como agora é? Questões que ficam e que dividem opiniões.

Uma coisa é certa e garantida já por decreto governamental, com a chancela do Ambiente. As barragens de Foz Tua e do Sabor vão ser uma realidade. A paisagem vai mudar. Mas o país fica com mais energia verde e com novas acessibilidades junto a esses empreendimentos. Quem é que fica a ganhar? Todos ou só alguns?”  (in Expresso)

Na verdade, este é bem um exemplo duma coisa que é uma coisa que é outra coisa. Carlos Romão desmonta a propaganda:

A energia dita “verde”, a produzir pela hipotética barragem do Tua, corresponde a menos de 1% das necessidades nacionais, o que, posto no prato da balança, com a destruição da paisagem e da linha ferroviária do Tua, que a barragem implicará, vale ZERO.

 Se as barragens trouxessem riqueza e desenvolvimento para as regiões, como afirma o Expresso, Trás-os-Montes não seria a região mais pobre e menos desenvolvida do país. A riqueza produzida pelas barragens transmontanas – comandadas à distância – paga impostos ao estado central no sul e é lá que cria postos de trabalho. Até a derrama, imposto municipal, é paga à… Câmara Municipal de Bragança? Não! A derrama é paga – pasme-se – à Câmara Municipal de Lisboa.

E o Expresso, descarado, ainda pergunta, “quem é que fica a ganhar, todos ou só alguns?”. (Carlos Romão in A Baixa do Porto)

A finalizar, remete para o post no Aventar “A honestidade intelectual do Expresso”:

(…) e ao contrário do que o texto advoga, os “investimentos em barragens” não foram o sinónimo de se terem feito estradas “e melhoram-se as acessibilidades” porque muitas das estradas ribeirinhas (naturalmente sinuosas – são centenárias embora não tão antigas como o caminho-de-ferro). Portanto, se “ficou mais fácil circular junto ao vale do Douro vinhateiro, hoje património da humanidade” tal se deveu muito, e na maior escala, à chegada do comboio e não às barragens. (Dario Silva in Aventar)

Acrescento eu, ignorante em economia e desenvolvimento, que me parece muito traiçoeiro comparar a necessidade de construção das barragens no Douro nas décadas de 50 a 80 do sec.XX com a necessidade de construir  barragens no Sabor e no Tua em 2011. Mas se me parece é só porque, na minha falta de entendimento, o desenvolvimento e a economia portuguesa da altura e a de hoje não são comparáveis…quer se dizer, comparáveis são, os problemas e as soluções é que não serão os mesmos.

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