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poesia científica

Talvez por vivermos num tempo em que se valoriza -de facto- pouco, ou nada, a literatura em geral, a infantil em particular, e muito especialmente a divulgação cientifica de qualidade, nunca é demais realçar a obra de Regina Gouveia(…) a imaginação poética, aqui especialmente dirigida aos muito pequenos, surge aliada ao rigor científico (repare-se no pormenor da poesia já dar conta da “despromoção” de Plutão de planeta para planeta-anão) numa linguagem muito simples. Onde é que já vimos isso? (in De Rerum Natura)

Regina tem um blogue que faz parte dos mundos comunicantes com que este novo mundo está em linha. E mais além, ou aquém (conforme a posição relativa do observador…diria Einstein), ela também pinta. Uma personalidade tipicamente renascentista, portanto.

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Arrebol do CERN

O que procuram são respostas para grandes questões: de que é feita a matéria? O que é a matéria escura, que constituiu grande parte do Universo mas se mantém teimosamente invisível? O bosão de Higgs, partícula que explicaria por que algumas têm massa e outras não, existe mesmo? (in Publico)

 

“Over 2000 graduate students are eagerly awaiting data from the LHC experiments. They’re a privileged bunch, set to produce the first theses at the new high-energy frontier.”(CERN Director General Rolf Heuer)

Mesmo eu que nada entendo destes assuntos metafísicos, consigo perceber quando alguém como Carlos Fiolhais explica que os “novos detectores poderão ser úteis nos nossos hospitais para ver o interior dos nossos corpos. E o poder prodigioso de cálculo que é necessário para tratar a vaga de informação que inunda os detectores, e analisada também nos computadores portugueses, desafiará decerto o engenho humano, para benefício de todos. (in Publico)

Numa época de profunda e prolongada crise que afecta o modo de vida confortável e protegido dos países desenvolvidos, quando voltam a “popularizar-se” relações de produção claramente injustas ou governos autoritários sentem-se legitimados por suportarem melhor a crise do que os governos democráticos e, acrescendo a isto, sabendo-se como os modelos de desenvolvimento actuais colocam em risco o ambiente, creio ser esta a maior das oportunidades para a Humanidade evoluir no sentido desejado.

Levando tempo, certamente, e podendo contribuir também para o oposto de tudo o que aqui desejo. Mas estes são os eternos desafios da Humanidade: comer o fruto da Árvore do Conhecimento sem admitir a culpa, nem aceitar a expulsão, ter o discernimento para só abrir a outra caixa de Pandora e controlar os demónios que espalham o medo-ódio.

Mas o que mais me atrai nestas experiências do CERN exprime-o melhor uma poetisa (que também é professora de física): “Talvez viajem desde o Big Bang/átomos que me afagam através da morna brisa,/neste rubro arrebol do dia exangue./Quem sabe já terão sido pedra, rouxinol, flor/e por isso a brisa como que canta e exala um perfumado odor.” (in Arrebol de Regina Gouveia)

Isto é assim uma forma pós-moderna de Panteísmo. Não sei. Nem me importa.

ciência em verso

"Ciência para meninos em poemas pequeninos" de REgina Gouveia (texto) e Nuno Gouveia (ilustração) ed. GATAfunho 2009

"Ciência para meninos em poemas pequeninos" de Regina Gouveia (texto) e Nuno Gouveia (ilustração) ed. GATAfunho 2009

Ontem assisti ao lançamento deste livro (cuja autora conheço e estimo) e ouvi algumas verdades evidentes, de todos bem sabidas, mas manifestamente esquecidas: o gosto e o hábito pela leitura cultivam-se ainda antes de se ensinarem as letras.

Como é possível semelhante prodígio não é propriamente segredo: contando (lendo em voz alta) histórias aos mais pequenos sempre foi a garantia de transmissão de cultura em todos os tempos e lugares. Por vezes nem há história, mas lenga-lengas de destreza verbal, mental ou meras mnemónicas.

Se acrescentarmos, ainda, o impacto duma imagem cujo desenho não cessa de sugerir interpretações, suscitar sentimentos e levar a imaginação a voar mais longe, o efeito torna-se duradouro e potencialmente transformador.

Minhas memórias, impressões e afectos profundos assentam muito na convivência com um avô contador e criador de histórias, da sua biblioteca de livros com imagens por vezes intrigantes, às vezes perturbantes, de que estou certo me acompanharão até ao fim da vida.

Ora, este livro contém ainda um valor adicional: o de proporcionar uma compreensão natural para os fenómenos naturais (passe a redundância, não houvessem tantas e variadas explicações fantásticas para a trovoada ou para o ciclo lunar, por exemplo), sem deixar de personificar o sol ou a gota de chuva na melhor tradição da narrativa infantil. E para tudo isto, o trabalho de ilustração é um aliado fundamental que prende a atenção e suscita o interesse, principalmente para o analfabeto com menos de meia-dúzia de anos.

Além do pretexto de, nós-os-adultos, nos transfigurar-mos num iniciado da antiga arte esotérica (e quase extinta) dos recitadores de contos e versos ao bom estilo do “Era uma vez…”

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