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Posts tagged ‘racismo’

estranha forma de vida

Há vidas extraordinárias pela lucidez como são relatadas e pela loucura de vivê-las. Com ironia e sentido de humor.

Mas o que terá sentido Carlos, o Chacal, na sua cela de alta segurança, ao ver que, no seu blogue, esse glorioso fórum da revolução mundial, o último post é um anúncio ao livro de Antonio Salas, O Palestiniano?

E que isso dê origem a processos judiciais bem estruturados que permitem levar à justiça redes de tráfico, de terrorismo, etc, é ainda mais admirável.

Tudo gravado em vídeo, porque Salas não dá um passo sem ligar a sua câmara oculta. “As coisas que tenho visto são de facto incríveis, e não me apetece ter de discutir com os idiotas que iriam sempre dizer que eu minto”, explica ele. “Aquilo que não gravei nem sequer escrevo”.

E traga também, no formato de livro, matéria para reflexão sobre a espécie humana…fico sem palavras.

Ter uma arma, montá-la e desmontá-la, provoca uma estranha sensação de poder. E se os teus chefes, ou uma pretensa ideologia, te dizem que a podes usar legitimamente, é irresistível. Tudo o resto são justificações e desculpas. O que custa é matar a primeira vez. ( in Público)

“Nós, leitores de Cervantes ou de Shakespeare, de Dante ou de Tolstoi…”

 “E nada defende melhor os seres vivos contra a estupidez dos preconceitos, do racismo, da xenofobia, das obtusidades localistas do sectarismo religioso ou político, ou dos nacionalismos discriminatórios, do que a comprovação constante que sempre aparece na grande literatura: a igualdade essencial de homens e mulheres em todas as latitudes, e a injustiça representada pelo estabelecimento entre eles de formas de discriminação, sujeição ou exploração.”  (Vargas Llosa, citação retirada daqui)

elogio da promiscuidade

…é significativo que haja mais destes genes de neandertal em populações fora de África porque, pelos modelos evolutivos que temos, isto sugere que houve cruzamentos entre sapiens sapiens e sapiens neandertalensis, já na Europa e Ásia, muito depois da separação inicial destas linhagens. (in Que Treta!)

Bons tempos em que não se olhava à côr da pele ou à casta, à nação e à religião.

pedigree

Nada menos que el 20% de la población ibérica actual desciende de sefardíes. Y otro 11%, de norteafricanos. Si ambos siguen aquí, es que nunca se marcharon.

la ascendencia norteafricana va de 0% en los Pirineos al 20% en Galicia y el 22% en Castilla noroccidental. Andalucía tiene uno de los índices más bajos. Esto cuadra con las expulsiones de moriscos ordenadas por Felipe III en 1609, que diezmaron los guetos de Valencia y Andalucía, pero poco pudieron hacer contra las dispersas e integradas poblaciones de Extremadura y Galicia.

Los cromosomas de origen sefardí, siendo de una época más remota, aparecen distribuidos por el territorio de forma homogénea, con la excepción del noreste de Castilla, Cataluña y los Pirineos, donde su frecuencia es muy baja (in El País)

two-people-touching-a-dna-strand-by-christopher-zacharov

 

Se estes dados se puderem extrapolar para Portugal, afinal os “mouros” estamos mais a norte do Douro do que a sul. De resto, estas conclusões só  confirmam o que já há muito se sabia (veja-se a célebre anedota do marquês de Pombal a entregar roupa com a marca da cruz de David ao rei D.José ) e se suspeitava (famílias nobres/reais ibéricas com “sangue mouro”, como tanto se versou nos cancioneiros). Para o racismo atávico, fruto do preconceito e do medo ao diferente, estudos como este podem ser um excelente contributo para erradicar complexos estúpidos e maus.

E não se trata só de “raça”, mas de outras verdades elementares e evidentes, geralmente esquecidas: nenhuma criança nasce “muçulmana”, “cristã”, “judia”. Ou “portuguesa”, “espanhola”, “basca”. Quando assassinos selecionam vítimas de acordo com o passaporte, matam pessoas pelo credo que confessam ou pela cor da pele, estão a exprimir velhos e arreigados preconceitos do modo mais obsceno, mas muito comuns em todo o lado.

Ainda que pareça algo vago e distante, estudos semelhantes ao acima citado confirmam que toda a espécie humana actual descende duma população comum, africana, que ainda não se teria separado há uns simples 60.000 anos. Pode parecer muito tempo ( e é, à escala humana), mas nessa época, na Peninsula Ibérica, os únicos humanos que por aqui viviam eram Neardenthais (cuja linhagem se extinguiu umas dezenas de milhar de anos depois). Talvez por isso, sempre achei deprimente aqueles que cultivam rótulos monotemáticos como o “celtismo”, “a negritude”, “as suecas (todas) louras” e só para me ficar pelos mais inofensivos.

Ainda que a questão das origens seja assunto que não me perturbe o sono, confesso que me fica uma dúvida existêncial.

Donde me chegam os restantes +/-60% de genes? De celtas, godos, romanos, fenícios, gregos, vândalos, bascos, quiçá uns fragmentos do DNA de Neardenthal. Ah, e já me esquecia o legado mais recente dos meus antepassados que embarcaram paras as Índias, naufragaram nas costas do Cathay, desembarcaram na foz do Zambeze, penetraram no sertão brasileiro e ergueram um farol nas Berlengas.

Razão tinha, afinal, o velho Salazar, em comemorar o Dia da Raça. Raça Portuguesa, bem entendido.

 

bebés, metecos e bestas quadradas

Dos 102.492 bebés que nasceram em Portugal em 2007 – ano em que a população entrou em crescimento natural negativo -, 9,6 por cento nasceram de mães estrangeiras, segundo os dados demográficos do Instituto Nacional de Estatística (INE). (in Publico)

Depois do alarme com que ouvi pessoas reclamarem por terem de ter os filhos em maternidades espanholas (como é o caso de Elvas/Badajoz), admira-me não haver pânico social com esta notícia: não é só “nós” perdermos a Identidade, as Origens, são os próprios “alienígenas” que fazem parte de “nós” (horror!).

Ou seja, há quem ande a fazer mal o que entende ser o seu dever “cívico”: (mais…)

eu não sou racista, mas…

 

Nascido no início da década de 60, ainda vivi mergulhado na ideologia multiracial do Império Português. Abstraindo o contexto colonialista e as intenções que a motivavam, creio que seria hoje apodada de “multiculturalista”: éramos todos portugueses (do Minho a Timor, passando por Goa, Damão e Diu que já nem eram “nossas”), independentemente da cor da pele, dos usos e costumes folclóricos, etc.

Da escola primária, do livrinho de “História de Portugal” recordo a figura do elegante soldado português do sec.XVI de mão dada com uma bela indiana, legenda aludindo à importância dos casamentos mistos promovida por Afonso de Albuquerque para o “nosso” domínio no Oriente. Todos iguais, todos diferentes, tu também Salazar?! (mais…)

e não se pode extermina-los?

“…as mulheres e as crianças guincharam selvaticamente e bateram e chamaram nomes”

“Pessoas mal vistas socialmente, marginais, traiçoeiras, integralmente subsídio-dependentes de um Estado a quem pagam desobedecendo e atentando contra a integridade física e moral dos seus agentes” (in Publico)

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