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tradição e direitos humanos

Passar, em poucas dezenas de anos, duma situação criminal ao reconhecimento legal do direito ao matrimónio é uma evolução simplesmente admirável.

Atente-se ao detalhe: quando eu nasci e durante os anos da minha juventude, ninguém era livre para manter uma relação consentida com alguém do mesmo sexo. A homossexualidade só foi descriminalizada em 1982. Em 2009, até a Igreja Católica pugnou pelo referendo ao direito ao casamento entre pessoas do mesmo sexo: “A iniciativa de pedir o referendo é dos cidadãos. Sei que muitos deles são católicos” (José Policarpo, cardeal patriarca in Agência Ecclesia).

A mesma Igreja que ainda classifica a homossexualidade como uma coisa assim muito, mas muito “desordenada”*, tem bispos em Portugal que pretendem “designar e tratar, com respeito e verdade, tal relação para que todas as pessoas homossexuais sejam protegidas e defendidas nos seus direitos humanos” (Ilídio Leandro, bispo de Viseu in Agência Ecclesia). Portugal é mesmo um caso digno de estudo!

Serão “poucas” as pessoas que vão aproveitar a nova lei? É esta uma questão “menor”? Como disse alguém que sabe do que fala e luta pelo que pensa: As pessoas de quem estamos a falar nasceram numa sociedade largamente homofóbica, à semelhança da experiência terrível do racismo para muitas pessoas negras em várias sociedades, e à semelhança da experiência terrivel do sexismo para muitas mulheres. (Miguel Vale de Almeida in Público)

*Apoiando-se na Sagrada Escritura, que os apresenta como depravações graves (103) a Tradição sempre declarou que «os actos de homossexualidade são intrinsecamente desordenados» (104). São contrários à lei natural, fecham o acto sexual ao dom da vida, não procedem duma verdadeira complementaridade afectiva sexual, não podem, em caso algum, ser aprovados.(…) As pessoas homossexuais são chamadas à castidade.” (in Catecismo da Igreja Católica)

Um tema de Natal (para o ano todo)

(…) Suponho que disso sei mais e melhor que todos os psicólogos, psiquiatras e políticos reunidos em seminário sobre o tema, embora eu não publique papers nem faça leis, muito menos vote no parlamento.(…)

A criança que cai nesta roleta da vida, a da fatalidade da adopção, tem de ter pais substitutos mais sábios que os pais biológicos, estes sempre e apenas pais pela vontade, pela ocasião e pela biologia, nunca sujeitos a exame prévio de aprovação. É isso, apenas isso, que deve ser exigido aos que se candidatam a adoptar.

O problema exclusivo numa adopção, do ponto de vista da criança, é esta encontrar um ambiente nuclear próximo em que predominem o afecto, o respeito, a liberdade, a pedagogia e o permanente bom senso, tudo suportado, naturalmente, por uma capacidade de sobrevivência societária e económica (…).

E isso, um pólo bi ou monoparental, um negro ou um amarelo, uma parelha heterossexual ou um casal de lésbicas, podem cumprir os requisitos, se os cumprirem. (in Água Lisa)

e não se pode extermina-los?

“…as mulheres e as crianças guincharam selvaticamente e bateram e chamaram nomes”

“Pessoas mal vistas socialmente, marginais, traiçoeiras, integralmente subsídio-dependentes de um Estado a quem pagam desobedecendo e atentando contra a integridade física e moral dos seus agentes” (in Publico)

e ainda bem que não sou do belenenses!

Se isto é assim (via A Origem das Espécies), o que será com a seleção das quinas, então?!

unbelievable!

Is That 4-Year-Old Really a Sex Offender? (via A Origem das Espácies)

Ás vezes, quando me dá para pensar em leis abomináveis, costumes macabros e culturas perversas, lembro-me das mulheres condenadas à morte por apedrejamento, na excisão dos genitais femininos ou no elogio da castidade.

Ainda tenho tanto para aprender.

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