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PortoGrafia na Lituânia

Estudantes na Universidade de Vilnius em visita à Exposição PortoGrafia, na embaixada de Portugal. Mais fotos aqui, no site olá LieTuva, do adido cultural da embaixada, Nuno Guimarães.

Estudantes da Universidade de Vilnius em visita à Exposição PortoGrafia. (foto de Nuno Guimarães)

porto de rio

Na deriva dos passos perdidos, a cidade velha parece ter o sentido fixo nos poderes emanados do Céu como se algo alguém?, altíssimo e eterno, marcasse o ritmo e desse sentido às atribulações que se atravessam no caminho.

Porém, muitas foram as vezes que os que cá moravam pegaram em armas contra o poder lá do alto. Não só o céu é sempre outro, conforme a cidade se move em redor do transeunte, como este é transportado para outros horizontes e distintas emoções.

“…pero la lluvia es la compañera inseparable”

Por indicação amiga da Maria Luisa cheguei a este artigo no El País:

A Oporto le sienta bien la luz: el cielo se pone azul y unas nubes gordas y blancas se mueven rápidamente por él como si tuvieran miedo a quedarse quietas. La luz hace que las baldosas de las fachadas de los viejos edificios, muchos de ellos abandonados, brillen. El escritor más importante de la ciudad, Eugenio de Andrade, fue el poeta de la luz, y de los cuerpos y de la vida.

A Oporto le sienta bien la luz, pero la lluvia es la compañera inseparable. La lluvia cae a menudo para marcar territorio (Félix Romeo in elpaís).

E se ela se lembrou de mo mostrar foi por lhe fazer recordar algo semelhante que leu em PortoGrafia:

A cidade velha vive sob a influência da atmosfera densa do rio: sua luz não é a do Sol, mas a da chuva. 

E são as tardes frias, cinzentas, quem seduzem o estranho que nela se perca.  A cidade brilha sob a chuva miúda, sua pele de sáurio antigo se solta, rejuvenescendo na mulher de beleza eterna e idade indefinível. Do húmus das fundações libertam-se exalações íntimas, insinuantes. Suas ruas se transfiguram no bailado de luz e cor com as nuvens que passam. Nuvens ligeiras e úberes

(Arranhando a superfície até sangrarem os dedos in Imago Mundi)

 

Cais do (D)Ouro

" É que as condições, nem falo das aves, mas para os seres humanos são incríveis, um verdadeiro anfiteatro para a vida natural que se desenrola a poucos metros, a beleza do cabedelo do Douro, e os pores-do-sol. Só falta mesmo uma limpeza ao local, uma vedação conveniente, e alguns painéis explicativos da fauna existente para os mais leigos onde naturalmente me incluo. Parece tão fácil." (Hugo Faustino in A Baixa do Porto)

Cais do Ouro…o prolongamento natural da Reserva Natural Local do Estuário do Douro?

Poderá a Reserva Natural Local do Estuário do Douro incluir ambas as margens do rio?  

Vista para o Estuario do Douro, com o Cabedelo em primeiro plano.

Há quem pense que sim, embora tema que não:  

 O Cais do Ouro é o prolongamento lógico do estuário do Douro enquanto local de nidificação e passagem de aves migratórias e um local ímpar na frente ribeirinha do Porto por duas razões simples: é o único trecho não artificializado e o único frequentado por aves migratórias.  

 Apesar de ser relativamente pequeno, uma língua de areia com o máximo de 300 metros, é possível encontrar lá frequentemente garças, patos bravos, e até flamingos. Por ser exclusívo na margem Norte com este tipo de características pergunto-me se a Câmara do Porto não teria todo o interesse em incluí-lo na citada reserva do estuário do Douro. (Hugo Faustino in A Baixa do Porto)  

Talvez esse temor se prenda ao facto de que a ideia da criação duma reserva natural no estuário do Douro tenha partido de Gaia, contra a corrente do Rio…

das rias altas ao douro

O Vigo metropolitano debe asumir un liderado que dependerá tanto do comportamento dos tres grandes motores da nosa economía metropolitana (automoción, construción naval e actividade portuaria) como da capacidade política de artellar un novo modelo de administración territorial baseado na creación dunha área metropolitana que funcione como centro equilibrador desa eurorrexión Galicia e Norte de Portugal de sete millóns de habitantes (o 12% de toda a península ibérica).(Manuel Bragado in Brétemas)

Vigo ten a responsabilidade de funcionar coma ponte económica e cultural entre ambas as dúas bandas do Miño, servindo de contrapeso á voluminosa área metropolitana de Porto e á rexión urbana da Coruña e Ferrol, das que nos separan na actualidade apenas unha hora e media de viaxe por autoestrada e un pouco menos cando funcione o tren atlántico de velocidade alta. (Manuel Bragado in Faro de Vigo)

Nunca me canso de repetir o que muitos (ainda que não os suficientes…) vêm dizendo há uma centena de anos (ou mais): há um óbvio contrasenso ao não encarar-se a unidade económica, geográfica e humana da região galaico-duriense. Nas duas últimas décadas, o desenvolvimento galego e a decadência da região entre Douro e Minho tem acirrado por estas bandas um espírito de combate pela disputa do movimento nos portos, aeroportos. Mas, felizmente, é maioritária a noção das afinidades e interesses mútuos. É só fazer as contas…

miradouro

A luz vaga chega das águas a horas incertas: são dias que podem ser noites em que o abafar dos ruídos alumia as vozes ou realça sua ausência.

calem

Quem desce a rua em direção ao rio arrisca-se a perder o sentido das urgências mais vale fazer amanhã o que pode ser feito hoje para viver o aqui-e-agora-e-sempre. Mistérios que confundem o incauto: “Será da luz filtrado pelo céu? Serão as cores sombrias do casario? Ou será mesmo pela peculiar atmosfera à beira-rio?”

geografia física e humana

 …Mas o Porto tem, a duas horas de distância, seis milhões de habitantes (João Marrana)

A geopolítica tem características bem nefastas, atormentando ao longo de séculos e milénios a vivência dos povos. Mas também pode ser o contrário disto: há povos que se separam por contigências políticas e históricas, apesar da língua, da cultura e dos laços familiares; nestes casos, o determinismo geográfico acaba por ser uma permanente promessa dum futuro melhor. Haja capacidade para ultrapassar a inércia da geografia política com o dinamismo da geografia humana.

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