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“Imaginemos que…”

“…o Querido Líder da Coreia do Norte resolvia reformar o regime de monarquia absoluta a que preside e convocar eleições para uma Assembleia Constituinte, que elaboraria uma nova lei fundamental, instaurando um regime representativo do tipo existente no nosso país, no qual o Partido do Querido Líder não teria qualquer privilégio constitucional. Não é seguro que o PCP deixaria de incluir o regime da Coreia do Norte na lista dos “países que definem como orientação e objectivo a construção duma sociedade socialista “?” (Miguel Serras Pereira in Vias de Facto)

A pergunta de retórica de MSP é pertinente, mas seguro, seguro, não sei…como está a cotação do regime angolano por aqueles lados?

” Com percursos diversos, experiências históricas próprias, evoluções distintas, problemas e contradições inerentes ao processo de transformação social num quadro de relações capitalistas dominantes, estes países estão sujeitos pelo imperialismo a uma intensa campanha de pressões económicas, ameaças militares e operações de desestabilização e intoxicação mediática que encerram graves perigos para a segurança internacional e que, a vingarem, significariam um grave retrocesso na luta libertadora.

Independentemente das avaliações diferenciadas em relação ao caminho e às características destes processos – a exigir uma permanente e cuidada observação e análise – e das inquietações e discordâncias, por vezes de princípio, que suscitam à luz das concepções programáticas próprias do Partido, o PCP considera que não há vias únicas de transformação social e reafirma o inalienável direito destes países e dos seus povos, como de todos os povos do mundo, a decidir livremente sobre o seu próprio caminho.

 É esse o interesse da causa do progresso social e da paz em todo o mundo.” (in Resolução Política do XVIII Congresso do PCP de 2008; ligação retirada do mesmo post de MSP, os sublinhados são meus )

Esta prosa aparentemente seca e ôca é um documento interessante sobre o modo de dizer muito sem afirmar nada: diverso, próprio, distinto, inerente

E é bom saber que, por causa “das avaliações diferenciadas (…) e das inquietações e discordâncias, por vezes de princípio, que suscitam (…)“, há consciência da necessidade duma “permanente e cuidada observação e análise“.

Graças a este processo é possível apoiar um regime “democrático e popular”, onde a sucessão hereditária é um facto, manifestando, não sei, discordância de sentido. Ou considerar, eventualmente, um “regime  progressista” ainda que a prática de todo o tipo de barbaridades suscite inquietações. Até se pode reinvidicar “o direito dos países e povos a decidir livremente o seu caminho” e defender, concretamente, ditaduras militares (apesar das discordâncias de princípio).

Repare-se que quem emite a dita Resolução não entende que “a observação e análise” possa ser feita de modo pragmático e casuístico, como aparentemente induz. Na verdade, tem subjacente uma “ciência” da História.

Pela minha parte, ainda aguardo uma explicação científica, material e históricamente falando, sobre essa catástrofe inimaginável nos anos 80 a que se dão nomes como “desagregação da URSS“, “desaparecimento da URSS e do socialismo como sistema mundial“, “as derrotas do socialismo na URSS e no Leste da Europa“, “grandes retrocessos da década de 90″ (in Relatório supra-citado).

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eterno retorno?

Para quem como eu, nascido e criado nos tempos da Guerra Fria e do Grande Timoneiro, a queda do Muro, a implosão soviética e a revolução capitalista chinesa são processos históricos ainda difíceis de observar friamente. Como vai longe, por exemplo, o tempo em que os americanos receavam ser “comprados” (hollywood, indústria automóvel) pelos japoneses!

Agora, no maior momento de crise (e absoluta desorientação) dos Estados Unidos no último  meio-século, quem vem lhes estender a mão e dar palavras de ânimo?

 

(mais…)

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