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Croácia

A entrada dum novo membro para a Comunidade Europeia (CE) é sempre uma boa notícia, principalmente num período em que a CE sofre a maior crise de sempre.

A Croácia, curiosamente, já pertenceu a uma outra comunidade e dela saiu para entrar numa guerra de extrema crueldade contra outros membros dessa mesma comunidade.

Na altura, a CE podia ter tido um efeito moderador, mas falhou de modo escandaloso. Que a Croácia, a Sérvia e outros ex-membros da ex- Iugoslávia tenham aprendido alguma coisa com a sua experiência nos últimos 100 anos pode parecer evidente, mas nada é mais incerto. Porque a Europa da CE parece ter desaprendido aquilo que esteve na base da sua criação.

O “sonho europeu” pode ser um sonho, realmente, mas também é uma necessidade que a geopolítica colocará sempre na ordem-do-dia. Afinal, para o ano a Europa irá celebrar o centenário duma triste efeméride: uma das maiores guerras civis europeias, mas nem a maior, nem a mais recente.

A chegada da Croácia à CE este ano e da Sérvia, em breve (espero eu…), são boas notícias.

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guerras mundiais à porta de nossa casa

Ainda a propósito da “informação que temos direito“, leio hoje o artigo de TGA abaixo citado. Há uma guerra tecnológica já em movimento e é tudo menos claro o seu desfecho. Para além do interesse dos regimes políticos autoritários em se defenderem da opinião alheia, existem nos países com liberdade de expressão uma percentagem variável (mas significativa) de pessoas  que apoiam activamente a limitação dessa mesma liberdade; por outro lado, o desafio tecnológico exige criatividade e, portanto, liberdade. Assim como a liberdade é um anseio pessoal que não se restringe a nenhuma época ou cultura.

In thinking about the way information is supplied to us, we have, it seems to me, four possible approaches:

 (1) the state I live in decides what I can and cannot see, and that’s OK;

 (2) the big companies I rely on (Google, Yahoo, Baidu, Microsoft, Apple, China Mobile) select what I see, and that’s OK;

(3) I want to be free to see anything I like. Uncensored news from everywhere, all of world literature, manifestos of every party and movement, jihadist propaganda, bomb-making instructions, intimate details of other people’s private lives, child pornography – all should be freely available. Then it’s up to me to decide what I’ll look at (the radical libertarian option);

(4) everyone should be free to see everything, except for that limited set of things which clear, explicit global rules specify should not be available.

 (Timothy Garton Ash in Guardian)

Por coincidência, MMC também fala dum outro confronto: o do desenvolvimento sustentável.

A utopia ecológica, que procura estabelecer regras universais que garantam o equilíbrio do planeta – e que sofreu um grande revés com o fracasso de Copenhaga. A utopia tecnológica, que aposta sobretudo em “esverdear”o crescimento, acreditando que a humanidade acaba sempre por encontrar soluções técnicas para os seus problemas, nomeadamente para aqueles que decorrem das crises de escassez.

E a utopia antropológica, que procura estimular uma reflexão de fundo sobre o modo de vida das nossas sociedades, as raízes e os efeitos da extrema dependência em relação ao hiperconsumo nos modelos de vida hoje dominantes. Como bem diz Cohen, esta é a utopia decisiva, porque é ela que “obriga a que nos interroguemos sobre o que há de mais inessencial na civilização material que o Ocidente exportou para o resto do mundo, e a questionar os fundamentos das nossas sociedades”.

 (Manuel Maria Carrilho in DN)

E quem julga que os confrontos são distintos, talvez se engane…

nobel

Nunca ouvira antes falar de Herta Mueller, mas desde já fico interessado no que possa contar quem tenha nascido do lado de lá da Cortina de Ferro. Não se trata só da experiência sob a ditadura, mas duma voz oriunda  do mundo de cultura germânica espalhado pela Europa de Leste e que sobreviveu à IIª Guerra (My mother and especially my father, like all Germans in the town, believed in the beauty of blond plaits and white knee-length socks. In the black rectangle that was Hitler’s moustache, and in us Transylvanian Saxons being part of the Aryan race).

E, em ambos casos, recordar como a IIª Grande Guerra prolongou-se bem além da data da rendição alemã.

o pós-11 de setembro

Em 8 penosos anos que balanço se pode fazer de tudo quanto se passou, do ponto de vista norte-americano?

A invasão do Afeganistão assemelha-se a um novo Viet-Nam, a invasão do Iraque redundou no reforço da influência iraniana, o aliado paquistanês é cada ano mais instável, o islamismo político mais retrógado reforçou a sua influência, os recursos militares americanos chegaram ao limite e os económicos já se esgotaram faz tempo. (mais…)

in memoriam

A propósito da morte deste senhor disseram-se coisas que me fazem pensar como é realmente curta a memória dos povos. Após vários anos e milhares de soldados americanos mortos (dos vietnamitas nem se fala), ele acabou por reconhecer que se enganara, que a sua participação na tomada de decisão em envolver o Estados Unidos numa guerra de grandes proporções fora assumida no desconhecimento do que era o Vietnam. Que falhou em toda a linha, enfim: He acknowledged that he failed to force the military to produce a rigorous justification for its strategy and tactics, misunderstood Asia in general and Vietnam in particular, and kept the war going long after he realized it was futile because he lacked the courage or the ability to turn Johnson around. (Thomas W. Lippman in WP).

memory

Quarenta anos depois, as invasões do Iraque e Afeganistão revelam a mesma falta de informação e estratégia. Pior, se possível, é a confirmação de ter-se deliberadamente falseado e enganado instituições, opinião pública e outros estados, para justificar a invasão do Iraque. Ou a de violar as bases do Estado de Direito (negar o direito a um julgamento isento e à defesa, promover a tortura, manter pessoas sem culpa formada presas durante anos).

Claro que esta crítica só faz sentido a países que vivem num Estado de Direito, porque dos outros países em que o Estado (ou lá o que for que tenha poder) nega as liberdades elementares, os direitos básicos, pratica regularmente a repressão da dissidência, a tortura dos opositores e até massacra concidadãos, pouco se pode dizer a propósito da memória e sabedoria dos povos.

E isto da memória ocorre-me porque a minha, quando li os obituários daquele senhor,  fez-me recordar os exaltados debates nos media a propósito da invasão do Iraque (antes, durante e imediatamente depois), nomeadamente os aguerridos defensores da estratégia bélica em desenvolvimento. Recordo-me como desancavam violentamente sobre os infelizes que punham em causa essa mesma estratégia por razões mais próximas ao bom senso, boa prudência, cepticismo, desacordo com o modo como se punha em causa certas normas da regulação dos conflitos internacionais, coisas assim que eram logo apodadas de “anti-americanismo” e misérias outras. Seria interessante fazer um apanhado dessas polémicas na versão portuguesa e verificar como os protagonistas e os argumentos têm aguentado a erosão da História.

E se me recordo é precisamente por, na altura, tentar formular a minha própria opinião no fogo-de-artifício de “factos” e opiniões propalados por tão douta gente (e afinal: andavam todos enganados?!).

Seja como for, a memória é fraca, fraquinha. Em momentos de insegurança, um discurso machão, autoritário, isento de dúvidas, é o favorito das massas e dos fazedores de opinião encartados (lembrem-se de Munique!, há sempre alguém a gritar). Agora, também podem se lembrar do Vietnam, do Iraque…

Ainda não vai há um ano e a expectativa dum ataque ao Irão era levada muito, muito, a sério, lembram-se? Claro, pela melhor das razões e para a segurança de todos.

the problem is often exaggerated…

(…) Many of these provinces are beyond the control of the respective governments or the international community.

 In many cases, the absence of monitoring has turned these territories into havens for smuggling as well as illegal trafficking in arms, people and drugs.

(mais…)

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