novidades e outras coisas

Posts tagged ‘globalização’

A Civilização do Espectáculo ou o triunfo da frivolidade

No seu último livro publicado (La civilización del espectáculo ed.Alfaguara que eu não li), Vargas Llosa  desenvolve o tema do “triunfo da frivolidade” dando como exemplos desse fenómeno, entre outros, o ascendente da moda e da gastronomia. Numa entrevista explica-se:

No tengo nada contra la moda, me parece magnífico que haya una preocupación por la moda, pero desde luego no creo que la moda pueda reemplazar a la filosofía, a la literatura, a la música culta como un referente cultural. Y eso es lo que está pasando.

Hoy en día hablar de cocina y hablar de la moda, es mucho más importante que hablar de filosofía o hablar de música.” (in el país 15 de abril 2012) (mais…)

Anúncios

titanic

Faz hoje 100 anos que aconteceu o famoso naufrágio. Curioso, quando era miúdo parecia-me uma história de tempos muito remotos. Agora, apanhou-me de surpresa terem passado somente 100 anos.

Apesar do impacto que teve na época, não passou dum episódio dramático e sem consequências para o mundo. Porém, ficou a imagem do enorme barco demasiado grande para afundar (e que foi ao fundo a meio da 1ª viagem) e do critério de prioridade de acesso aos barcos salva-vidas (passageiros de 1ª classe primeiro…). Como alegoria da corrente crise económica na Europa e América do Norte é impecável, e nos últimos anos tem sido usada abundantemente. Desde as entidades financeiras e economias nacionais “demasiado grandes para irem à falência”, ao prudente critério de todos os idosos com necessidade de hemodiálise terem direito ao tratamento se pagarem, a poderosa imagem do Titanic funciona como a dum mito grego sempre rico em novos sentidos e actualidade.

Como todas as comparações e simbolismos, tem os seus limites: o capitão do Titanic não abandonou o barco, nem os passageiros que ficaram sem salvamento.

Sendo optimista por natureza, desvalorizo o detalhe histórico da Europa e América do Norte terem vivido décadas de paz e prosperidade até dois anos e meio depois do naufrágio. O calendário maia não é para aqui chamado.

este ano não houve “silly season”

Se algo de certo se pode concluir da confusão que se instalou na última década e que levou à incerteza generalizada (ou sistémica) em que vivem os países europeus e norte-americanos em especial, é a do valor dum bom debate e do confronto de soluções.

Aqueles que têm memória não esquecem a pressão dos governos, dos media, das “opiniões públicas”, dos “fazedores de opinião”, etc, quando surgiam vozes discordantes à política dominante.

(mais…)

na luta e à rasca para que lhes dêem cavaco

Que uma cantiga (ou um número cómico metido num festival de cantigas) se tornem em bandeiras do descontentamento não é inédito. Nem vale a pena especular significados profundos, a menos que se ignore o ambiente político e social dos últimos anos, ao qual a “crise” internacional só vem agravar acentuar os contornos. Nem esperar pelo caos ou pela redenção.

Mas o facto de marcarem a agenda política é sinal de que o pântano (finalmente!) se agita. Coincidência ou não, já há quem fale na necessidade dum “sobressalto cívico faça despertar os portugueses para a necessidade de uma sociedade civil forte, mais autónoma dos poderes públicos“.

 

 

quando a china acordar…

Leio aqui pela enésima vez a mesma leitura do futuro previsível, mas os sinais do presente parecem-me mais seguros, até nos pequenos pormenores. Como quando nos contam da ameaça, para o regime, que são as iniciativas dos cidadãos (o embrião da tão falada sociedade civil). Mesmo quando se movem por um motivo tão simples e urgente como seja este: o de encontrar os filhos desaparecidos.

estranha forma de vida

Há vidas extraordinárias pela lucidez como são relatadas e pela loucura de vivê-las. Com ironia e sentido de humor.

Mas o que terá sentido Carlos, o Chacal, na sua cela de alta segurança, ao ver que, no seu blogue, esse glorioso fórum da revolução mundial, o último post é um anúncio ao livro de Antonio Salas, O Palestiniano?

E que isso dê origem a processos judiciais bem estruturados que permitem levar à justiça redes de tráfico, de terrorismo, etc, é ainda mais admirável.

Tudo gravado em vídeo, porque Salas não dá um passo sem ligar a sua câmara oculta. “As coisas que tenho visto são de facto incríveis, e não me apetece ter de discutir com os idiotas que iriam sempre dizer que eu minto”, explica ele. “Aquilo que não gravei nem sequer escrevo”.

E traga também, no formato de livro, matéria para reflexão sobre a espécie humana…fico sem palavras.

Ter uma arma, montá-la e desmontá-la, provoca uma estranha sensação de poder. E se os teus chefes, ou uma pretensa ideologia, te dizem que a podes usar legitimamente, é irresistível. Tudo o resto são justificações e desculpas. O que custa é matar a primeira vez. ( in Público)

“unstable, unbalanced, uncoordinated and unsustainable”

But in reality, what Beijing is doing is investing its money in foreign assets rather than investing in its domestic infrastructure. It’s not just toilets and basic sanitation that are thin on the ground. So is an awful lot of essential infrastructure, such as hospitals and adequate schools in the country’s vast hinterland.

 If a poor Chinese villager gets seriously ill it’s a choice between treatment and penury – or dying. That’s something often forgotten when we talk about the great global imbalance – where America and Britain borrow too much and the Chinese and the Middle East lend them money.

This is money that could be used to help villagers in western China.

 And it’s a big reason the Chinese economy has been called “unstable, unbalanced, uncoordinated and unsustainable” – not by an American economist, but by China’s premier Wen Jiabao. (Aditya Chakrabortty in Guardian)

Nuvem de etiquetas

%d bloggers like this: