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PortoGrafia

“a tea entre os mundos da vida e da morte”

Tempo de castañas e magostos outonizos, ás portas do san Martiño, que anuncia a chegada dos rigores do inverno. Mais tamén, no eido festivo, estes son días de Samaín, a festa das caveiras de orixe céltica, con forte presenza na tradición rural galega (…)  os espíritos dos defuntos e das fadas invadían, por unhas horas, o mundo dos humanos; e os vivos podían penetrar no mundo do alén e quedar alí presos por mor dun feitizo ou meigallo.(…)

Abandonemos os vampiros homoxeneizadores do Halloween estadounidense e festexemos a fadas, trasnos e o resto dos nosos seres míticos (que temos un riquísimo patrimonio neste eido). Exaltemos a nosa terra farturenta en humildes cabazas, tallemos con elas caveiras, preparemos doces gorentosos e acendamos candeas para tratar de escorrentar a tantos demos e bruxas que nos axexan. (in Brétemas)

regionalização

Como não ver a beleza poética de duas cidades milenares do Noroeste Ibérico, aonde os Celtas se instalaram para ficar, partirem juntas até à Irlanda, também terra de Celtas?

E, para a Irlanda, já em tempos bem remotos, partiram outros povos ibéricos muito antes daí chegarem os Celtas. Dum modo, ou de outro, “cultivando a melancolia característica dos habitantes do país da morrinha, essa terra de marinheiros e labregos que cantam, dançam e versejam de modo incontinente. País que começa aqui e termina nas rias altas galegas. Ou vice-versa.” (in duradouro)

Região Norte?! Melhor ainda: Região Galaico-Portuguesa! Que no tempo dos Romanos teve como capital Bracara Augusta.

Os três A, o Norte e a Euro-Região

(…) somos contra a ideia de roubar a capacidade de investimento ao país para concentrar nos três A, os três Abortos: o Caia-Poceirão [Alta Velocidade], o Novo Aeroporto de Lisboa e a Terceira Travessia [do Tejo].

(…) Este Governo tem uma vantagem incrível – que é uma desgraça para o país – que é o apoio do PSD e do CDS ao corte nas bases do aparelho de Estado para manter os clubes de cortesãos no Terreiro do Paço, e para manter o esbulho do país (em relação ao investimento público), para a deslocação das verbas da linha Porto-Vigo, e a deslocação de todos esses investimentos para o Caia-Poceirão, Novo Aeroporto de Lisboa e Terceira Travessia tem o apoio do Bloco de Esquerda e do PCP. (…)

Na Galiza toda a gente fala de Galiza e Norte de Portugal como uma euro-região, e aqui no Norte de Portugal ninguém sabe que somos uma euro-região. Nós não sabemos, ninguém sabe isto. Os galegos sabem, mas aqui não; os galegos têm um governo regional, nós não temos absolutamente nada. Nós temos perto de 100 Câmaras Municipais no Norte de Portugal, mas não temos nenhuma consciência de que a nível europeu já somos uma euro-região.

(…) em vez de perceberem que é preciso cortar na administração central, que é a que gasta o dinheiro, querem cortar nos órgãos que têm o contacto direto com os cidadãos (…). Em vez de cortarem lá em cima querem cortar cá em baixo. Em vez de descentralizarem para reduzir os custos, não, querem centralizar para reduzir os custos. Isto é um erro completo, porque não só não reduzem os custos como impedem o desenvolvimento.

(Pedro Batista in Novas da Galiza via NGL)

a propósito do dia de ontem…

Si, coñezo a enfermidade. En todas as súas fases. Con toda a súa putada e toda a súa merda.

Por iso hoxe árdeme o peito lendo nos xornais as declaracións institucionais das distintas administracións, dicindo que si, que si, que canto queremos aos velliños, que imos dispór de cada vez de máis axudas, que si, que si, que canto queremos aos velliños e as velliñas que enferman disto, e que camiñamos cara a aplicación da lei de dependencia, e o carallo 29.

 Que si, que si, que canto queremos ás velliñas e aos velliños e que sorte que vivimos no estado de benestar e que para nós a idade é un patrimonio…

(in A canción do náufrago)

Hoje é dia de futebol (Portugal-España…ou vice-versa)

Sessão de Encerramento no Vivacidade-Espaço Criativo, hoje às 17h.

Esta é cidade que cultiva “a melancolia característica dos habitantes do país da morrinha, essa terra de marinheiros e labregos que cantam, dançam e versejam de modo incontinente. País que começa aqui e termina nas rias altas galegas. Ou vice-versa.” (in post Duradouro).

Cinzenta e ensimesmada, sim. Mas também feérica e ruidosa como noite de S. João. (sobre PortoGrafia)

O jogo? Ah, sim…o Brasil!

para acabar de vez com a acédia

Por vezes me dou conta do pouco que blogo apesar de haver tanto para opinar (que é o gosto que tenho em flutuar na blogosfera: opinar sobre o que vejo e ouço, lêr a opinião dos outros, acrescentar a minha e assim por diante…). O JPP ensinou-me a palavra (e o conceito) que me faltava: sofro da acédia. Nem sempre, claro. É coisa que se pegue? Infelizmente, sim. Tem antídoto? Mais ou menos, já que é uma forma de depressão.

Talvez em reacção à acédia que tem grassado a Norte, pessoas bem formadas criaram um partido assumidamente regional: “ (…) era imperioso criar uma força pragmática, sem limitações ideológicas, para a defesa dos interesses da região.” (Pedro Batista no JN). Não posso estar mais de acordo quanto a isso, como aliás acontece com outros. O problema está na forma: um “partido”? Um partido “regional”?

 N’ A Baixa do Porto a “coisa” já dá que falar: “Este Partido no Norte pode muito bem ser um desses partidos abrangentes com um objectivo específico: a autonomia política da Região. Pode até dissolver-se alcançada esta.” (António Alves). Há quem justifique até: “…não precisaríamos de um partido deste género se os outros partidos assumissem a gestão geográfica, solidária e sustentável, do território como um ponto importante das suas missões.” (Vitor Silva). Já o próprio TAF não se entusiasma com a forma e responde: “Certo, Vítor. O que me parece é que um partido é a ferramenta errada para esse efeito. Então que se constituísse um movimento, com gente de vários partidos, destinado a coordenar esforços para fazer passar a mensagem para dentro desses partidos “a sério”.

Em relação aos partidos “nacionais” tenho muitas dúvidas porque não vejo sinais de preocupação real com a questão da regionalização. E quanto ao partido “regional” outras dúvidas tenho em conseguirem reunir “massa crítica” de nomes e instituições que participem e colaborem activamente no objectivo central. Mas pior que do que desiludir, é a acédia que não leva ninguém a lado algum.

Enfim: concordo com todos, até concordo com quem diz que o tema da fusão das três cidades [Porto, Matosinhos, V.N.Gaia] deve ser, pelo menos, discutido (Manuel Pizarro in Publico).

Porque o diagnóstico está à vista e tem séculos: “a grande maioria dos problemas do país resulta do centralismo vigente em que todos trabalham para alimentar uma corte macrocéfala em Lisboa” (Paulo Morais in JN)

Ou como diz o José Silva, a crise pode ser uma oportunidade: “É uma excelente oportunidade para o Norte. Como referi anteriomente, nós exportamos e nos não estamos tão endividados. Tal como o FMI em 1983, a UE, a Alemanha, o FMEuropeu quererão ter sucesso nas suas políticas de redução do endividamento e deficit externo. Eles irão apoiar e proteger os territórios mais cumpridores, economicamente sustentáveis, produtores de bens e serviços transaccionáveis. Só precisamos de fazer «lobby», de explicar o que o Norte tem conseguido apesar da sabotagem crónica de Lisboa. Explicar que não queremos ser prejudicados por uma capital drenadora de recursos financeiros e humanos.” (in Norteamos)

Sem complexos de vir alguém dizer que aquilo que “um transmontano-duriense como eu mais pode desconfiar é, sob a bandeira do Norte, assistir a sinais do centralismo portuense a tentar erguer-se” (in Água Lisa). Mesmo que haja essa vontade, João, felizmente a região tem uma dinâmica que já não o permitirá nunca. E depois…depois há a questão da Galiza (ver post de Nuno Gomes Lopes aqui)

retirado de Nuno Gomes Lopes

(do blogue homónimo)

das rias altas ao douro

O Vigo metropolitano debe asumir un liderado que dependerá tanto do comportamento dos tres grandes motores da nosa economía metropolitana (automoción, construción naval e actividade portuaria) como da capacidade política de artellar un novo modelo de administración territorial baseado na creación dunha área metropolitana que funcione como centro equilibrador desa eurorrexión Galicia e Norte de Portugal de sete millóns de habitantes (o 12% de toda a península ibérica).(Manuel Bragado in Brétemas)

Vigo ten a responsabilidade de funcionar coma ponte económica e cultural entre ambas as dúas bandas do Miño, servindo de contrapeso á voluminosa área metropolitana de Porto e á rexión urbana da Coruña e Ferrol, das que nos separan na actualidade apenas unha hora e media de viaxe por autoestrada e un pouco menos cando funcione o tren atlántico de velocidade alta. (Manuel Bragado in Faro de Vigo)

Nunca me canso de repetir o que muitos (ainda que não os suficientes…) vêm dizendo há uma centena de anos (ou mais): há um óbvio contrasenso ao não encarar-se a unidade económica, geográfica e humana da região galaico-duriense. Nas duas últimas décadas, o desenvolvimento galego e a decadência da região entre Douro e Minho tem acirrado por estas bandas um espírito de combate pela disputa do movimento nos portos, aeroportos. Mas, felizmente, é maioritária a noção das afinidades e interesses mútuos. É só fazer as contas…

“unha confianza que perderon por méritos propios”

«De novo, eu xa debía ser aljo revoltoso, e meu abuelo sempre me decía “tranquilo, filliño, que aljún día han de vir os nosos”. E total, que botamos cuarenta anos a esperar que viñeran os nosos, e cando viñeron os nosos, resultou que eran coma os outros.»
(in Apunta, para non esquecer)

europorto

aviãozinho

A vantagem de não ser católico ou  muçulmano, é poder passar por cima de polémicas avulsas e voar até ao essencial:

Con un crecimiento del 13,74%, el Sá Carneiro cerró el mes de diciembre embarcando o recibiendo 4.534.829 pasajeros y creciendo en 547.829 clientes, con los que no solo superó la barrera de los cuatro millones de usuarios, sino que también rebasó con ellos la suma del tráfico consignado por los tres aeropuertos gallegos por primera vez en esta década. Oporto movió 351.769 personas más que Lavacolla, Peinador y Alvedro juntos, cuando estos habían cerrado el 2007 con 735.935 de ventaja sobre la segunda infraestructura aérea lusa. (in La Voz de Galicia)

Curiosamente (ou não) há quem entenda que el Sá Carneiro até pode dar prejuízo. Depende, dirá outro:  A ANA pratica taxas altas em Lisboa, para rentabilizar fortemente este aeroporto. Para não perder tráfego neste aeroporto, aplica as mesmas taxas ao aeroporto mais próximo (ASC), garantindo assim que quem quiser voar para Portugal (ou para fora) paga uma elevada maquia. Sendo o ASC um aeroporto menos atractivo em termos de localização, acaba por perder passageiros. Mais, tendo apenas uma taxa de ocupação de 30%* face ao seu máximo potencial*, deveria praticar um preço mais reduzido, por forma a optimizar a ocupação. (in Norteamos)

Com a mesma convição com que se planeou a Ota Alcochete, baralhando números na Portela, construiu-se um aeroporto em Beja:

 O aeroporto de Beja prevê atingir, entre partidas e chegadas, uma média de 178 mil passageiros em 2009, que poderão aumentar até 1,8 milhões em 2020, segundo as previsões da empresa responsável pelo projecto. (in Publico de 7/2/2007)

Porém, algo de extraordinário se terá passado porque no final de 2008 se dizia: este aeroporto[Beja, claro] vocacionado para os voos «low cost» continua em construção, sem acessibilidades e sem qualquer tipo de acordo para voos comerciais ou voos de carga (in TVI). Falta de planeamento? Falta de estudos? Não, que ideia! Se ao menos quem manda se dignasse a explicar o problema da falta das acessibilidades e como se pensa “contornar” o efeito concorrencial do aeroporto de Badajoz, certamente todos iriamos entender.

Entretanto, no ano passado deixou-se perder a oportunidade de ter uma base da Ryanair no Porto, que acabou por ir para Barcelona. Isto apesar do potencial extraordinário de deslocação de milhões de passageiros de toda a Europa para a região norte. A acrescentar ao que já acontece. E há vontade de ir ainda mais longe, se houver vontade política. O problema é que existem outras questões, nem políticas, nem económicas. Se calhar, não sei.

Não podemos admitir que o Aeroporto não seja considerado estratégico para a região e que não seja autonomizado. Não podemos aceitar que o poder central diga que o Aeroporto não tem grande relevo para a região, mas que seja um elemento que vá ajudar à realização dos aeroportos em Portugal. Isto é que manifestamente não”, acrescentou o Presidente da JMP. (in amporto)

Mas isto não é só falar mal do governo. É que me faz confusão porque andam as oposições parlamentares tão acirradas à volta de fait-divers  e não pegam nestas matérias que tão bem reflectem um certo modo de gerir a coisa pública.

Afinal, senão rentabilizamos o que temos e são valores seguros, que outras estratégias nos propõe para sairmos da crise?

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