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Posts tagged ‘emprego’

competências e competitividade

Os ventos sopram  tempos não andam de feição, posso ver daqui.

Há muitos, muitos anos atrás, numa galáxia muito, muito afastada (na realidade, o Portugal dos anos 70), li uma crónica de Augusto Abelaira onde era feito o elogio ao profissional-especializado-em-qualquer-coisa por oposição à formação generalista, tipo aristocrata. Dum lado, alguém que sabia a fundo tudo o que havia a saber sobre a sua área de trabalho; do outro, alguém que sabia alguma coisa, muito pouco certamente, de muitos e variados assuntos e actividades. Confesso que nesse tempo assumi uma irreprimível discordância desse ponto de vista.

Porém, tenho de concordar que não queria um canalizador em casa que soubesse assim-assim sobre canos e me deixasse o trabalho quase pior do que estava (na verdade já aconteceu). Por muito versátil que fosse nos seus gostos e dotes artísticos. O mesmo direi dum médico ou dum astronauta mecânico. Na verdade, digo isso da generalidade das actividades.

Mas reconheço, também, que os profissionais que se limitam a uma sólida cultura na sua área sem mais interesses, ideias e perspectivas do que a pequena (ainda que microscopicamente imensa) bolha de conhecimento adquirido em bancos de escola/universidade/fábrica/repartição/empresa, são pessoas geralmente chatas e porque não dize-lo? muuito chatas. Como ir a casa de alguém, tipo engenheiro-da-não-sei-das-coisas, e entrar na sala recheada de livros de engenharia, engenharia, engenharia. E até de engenharia. Ah, poesia diria levemente esperançado ao ver as Odes, de Álvaro de Campos, para logo ser decepcionado com a resposta: Esse aí?! Comprei porque o autor era engenheiro, dizem, mas afinal não tem nada a ver…!

"Ohhhhhhh...Olha para aquilo, Shuster...os cães são tão fofos quando tentam compreender mecânica quântica."

De facto, compreendo o interesse económico da exploração das monoculturas tipo eucalipto. Ou das urbanizações de prédios e casas todos iguais.

Mas entendo melhor a frustração de quem anda sem trabalho porque não se adequa ao perfil da generalidade das ofertas de emprego, em parte por ser “sobrequalificada” (e ter 45 anos), em parte por não haver procura (ou predisposição para valorizar) alguém que seja “multi-talentosa”.

 O mesmo se passa nos Jogos Olímpicos com o pentatlo ( cinco modalidades diferentes: hipismo, esgrima, natação, tiro esportivo e corrida): em vias de extinção devido à sua fraca popularidade.

Qualquer um se pode interrogar o que prefere para si mesmo: ser um excelente nadador ou atirador, corredor, etc, ou ser um razoável praticante de tudo isso à vez?

Uma civilização que não favoreça a diversidade acaba sempre por se dar mal. Mas isso sou eu a falar, um razoável automobilista, medíocre ciclista, peão envergonhado e nadador de esplanada de piscina.

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os desempregados não-empreendedores

No Centro de Emprego: "Recentes inqueritos revelam que os californianos estão ligeiramente mais optimistas com a economia em 2004..."

 Li as declarações do Presidente do IEFP sobre a falta de empreendedorismo dos desempregados, relacionando-a com a falta de empreededorismo nacional face à média europeia. De modo expressivo, o Público acrescenta números: “Em 2009, quando o número de desempregados que acorreu aos centros de emprego ultrapassou os 690 mil, apenas 6387 decidiram aproveitar os apoios do Estado“. O mesmo jornal refere-se que o dito presidente gostaria que a proporção fosse mais elevada.

 Pois…  Veja-se o caso (que garanto ser verídico) dum desempregado que meteu um projecto ao IEFP para montar uma micro-empresa em Janeiro de 2009: a) segundo uma portaria qualquer, a resposta do IEFP teria de ser dada obrigatoriamente em 90 dias b) mas foi logo avisado de que esse prazo não era para valer (quer dizer, já se sabia que ia muito além de 90 dias), o que  implicaria o indeferimento do processo, mas, claro, tal nunca acontecia por essa razão c) 150 dias depois (mais ou menos) é chamado pela 1ª vez ao IEFP, só para entregar uma declaração ou outra em falta (irrelevantes para a apreciação do projecto) d) 270 dias depois (mais ou menos) recebe o indeferimento por inviabilidade económica.  (mais…)

contra-revolução?

"El éxito del proceso que ahora se inicia dependerá del aseguramiento político que desde el movimiento sindical y bajo la dirección del Partido los dirigentes sindicales demos previamente a las acciones que se deben emprender"(in Pronunciamiento de la Central de Trabajadores de Cuba)

Curiosa polémica aberta entre a Central de Trabajadores de Cuba e o “nosso” PCP, como se pode analisar nas páginas do Granma e do Avante, respectivamente: (…) En correspondencia con el proceso de actualización del modelo económico y las proyecciones de la economía para el periodo 2011-2015, se prevé en los Lineamientos para el año próximo la reducción de más de 500 000 trabajadores en el sector estatal y paralelamente su incremento en el sector no estatal. 

 El calendario para su ejecución está concebido por los organismos y empresas, hasta el primer trimestre del 2011. (…) Es conocido que el exceso de plazas sobrepasa el millón de personas en los sectores presupuestado y empresarial.  (…) Nuestro Estado no puede ni debe continuar manteniendo empresas, entidades productivas, de servicios y presupuestadas con plantillas infladas, y pérdidas que lastran la economía, resultan contraproducentes, generan malos hábitos y deforman la conducta de los trabajadores.  

Es necesario elevar la producción y la calidad de los servicios, reducir los abultados gastos sociales y eliminar gratuidades indebidas, subsidios excesivos, el estudio como fuente de empleo y la jubilación anticipada.(…) Para el tratamiento laboral de los trabajadores que en una entidad o puesto de trabajo resulten disponibles, se amplia y se diversifica el actual horizonte de opciones con nuevas formas de relación laboral no estatal como alternativa de empleo: entre ellas están el arrendamiento, el usufructo, las cooperativas y el trabajo por cuenta propia, hacia donde se moverán cientos de miles de trabajadores en los próximos años.  

(in Granma, sublinhados meus)  

Ou seja, e de acordo com as políticas neo-liberais (“menos Estado é melhor Estado”) e o revisionismo assumido por Fidel de Castro (‘O modelo cubano não serve nem para nós‘), a resposta à crise é feita à custa dos trabalhadores, da precariedade do trabalho, do retrocesso das condições de vida da grande massa trabalhadora (neste caso, tantos os “velhos” como os “jovens”). Como não podia deixar de ser, o PCP soube dar a resposta no momento e no tom certo: “Política de direita com resultados à vista  

Com esta política, nem se combate a crise, nem se resolvem os problemas nacionais que assumem uma nova e mais preocupante dimensão. O resultado está à vista no elevadíssimo desemprego, que permanece a níveis nunca antes atingidos e sem perspectivas de inversão; no prolongamento da estagnação económica, com destruição da capacidade produtiva nacional, no empobrecimento relativo do País (…); na persistência dessa larga mancha de pobreza (…). Mas igualmente na amplitude da precariedade das relações laborais, que está a contribuir, juntamente com o desemprego, para o acelerado retrocesso das condições de vida da grande massa trabalhadora, particularmente dos jovens.” 

(in Avante, sublinhados meus)

a esmola dum trabalho

Amiga minha, desempregada há anos, jé me havia contado o seguinte fenómeno: volta e meia recebe um postal do centro de emprego a saber se continua desempregada, ela devolve a carta confirmando a situação; mesmo assim, três vezes por ano, pelo menos, descobre que o centro de emprego dá baixa da sua condição de desempregada. Motivo: não receberam o referido postal. Culpa dos CTT, certamente digo-lhe eu. Que não, responde-me, a “perda” duns tantos postais como o dela ajudam as estatísticas a devolver a confiança aos portugueses. Isso já é maldade, replico. Pois é o que penso sempre que ouço no telejornal mais uma descida do número de desempregados, insiste ela.

(mais…)

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