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a luz ao fundo do túnel…

Partidas que não deixam saudades, chegadas que se saúdam, palavras de ânimo e realismo.

Sem ter de chegar ao mítico moto blood, sweat and tears, mais vale ouvir que dói,vai doer mais, e, mesmo assim, é por aí que se poderá evitar a gangrena generalizada, do que viver num país surreal.

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"Sim...estamos agora mesmo a muda-la." Placa: "Benvindo à LUZ NO FUNDO DO TUNEL"

E surreal é o país que votou dum modo em Setembro de 2009, dois anos e meio depois vota de modo bem diferente. Mais sensato, será?

É perguntar a todos os que abdicaram de assumir o risco duma decisão (mais de dois milhões de eleitores), pois esses, quando se dão ao trabalho de justificar, elaboram preciosas pérolas de ciência política tipo são todos iguais…para quê votar?

Claro que, em regime democrático, há sempre o desolador quadro de gente banal e sem especial brilho, escolher como dirigentes (a termo certo) gente sem brilho especial e, até, banal.

Nada como o fulgor do génio dos Grandes Timoneiros, Queridos Líderes, Pais da Pátria, Generalíssimos, e outros homens providenciais.

Ainda bem, dirão os que têm memória. O dia-a-dia das pessoas felizes faz-se de banalidades. Como o velho Cícero dizia: mediocridade dourada.

Sem deixar de assumir riscos, opiniões contraditórias. E paixões, de preferência criativas.

Isso. Cultura, claro.

E ninguém espere que seja um governo a distribui-la por decreto. Há que a cultivar na horta das traseiras lá de casa, ou nas floreiras por mais exíguas sejam. E trazê-la para os mercados e feiras onde seja transacionada em géneros e espécie.

Sem pressas, mas sem esquecer que o futuro já começou há muito tempo atrás.

 

 

 

 

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business, as usual

Deus: "Ah, Noé...só mais uma coisa: com as mudanças climatéricas, este será o vosso clima para sempre."

Num dia, numa noite, daqui a muito tempo ( ou já no final do século), quem se dedicar a entender a crise económica e política deste “nosso tempo”, certamente ficará maravilhado pelo modo cândido e complacente como, sabendo de tudo, aceitamos tudo o que nos acontece e ainda virá a acontecer.

Que um país fosse à falência por causa das dívidas dos bancos, estes no exercício da sua actividade privada, é uma das pérolas de sabedoria a reter.

Que a maior economia mundial entre em profunda crise financeira ( e tudo o mais que se lhe segue), por causa de bancos e seguradoras que vendem algo que não entendo muito bem, mas têm poéticos nomes como “activos tóxicos” ou “obrigações de lixo” ao longo de anos, parece ser a própria definição da lei karmica da retribuição.

O que será motivo de maior espanto, não duvido, para esse hipotético futuro colecionador de curiosidades dos tempos passados (que serão “o nosso tempo”, então), será daquele pequeno país portugal que tentou fugir à crise mundial até ao último momento.

Como que a responder às dúvidas do colecionador hipotético futuro, um cronista da época passada (que ainda é a corrente, do nosso ponto de vista presente e garantido) adianta a resposta: casualidade, causalidade.

Que é como quem diz: em Março de 2011, fulano deixa a entidade A antes do termo do seu mandato enquanto presidente, por entender que já havia cumprido a missão para que o governo o nomeara.

Logo a seguir, uma coisa denominada Tribunal de Contas afirma por auditoria feita à dita entidade A que esta conseguiu renegociar brilhantemente uma dívida e, em vez de ficar a dever 178, passa só a dever 10000 (a unidade de valor é o milhão de euros). Saiba-se, ainda, que um dito consórcio B (liderado pelas empresas C e D) será o contemplado por mais de metade dessa verba renegociada.

Finalmente, em Maio de 2011, e em vez de se refugiar num merecido descanso após a missão cumprida em menos tempo do que o tempo que tinha para a executar, o dito fulano acima referido,vai continuar a “reestruturar empresas” e passa a liderar uma empresa E que pertence à empresa D que integra o consórcio B que renegociou a dívida com a entidade A de que o tal fulano fora presidente.

E, assim, para memória futura, fique registado com que malhas este pequeno império tece a sua tenaz resistência à crise mundial responsável por todos os nossos males.

P.S.: e para que ao futuro colecionador hipotético não lhe falte o arrepio duma conspiração bem mais incrível do que a de qualquer código da vinci, fica aqui a referência a este outro passado cronista. Porque a questão socrática do “conhece-te a ti mesmo” deve ser alargada para além do próprio Sócrates.

outros filmes, o mesmo enredo

A propósito do primeiro-ministro: “O tipo tem dito tantas mentiras, e continua repetindo-as tantas vezes, que depois dum tempo tornam-se verdade. Por isso penso que Portugal Itália mudou para sempre. Está definitivamente estragada. (Nanni Moretti in Guardian)

a nova seita

O quê?! Isto já chegou a este ponto?!_exclamei para mim mesmo quando vi a imagem acima, mas felizmente era um mau filme de ficção  a passar na TV e eu acabara de acordar no sofá. Do filme só lembro que se passava numa terra bué bué de longe, noutra galáxia e dimensão, a que chamavam Portugal.

Entretanto,no planeta Terra, alguém avisa, num raciocínio cartesiano que poderia ser do famoso e pouco conhecido Velho do Restelo: Estamos agora prontos para perder a soberania que nos resta e ficar dependentes do estrangeiro para sobreviver, sem que ninguém verdadeiramente saiba qual vai ser o futuro da Nação que deu novos mundos ao mundo. São estas algumas das razões porque, pelo menos para mim, apoiar quem nos colocou nesta situação está fora de questão e não faz qualquer sentido. (Henrique Neto in Diário de Leiria).

E avisado que estou, dá-me para recordar o tal mau filme na TV e outras palavras, não menos sábias:

O senhor deve de ficar prevenido: esse povo diverte por demais com a baboseira, dum traque de jumento formam tufão de ventania.

Por gosto de rebuliço. Querem-porque-querem inventar maravilhas glorionhas, depois eles mesmos acabam crendo e temendo.

Parece que todo o mundo carece disso. Eu acho, que. (in Grande Sertão: Veredas)

pão-de-ló e amêndoas amargas

Bem sei que é páscoa e tal, o futebol está bem e recomenda-se, mas a alta política impõe-se. A saber: no congresso em Matosinhos, o PS assume que a política do chefe é a opção assumida dos militantesos escolhos as escolhas políticas de Passos Coelho retratam a maturidade e a reflexão da alternativa, o desinteresse assumido do PCP e do BE em enfrentar a crise está ao nível dos dois partidos anteriores. Aparentemente, o PP está seguro de que depois de 5 de Junho alguém terá de lhe telefonar a pedir qualquer coisa, et pour cause, está sereno e não se compromete.

Posto tudo isto, que interessa o resto pelo mundo fora?

Ou, para ser mais mesquinho, de que vale pensar no que se deve pode fazer para resolver aqueles pequenos problemas do dia-a-dia?

Como se pode ler abaixo, por exemplo:

Quais são os mitos e os erros da política económica em Portugal?

  • O Grande
  • O Concentrado, numa Região, em poucas pessoas
  • As cidades criativas
  • O Ganho das Economias de Escala, em se pretender tudo fazer de uma só vez
  • A Internacionalização, descurando o mercado interno
  • Os Resultados rápidos, por uma exigência das Bolsas, de 3 em 3 meses
  • Os Oligopólios nos bens não transaccionáveis: energia, telecomunicações, estradas, saúde

O que fazer? O contrário.

  • As micro e PME’s
  • A Regionalização
  • O regresso ao interior, para o qual as linhas ferroviárias regionais são essenciais
  • As obras públicas repartidas por pequenas adjudicações que fomentem a eficiência pela concorrência e a baixa dos preços e não pelo monopólio de grandes obras em que só alguns conseguem concorrer
  • O mercado ibérico, a Euroregião Galiza – Norte de Portugal – Castela e Leão
  • O capital paciente e os resultados uma vez por ano
  • A concorrência nos bens não transaccionáveis
(José Ferraz Alves in A Baixa do Porto)
Entretanto, o país folga mais um pouco.

apologia de sócrates

Na Atenas do sec. IV a.C., Platão apresenta Sócrates como um cidadão que assume o respeito pela Lei ao ponto de recusar a fuga da prisão, onde permanecerá até lhe ser aplicada a pena de morte a que fora condenado: beber um cálice de cicuta. Apesar de não se reconhecer culpado da acusação, o velho mestre entende que desrespeitar as leis da Cidade (que sempre aceitou), quando estas o prejudicam, não seria justo.

Ao contrário, no Portugal do sec.XXI d.C., Sócrates fará o país beber a cicuta até ao fim.

na luta e à rasca para que lhes dêem cavaco

Que uma cantiga (ou um número cómico metido num festival de cantigas) se tornem em bandeiras do descontentamento não é inédito. Nem vale a pena especular significados profundos, a menos que se ignore o ambiente político e social dos últimos anos, ao qual a “crise” internacional só vem agravar acentuar os contornos. Nem esperar pelo caos ou pela redenção.

Mas o facto de marcarem a agenda política é sinal de que o pântano (finalmente!) se agita. Coincidência ou não, já há quem fale na necessidade dum “sobressalto cívico faça despertar os portugueses para a necessidade de uma sociedade civil forte, mais autónoma dos poderes públicos“.

 

 

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