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Posts tagged ‘ditadura’

quem dera que dê certo

Curiosas cumplicidades (mais esta) quando caem ou tremem as ditaduras. Esbatem-se ideologias e ódios frente aos negócios, aos interesses comuns, à comum maneira de gerir países como um assunto de família. Nada disto é novo; os mesmos erros, a mesma canalhice, o mesmo sentido de oportunidade. E não têm razão aqueles que justificam ajudas económica e outras, confrontados com uma opinião pública atenta ao cadastro dos regimes: “Se não formos nós, outros hão-de fazê-lo por nós e tirar o proveito”? O pior é que têm essa parte da razão.

Se as ditaduras tremem e recuperam o domínio, passam por um período de nojo internacional, prosseguindo adiante até à próxima crise.

Se caem, é a festa. Mas o desfecho é muito variável: quando os militares se metem na política, uma ditadura pode suceder à outra; o regime deposto pode ter força para conduzir uma campanha terrorista que compromete o futuro; os donos da verdade conduzem campanhas de ódio e perseguição contra toda a manifestação de tolerância e racionalidade; vizinhos incómodos alimentam a destabilização que entendem conveniente; falsos amigos idem.

Por vezes, com alguma ajuda externa e muito bom senso próprio, é possível recomeçar a construção dum país.

 

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Orlando Zapata Tamayo

A morte dum trabalhador pobre e, provavelmente, sem grande instrução académica, na luta pela liberdade no seu país, se já é motivo de notícia e pesar, é particularmente chocante quando decorre duma greve de fome que durou mais de oitenta dias. Não houve, ou tenho andado muito distraído, uma campanha de alerta para esta sua luta final. Em particular, sinto o amargo de quem não redigiu uma curta linha sequer a seu respeito.

Canalizador de origem muito humilde, Orlando Zapata era membro da organização de defesa dos direitos civis Directório Democrático cubana (ilegal) quando foi preso em 2003. Foi inicialmente apanhado na vaga de repressão contra a oposição em Março daquele ano, em que dezenas de pessoas foram acusadas de conspirar com os Estados Unidos para derrubar o regime de Havana e todas foram condenadas a penas pesadíssimas, que chegaram aos 28 anos de prisão.

Na altura, porém, Zapata não foi julgado no chamado processo do Grupo dos 75 – mas condenado a três anos de prisão por desacato e desobediência. Mas, devido à atitude de desafio que manteve, foi sendo constantemente condenado em novos crimes, somando um tempo de prisão que chegou a quase 30 anos. (in Público)

Sobre o regime ignóbil de Cuba e seus dirigentes, basta saber que o actual presidente atribui a morte aos Estados Unidos “por encorajar ese tipo de protestos” (in Público). (mais…)

o ovo parlamentar e o partido-galinha

Curiosa “esta persistência em manter-se nos cargos para os quais foi eleita apesar da existência de um compromisso escrito que levaria à sua substituição que está no cerne da guerra com o PCP e que conduziu, agora, à expulsão(…)”.

A deputada eleita pelo Povo tem um prazo de validade que o Partido, melhor que ninguém, conhece. A Constituição o quê?! Não interessa, o que vale são os “compromissos escritos” perante o Partido. (mais…)

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