novidades e outras coisas

Posts tagged ‘cuba’

resignações

Estas duas cartas (ver abaixo) revelam um estilo tipo aquele-copiou-daquele, tal o rigor da formatação e a humildade manifesta.

Porém, elas recusam as insinuações do difamador que os acusou de “iludir o inimigo externo” , entre outras felonias: “no novo posto de trabalho” ou “com lealdade e modéstia”, um e outro asseguram que irão servir/defender a “Revolução” como asseguram tê-lo feito anteriormente.

Aguardo ansioso até se tornarem públicos os referidos erros cometidos que o “Buró Político” analisou e com que concordam plenamente, assumindo as responsabilidades. Assim ficará mais fácil saber as responsabilidades de quem chefiava o governo na época (dos ditos cujos erros) e que poderá, eventualmente, padecer das mesmas “ambições que os conduziram a um papel indigno“.

Digno de nota é a fórmula distinta como reafirmam sua “fidelidade” à mesma trilogia: um começa no “Partido” e termina em “Usted” (aka Compañero Raúl) e outro começa em “Fidel” e termina no “Partido”, deixando pelo meio “usted” (aka Querido Raúl). Haverá aqui alguma subtileza que me escapa?

Seja como for, não entendo como depois dum processo eleitoral tão profundo para elege-los  deputados à Assembleia Nacional do Poder Popular, os dois se demitam da função para que foram eleitos pelo Povo sem darem uma satisfação ao seu eleitorado. Mas certamente ainda o hão-de fazer. Por muito menos, o velho Stalin nunca perdia estas oportunidades para prestar contas ao povo (eram outros tempos, é certo).

Compañero Raúl...

Compañero Raúl...

Querido Raúl

Querido Raúl

Curiosamente, e talvez porque alguns erros já estejam a ser corrigidos, o “inimigo interno” está, hoje, assim:
index

o mel do poder e o ferrão da vespa

Uma coisa boa nas sociedades democráticas é a existência da imprensa livre. Na verdade, uma sem a outra não existe. É o caso de Cuba, certamente.

a santíssima trindade

a santíssima trindade

Depois de lido  lacónico comunicado oficial sobre uma tranquila remodelação de ministros, segue-se este comentário venenoso num órgão de comunicação social:  La razón era otra. La miel del poder por el cual no conocieron sacrificio alguno, despertó en ellos ambiciones que los condujeron a un papel indigno. El enemigo externo se llenó de ilusiones con ellos. (in Granma)

O mel do poder não é para todos, claro, só para quem “conheceu” sacrifícios. Razão porque depois fica difícil larga-lo. Mas daí ao mel “despertar ambições que conduzem a papéis indignos” é que não pode ficar sem explicações. Principalmente quando se chega ao extremo de “encher de ilusões o inimigo externo” (porque o “interno” não foi em cantigas, digo eu)*.

Isto é assunto para abalar a credibilidade do governo anterior. Quiçá do próprio regime. Imagino a polémica interna que estas palavras irão causar: o desmentido veemente do governo, a reacção dos acusados nos media e nos tribunais, o aprofundar do sentido das “ambições”, “indignidades” e “ilusões”  por parte do próprio acusador. Afinal, os visados estavam no governo há uns pares de aninhos…

* pero a mí me parece puro juego de “gallinita ciega” 

“La actividad prevista para los próximos días no puede ser realizada”

No están interesados en escuchar, hay un guión escrito sobre la mesa y nada que yo haga los distraerá. Son profesionales de la intimidación.

Esto de ser una blogger que pone su nombre y su rostro me ha hecho creer que todos están dispuestos a colocar su identidad acompañando lo que dicen (in Generación Y)

four-students-by-jacob-lawrence

blá, blá, blá

Não sabemos como estão a ser acompanhados posteriormente estes idosos e isso preocupa-nos (ministra da saúde in DD)

E isso é reconfortante para quem está nas listas de espera 4 anos, é tratado às cataratas num olho e espera mais um ano para ser operado às cataratas do outro olho. Sendo octogenário, ainda mais sensibilizado deve ficar com tanta preocupação.

Assim como é estimulante assistir ao espectáculo de criticas às autarquias que levam os “seus” velhos a Cuba: é mais caro, não é tão seguro e, se estivessem mesmo preocupadas com os seus munícipes, teriam antes estabelecido protocolos com os hospitais privados ou as misericórdias.  

É o que há de bom neste país: não se pode dizer a alguém “olha, comprei isto e aquilo por tanto”, que logo aparecem dúzias de amigos, solícitos ou indignados, a contrapor “pois foi caro, se me tivesses falado dizia-te onde compravas por muito menos”.

Já agora, não sendo este assunto uma pura novidade, o que faz tanta gente, de repente, se preocupar com as “viagens” a Cuba?

E será que não podem aproveitar a embalagem para encerrar outras listas de espera do mesmo modo expedito (misericórdias, privados, seja lá o que houver)?

 

 

humildade

balseros.jpg

“Solicito, por isso, a esta assembleia, como órgão supremo do Estado, que nas decisões de grande importância para o destino da nação, sobretudo as ligadas à defesa, política estrangeira e ao desenvolvimento económico do país, me seja permitido” consultar Fidel, acrescentou (in O Público)

valerá a pena gastar dinheiro na recuperação dos deficientes?

Não é a primeira vez que vejo reportagens sobre estes tratamentos em Cuba. Mas sempre que vejo fico impressionado com os resultados e a qualidade do trabalho feito pelos fisioterapeutas.

Conheço pouco sobre o apoio dado em Portugal para pessoas com problemas deste género, mas o pouco que conheço leva-me a concordar com a apreciação feitas por alguns portugueses que se deslocaram a Cuba: em Portugal os médicos cedo retiram todas as esperanças duma recuperação (entenda-se: recuperação de alguma autonomia, pelo menos), os tratamentos são de curta duração e pouca intensidade, o abandono do “inválido” é precoce.

Porém, deslocando-se a Cuba, a situação é completamente oposta: há um acompanhamento a todas as horas do dia, por diversos terapeutas que se vão revesando, trabalhando manualmente músculos, articulações, todo o corpo, e os resultados são notáveis.

Milagre, certamente não é. Só muita dedicação, qualidade e trabalho.

Nuvem de etiquetas

%d bloggers like this: