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contra-revolução?

"El éxito del proceso que ahora se inicia dependerá del aseguramiento político que desde el movimiento sindical y bajo la dirección del Partido los dirigentes sindicales demos previamente a las acciones que se deben emprender"(in Pronunciamiento de la Central de Trabajadores de Cuba)

Curiosa polémica aberta entre a Central de Trabajadores de Cuba e o “nosso” PCP, como se pode analisar nas páginas do Granma e do Avante, respectivamente: (…) En correspondencia con el proceso de actualización del modelo económico y las proyecciones de la economía para el periodo 2011-2015, se prevé en los Lineamientos para el año próximo la reducción de más de 500 000 trabajadores en el sector estatal y paralelamente su incremento en el sector no estatal. 

 El calendario para su ejecución está concebido por los organismos y empresas, hasta el primer trimestre del 2011. (…) Es conocido que el exceso de plazas sobrepasa el millón de personas en los sectores presupuestado y empresarial.  (…) Nuestro Estado no puede ni debe continuar manteniendo empresas, entidades productivas, de servicios y presupuestadas con plantillas infladas, y pérdidas que lastran la economía, resultan contraproducentes, generan malos hábitos y deforman la conducta de los trabajadores.  

Es necesario elevar la producción y la calidad de los servicios, reducir los abultados gastos sociales y eliminar gratuidades indebidas, subsidios excesivos, el estudio como fuente de empleo y la jubilación anticipada.(…) Para el tratamiento laboral de los trabajadores que en una entidad o puesto de trabajo resulten disponibles, se amplia y se diversifica el actual horizonte de opciones con nuevas formas de relación laboral no estatal como alternativa de empleo: entre ellas están el arrendamiento, el usufructo, las cooperativas y el trabajo por cuenta propia, hacia donde se moverán cientos de miles de trabajadores en los próximos años.  

(in Granma, sublinhados meus)  

Ou seja, e de acordo com as políticas neo-liberais (“menos Estado é melhor Estado”) e o revisionismo assumido por Fidel de Castro (‘O modelo cubano não serve nem para nós‘), a resposta à crise é feita à custa dos trabalhadores, da precariedade do trabalho, do retrocesso das condições de vida da grande massa trabalhadora (neste caso, tantos os “velhos” como os “jovens”). Como não podia deixar de ser, o PCP soube dar a resposta no momento e no tom certo: “Política de direita com resultados à vista  

Com esta política, nem se combate a crise, nem se resolvem os problemas nacionais que assumem uma nova e mais preocupante dimensão. O resultado está à vista no elevadíssimo desemprego, que permanece a níveis nunca antes atingidos e sem perspectivas de inversão; no prolongamento da estagnação económica, com destruição da capacidade produtiva nacional, no empobrecimento relativo do País (…); na persistência dessa larga mancha de pobreza (…). Mas igualmente na amplitude da precariedade das relações laborais, que está a contribuir, juntamente com o desemprego, para o acelerado retrocesso das condições de vida da grande massa trabalhadora, particularmente dos jovens.” 

(in Avante, sublinhados meus)

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afinal, enganei-me…

…ninguém precisou de morrer, desta vez.

Las autoridades cubanas informaron además que los 47 prisioneros que restan de los que fueron detenidos en 2003, serán puestos en libertad y podrán salir del país. Esta gestión será concluida en un periodo de tres a cuatro meses a partir de este momento. Este proceso ha tomado en consideración las propuestas expresadas previamente al cardenal Ortega por los familiares de los presos.(da “nota de prensa do Arcebispado de la Habana” in Granma)

 É curioso como certos assuntos são tratados: a dissidência é tratada como crime e os presos políticos incriminados como presos comuns; de quando em vez, sempre pelas más razões, o regime condescende se surgir um interlocutor qualificado (Igreja, um membro de governo dum outro país).

Porém, ao país e aos cidadãos do país não há satisfações a dar.

Mas sejamos positivos: Fariñas acabou com a greve de fome. Ou, pelas suas próprias palavras: “Este confronto entre democratas e antidemocratas não tem vencedores, nem vencidos, só Cuba, nossa pátria, ganhou“.

crónica duma morte anunciada

Uma reportagem inédita num país sem novidades:

[Guillermo Fariñas] incluso, dice que no quiere irse para ninguna parte —pese a que le han hecho, según refiere— propuestas para llevarlo al extranjero. Sin embargo, afirma que no se va porque aquí está la gente que le ha salvado la vida. Él confía en nuestra medicina. (Armando Caballero, chefe dos Serviços de Terapia Intensiva do Hospital Universitario Arnaldo Milián Castro, onde Guillermo Fariñas prossegue a sua greve de fome há 120 dias in Granma)

 Alicia Hernández, a mãe de Fariñas, interpretou esta publicação sem precedentes na história do Granma como uma tentativa do Governo de “fugir às responsabilidades” face ao estado crítico a que chegou o opositor ao regime. (…) O artigo dizia que Fariñas se recusava a comer, mas não dizia o motivo pelo qual o fazia – exige a libertação de 26 dissidentes doentes. (in Publico, sublinhado meu)

opinar ou não opinar…

A propósito do meu post sobre a greve de fome e os protestos pela liberdade em Cuba, F. Míguez suspende cartesianamente o juízo sobre a veracidade das informações que lhe chegam de Cuba e Venezuela:

Só podo opinar polo que leo e me contan nos medios, pero como uns medios tiran para un lado e os outros… contra ese mesmo lado ¿cómo podo saber se o que sei e certo, para poder opinar?” (F. Míguez aqui na caixa de comentários)

Bem, Míguez, a minha leitura dos media é selectiva e dou créditos aos títulos que reservam amplo espaço à polémica, aos debates e estudos onde possa verificar fontes, autores, testemunhos, critérios. Depois gosto de cruzar a informação entre diversos títulos e fontes, comparando estilos e metodologias. A consistência da informação pode ser reforçada (ou não) ao longo do tempo com o avolumar de assuntos tratados neste e naquele media que sigo. Além do mais, muita da informação/opinião tem uma assinatura e um rosto. Para mim não é difícil aceder a informação sobre Cuba ou à propaganda ferozmente pró/anti-castrista.

Ora, o que me posso aperceber é que em Cuba é muito complicado ter acesso a opiniões públicas críticas ao regime, e percebo isto pela simples consulta da imprensa on-line cubana. Essa é a questão de fundo para me elucidar sobre a natureza dum regime, não me comovendo as justificativas clássicas de que ou somos pela Pátria-Revolução-Deus-Grande Líder ou somos contra (e nesse caso ficamos sob suspeita de prestarmos serviço a outra Entidade). Basta ler o Granma para perceber a mentalidade autoritária do regime castrista, não tendo qualquer dúvida dos perigos que qualquer opositor corra num país assim.

Sobre o falecido Orlando Zapata Tamayo leio no Granma que se tratava dum criminoso comum “amamentado” por embaixadas estrangeiras (haviam de ser embaixadas cubanas, no?!). Verdade, mentira? A verdade é que o homem seguiu com a greve de fome até ao fim. A greve de fome não concede “santidade”, a posse da verdade ou o monopólio do sentido de justiça a quem está disposto a leva-la às últimas consequências, mas dificilmente se encaixa no perfil dum mercenário. Porém, se eu vivesse em Cuba essa é a informação que teria “direito”.

E quando vejo as manifestantes serem acossadas por “milícias populares” por se exprimirem contra o regime, como posso suspender o juízo quanto à luta que ali se trava? Pior ainda, só mesmo a cobertura “jornalística” na televisão cubana…

“delitos” de opinião

"Pela libertação imediata e sem condições de todos os presos políticos das prisões cubanas" in Petição

  

Para que servem os abaixo-assinados? Se tiverem alguma amplificação mediatica, no mínimo chateiam. No caso deste que aqui subscrevi, é o mínimo que se pode fazer em prol de quem vive uma situação insuportável. Um texto duro, factualmente exacto, apontando responsáveis, é salutar e passível de discussão.     

Nem tenho a inocência dos anos 70-80 do sec.XX, em que havia a postura políticamente correcta de criticar os Estados Unidos sempre que se criticava a União Soviética. Há sistemas políticos que foram concebidos para se autoregularem e sistemas políticos concebidos para regularem os outros. A tortura institucionalizada pela Administração Bush foi denunciada e combatida no interior do próprio sistema político norte-americano, enquanto em Cuba os donos do Poder têm o mesmo nome há mais de 50 anos e não concedem o direito ao contraditório, quanto mais à independência do poder judicial.    

Há dias qualifiquei de “ridículo” outro abaixo-assinado a propósito do mesmo drama dos presos políticos cubanos, dirigido à Embaixada de Cuba. De facto, não tenho pachorra para os arranjos florais de textos que procuram não ferir sensibilidades ideológicas. E ainda me deixo surpreender com a obscenidade, a propaganda acéfala e insultuosa.     

Porque, na realidade, o meu critério não está em escolher entre os bons e os maus. Prosaicamente, avalio um sitema político que permite aos leitores de jornais ler isto “No es iluso pensar que el extraño privilegio de Cuba, Venezuela, Irán o la República Popular China en las Resoluciones del Parlamento Europeo, persiguen un objetivo común: cuestionar la política interna y exterior, magnificar los problemas de países cuya trayectoria progresista, desarrollo económico o política diferenciada, “preocupa” a quienes dictaminan qué puede o no hacer cada quien en uso de su soberanía nacionale, por contrapartida, ler isto “Si algún país del mundo tiene un verdadero programa para lograr la reeducación del hombre y su reinserción en la sociedad, ese es Cuba, en cuya concepción y puesta en práctica desempeñó Fidel un papel protagónico “. E para variar, ainda ler que “el Parlamento Europeo acaba de aprobar, luego de un sucio debate, una resolución de condena contra nuestro país que manipula sentimientos, tergiversa hechos, esgrime mentiras y oculta realidades“. Ou seja, podendo todos assim concluirem livre e ajuizadamente que “Exceptuando a sus familiares y a los médicos, ninguno de sus afines en las actividades políticas contra el Gobierno de Cuba fue a los hospitales a pedirle a Zapata Tamayo que abandonara la huelga, nadie le dijo que desistiera porque peligraba su vida, esas imágenes no existen“.   

actualização do fim de dia:   

 

   

Cerca de 30 Damas de Branco, grupo que reúne mães e mulheres de presos políticos cubanos, foram detidas pela polícia quando efectuavam um desfile no bairro de Párraga, em Havana, e metidas à força em dois autocarros.(in Publico)   

Estava presente no desfile a mãe de Zapata Tamayo…  

  

  

“Dizer isto não basta, todavia. “

(…) Ora são maus porque não são políticos, mas delinquentes de direito comum; ora são péssimos porque assumem posições políticas nefandas.A conclusão, escondida mas com o rabo de fora, é que a ditadura não reconhece a diferença entre a criminalidade e a oposição política. O que é motivo bastante para nos solidarizarmos com os perseguidos. (Miguel Serras Pereira in Vias de Facto)

a luta continua

Cinco opositores ao regime entraram em greve de fome para pedir a libertação dos cerca de 200 prisioneiros políticos que se encontram detidos em Cuba. (in Público)

Tengo tantas ganas de gritar, pero me quedé ronca el 24 de febrero. (in Generación Y)

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