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Croácia

A entrada dum novo membro para a Comunidade Europeia (CE) é sempre uma boa notícia, principalmente num período em que a CE sofre a maior crise de sempre.

A Croácia, curiosamente, já pertenceu a uma outra comunidade e dela saiu para entrar numa guerra de extrema crueldade contra outros membros dessa mesma comunidade.

Na altura, a CE podia ter tido um efeito moderador, mas falhou de modo escandaloso. Que a Croácia, a Sérvia e outros ex-membros da ex- Iugoslávia tenham aprendido alguma coisa com a sua experiência nos últimos 100 anos pode parecer evidente, mas nada é mais incerto. Porque a Europa da CE parece ter desaprendido aquilo que esteve na base da sua criação.

O “sonho europeu” pode ser um sonho, realmente, mas também é uma necessidade que a geopolítica colocará sempre na ordem-do-dia. Afinal, para o ano a Europa irá celebrar o centenário duma triste efeméride: uma das maiores guerras civis europeias, mas nem a maior, nem a mais recente.

A chegada da Croácia à CE este ano e da Sérvia, em breve (espero eu…), são boas notícias.

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em trânsito para o novo ano

Imagem

Tendo visto com que lucidez e coerência lógica certos loucos justificam, a si próprios e aos outros, as suas ideias delirantes, perdi para sempre a segura certeza da lucidez da minha lucidez.” (Bernardo Soares in O Livro do Desassossego ed.Assírio Alvim, 2001)

o fim do mundo…

…ainda não é hoje. Talvez.

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titanic

Faz hoje 100 anos que aconteceu o famoso naufrágio. Curioso, quando era miúdo parecia-me uma história de tempos muito remotos. Agora, apanhou-me de surpresa terem passado somente 100 anos.

Apesar do impacto que teve na época, não passou dum episódio dramático e sem consequências para o mundo. Porém, ficou a imagem do enorme barco demasiado grande para afundar (e que foi ao fundo a meio da 1ª viagem) e do critério de prioridade de acesso aos barcos salva-vidas (passageiros de 1ª classe primeiro…). Como alegoria da corrente crise económica na Europa e América do Norte é impecável, e nos últimos anos tem sido usada abundantemente. Desde as entidades financeiras e economias nacionais “demasiado grandes para irem à falência”, ao prudente critério de todos os idosos com necessidade de hemodiálise terem direito ao tratamento se pagarem, a poderosa imagem do Titanic funciona como a dum mito grego sempre rico em novos sentidos e actualidade.

Como todas as comparações e simbolismos, tem os seus limites: o capitão do Titanic não abandonou o barco, nem os passageiros que ficaram sem salvamento.

Sendo optimista por natureza, desvalorizo o detalhe histórico da Europa e América do Norte terem vivido décadas de paz e prosperidade até dois anos e meio depois do naufrágio. O calendário maia não é para aqui chamado.

um santo natal

“Serei eu uma cínica, mas…”

…(fazendo fé no que li) nada disto é para mim uma surpresa. ( in Os Tempos e as Vontades)

“Si Europa estuviera de veras unida …”

¿Qué falló para que la más generosa e idealista empresa política de nuestro tiempo haya entrado en estado agónico?(…) Pero, la verdad, este formidable proyecto careció siempre de calor popular(…) Si la Unión Europea se desintegra, los países europeos estarán mucho peor de lo que están ahora, todos, los prósperos como Alemania, Francia y los países nórdicos, y los empobrecidos, como Grecia, Irlanda y España.(…) Y si la Unión Europea sobrevive, tal vez su ejemplo inspire a otras regiones del mundo (mario vargas llosa in el país)

este ano não houve “silly season”

Se algo de certo se pode concluir da confusão que se instalou na última década e que levou à incerteza generalizada (ou sistémica) em que vivem os países europeus e norte-americanos em especial, é a do valor dum bom debate e do confronto de soluções.

Aqueles que têm memória não esquecem a pressão dos governos, dos media, das “opiniões públicas”, dos “fazedores de opinião”, etc, quando surgiam vozes discordantes à política dominante.

(mais…)

bom fim-de-semana

Esta es una época interesante, y lo digo en el peor sentido de la palabra. (Paul Krugman)

ninguém é perfeito, afinal

Na derradeira década do passado milénio o Japão ainda tinha intacta a fama de grande potência económica e os Estados Unidos temiam ser dominados pelos gigantes industriais nipónicos. A isso acrescia o duvidoso prestígio da disciplina, rigor e método em todas as áreas e em todos os passos de execução de tarefas.

Na Europa do início do actual milénio, a Alemanha partilha do mesmo prestígio. Ou partilhava. Como se pode ver pelo modo obtuso como impõe austeridade aos seus devedores, arriscando a leva-los ao incumprimento dos pagamentos. Bem sei, pode-se alegar a severa ética protestante, a disciplina prussiana, o rigor do país que inventou a burocracia e desenvolveu o pensamento lógico.

Outro mito, afinal: perante a catástrofe nuclear, o Japão revela a mesma negligência, a mesma parcimónia de administração da verdade, que o mais comum dos países do terceiro mundo; perante a ameaça mortal da bactéria, a Alemanha exibe o reflexo histérico de arranjar bodes expiatórios, a ponto de ter de ser travada pelas instâncias comunitárias, como qualquer país da Europa dos PIGS.

É a crise, afinal.

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