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“Internet es una cosa y su contraria”

Em entrevista recente, Umberto Eco diz que “Internet es como la vida, donde te encuentras personas inteligentísimas y cretinas. En Internet está todo el saber, pero también todo su contrario, y esta es la tragedia.

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Ou seja, uma tragédia banal e previsível: quanto mais se alarga o universo dos nossos relacionamentos, contactos, fontes de desinformação, espaços de debate, etc, mais facilmente nos deparamos com o maravilhoso e o mesquinho. Porém, há uma ou outra lei da Física que explica haver maior probabilidade estatística para encontrarmos esta última categoria, em vez da primeira (life sucks, terá dito já algum filósofo).

A internet veio aumentar (vertiginosamente) o número de interacções possíveis para o ser humano comum. Que diferença para aqueles bem informados cidadãos ao longo do sec.XIX, correspondendo-se com dezenas, às vezes centenas, de outros indivíduos por todo o mundo, através de papel de carta e dos serviços de correio da altura (a pé, a cavalo, de barco), lendo jornais e revistas que os punham a par das últimas novidades com um atraso somente de dias, semanas, talvez meses, e partilhando entre si um imenso acervo bibliográfico que as enciclopédias (em papel, também) tornaram ainda mais fácil de aceder e consultar!

Porém, sentido crítico, bom senso, curiosidade intelectual e abertura de espírito nunca deixaram de ser ferramentas básicas para o uso e abuso destes recursos, sejam analógicos, sejam digitais.

Infelizmente, são ferramentas que não vêm com o software básico.

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o verbo virtual e a imagem literal

Bem pode ser que uma imagem valha por mil palavras, mas não as dispensa: códigos ocultos à parte, a emoção e perplexidade concentrada numa imagem gera pretexto para todo comentário. Frequentemente, faz apelo a estórias e leituras que sugerem um contexto.

Assim sendo, fica estranho o entendimento expresso na cotação da palavra associada ao valor da prata, quando o silêncio atinge o valor do ouro. O que está subentendido é o valor superior da inteligência, ficando por acrescentar que não há inteligência sem partilha. E a partilha é expressão visual, escrita, verbal, corporal…

Curiosamente, há quem cobre pelas palavras o valor literal e há quem delas retire sentidos fora de texto, principalmente quando estas emanam dum autor tido por sagrado (ou divino). A História é pródiga de polémicas, guerras e massacres por causa das palavras e das imagens.

Numa época de textos e imagens “virais” em processo vertiginoso de canibalização, parasitismo, mutação ou fecundação, tanto se fazem leituras literais de qualquer montagem publicitária quanto se atribuem significados às mais singelas e banais expressões espontâneas (como se pode ver diariamente nas polémicas à volta das figuras mediáticas).

No mercado das cotações, um fenómeno de comunicação assim está abaixo do ouro e da prata, até mesmo do níquel e do latão: é escória, mesmo. Mas gera lucros fabulosos. Paradoxo tecnológico?

"É um bocado estranho com esta tecnologia sem fios."

Lasting words

“No longer free to exercise it, I appreciate more than ever how vital communication is: not just the means by which we live together but part of what living together means.

The wealth of words in which I was raised were a public space in their own right – and properly preserved public spaces are what we so lack today. If words fall into disrepair, what will substitute?

They are all we have.”

(Tony Judt in Guardian)

dardos

No Água Lisa(6) , um dos meus Mundos Comunicantes (logo, de estimação), o João Tunes incluiu-me na distinta lista de blogues que lhe merecem atenção pelas farpas pelos dardos atirados com maior ou menor felicidade a alvos que se colocam a jeito. Vindo dele é, naturalmente, uma escolha de que me orgulho sem falsas modéstias.

O prémio segue uma infindável cadeia que não consegui atingir a origem (e promotor original) mas tem como objectivo o seguinte: Com o Prémio Dardos se reconhecem os valores que cada blogueiro emprega ao transmitir valores culturais, éticos, literários, pessoais, etc. que, em suma, demonstram sua criatividade através do pensamento vivo que está e permanece intacto entre suas letras, entre suas palavras. Esses selos foram criados com a intenção de promover a confraternização entre os blogueiros, uma forma de demonstrar carinho e reconhecimento por um trabalho que agregue valor à Web. Quem recebe o “Prêmio Dardos” e o aceita deve seguir algumas regras: 1. – Exibir a distinta imagem; 2. – Linkar o blog pelo qual recebeu o prémio; 3. – Escolher quinze (15) outros blogs a que entregar o Prémio Dardos.”

Pessoalmente alérgico às correntes de orações tipo “novena ao menino jesus de praga (enviar a outras não sei quantas pessoas sob pena de acontecer um grande mal)”, não deixo de apreciar as iniciativas que dinamizam e promovem o conhecimento dos blogues/blogueiros por afinidades electivas quaisqueres e cultivam um sentido ao acto de blogar.

Para não repetir os blogues dos Mundos Comunicantes, já por si vocacionados para as minhas 15 nomeações, avanço com estes:

Avenida Central, Baixa do Porto, Norteamos, Dias com Árvores, Brétemas, Portugal dos Pequeninos, Pharyngula, Terceira Noite, Mar Salgado, Cinco Dias, Avesso do Avesso, O Amigo do Povo, Avatares do Desejo, Renas e Veados, La Republique des Livres.

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