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Dia do Pi 2013

Devo dizer que sou a última das pessoas que conheço para poder falar do Pi Π (3.14159265359) e o melhor que julgava entender era que se tratava de um número irracional. Apesar de ser verdade, não o é no sentido que lhe dava.

 chickenchaos

Dito isto, e assumindo publicamente que sofri um atraso neurológico das competências matemáticas a partir da tabuada dos 7 (com a notável excepção da tabuada dos 10), o Π sempre me fascinou desde que percebi que alguns matemáticos e místicos nele depositavam a esperança da revelação duma Inteligência Superior que concebeu o Universo. O que me parecia dar razão no entendimento sobre a irracionalidade de certas coisas.

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início da temporada do mistério pascal

-Então o meu papá disse-lhes, "Vá, malta, a sério, não comam aquilo" e a primeira coisa que aquela cabra faz foi come-la. Sim, e é por isso que estou aqui.

Na física do infinitamente grande, como na física do infinitamente pequeno, maravilho-me infinitamente ao partilhar a ignorância dos cientistas que nos falam da importância da matéria escura ou da “partícula de Deus”.

A natureza dos “mistérios” científicos é mais complexa e exigente que a dos Mistérios de outra natureza: ou é “misteriosa” porque assente em pressupostos mal estabelecidos ou porque só se desvela através de aparelhos conceptuais (e técnicos) ainda por estruturar. Mas, essencialmente, é um “mistério” que se revela a pergunta válidas. Questionar é uma arte maior do que a de responder, e as dúvidas menos perigosas do que todas as certezas.

Se me sinto particularmente à vontade para falar disto não é por ter sido iniciado nos saberes matemáticos (e outros) que permitem aceder às esferas superiores da mecânica quântica e da inflação do Universo, mas por pertencer àquela classe de brutos que pensa em voz alta o que cala no íntimo:

(…) Sim, eis o que os meus sentidos aprenderam sozinhos: —
As coisas não têm significação: têm existência.
As coisas são o único sentido oculto das coisas. (Alberto Caeiro)

E, por isso, não sou indiferente ao murmúrio das folhas, folhas dos bosques ou das bibliotecas:

The library is a quiet place.

Angels and gods huddled
In dark unopened books.
The great secret lies
On some shelf Miss Jones
Passes every day on her rounds.

She’s very tall, so she keeps
Her head tipped as if listening.
The books are whispering.
I hear nothing, but she does. (Charles Simic)

Para as criaturas urbanas que não enfrentam a epifania da Aurora e do Ocaso, duma noite de Lua Cheia ou cheia de estrelas, nem experimentam as metamorfoses do bosque ao longo das 4 Estações, fica difícil entender que há tanta beleza no verbo de Sagan, quanto há de rigor na escrita de Eugénio.

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