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viva!

Esta semana está de parabéns: só 2 aninhos, já anda e já fala como gente grande! Por muitos e bons e sempre cheios de vivacidade!

Espaço recomendado a todas as gaivotas perdidas "dum poiso de inspiração".

pedagogia da discordância

Em arte, discordar é mais importante do que estar de acordo. A arte pode ser uma excelente escola cívica de ensino da discordância, mantendo ao mesmo tempo a civilidade. Podemos estar juntos tendo ideias completamente diferentes. É isso a democracia e a cidadania.

Em arte é muito importante pensar de modo diferente.

(João Fernandes in Grande Porto)

"Se Jesus tivesse morrido numa cadeira eléctrica..."

a bem ou a mal

A propósito dum livro recentemente publicado, parece ter-se levantado uma polémica “literária” sobre a abordagem do “Mal”. É interessante como pode ser expresso o critério proposto para a “evocação” do dito cujo: Cuando se evoca el mal, es necesario enfrentarlo al bien, para que sirva de contraste. La reconstrucción del mal sin condena, sin héroes positivos, adquiere una apariencia de voyeurismo amoral. (Lucetta Scaraffia citada in el país)

Supunha que a arte europeia já tinha esgotado o tema ainda no sec.XIX. Que os americanos mantém a dialéctica dos bons e dos maus é um facto que posso observar na esmagadora das séries de televisão ou dos filmes de Hollywood, mas até há uma década atrás iludia-me com a expectativa de que, um dia, também haveriam de crescer. Com a presidência de Bush jr. e o Tea Party já percebi que não. E, entretanto, a Europa parece regressar progressivamente aos velhos demónios da sua infância.

Culpa das nossa herança grega? Pouco provável, ou não tivessem os antigos gregos escritos tragédias. Da cultura judaico-cristã? Ainda menos, como se pode ver por esta pérola do “voyeurismo amoral”:

Ora, um dia em que os filhos de Deus se apresentaram diante do Senhor, Satanás apareceu também no meio deles na presença do Senhor.

O Senhor disse-lhe: De onde vens tu? Andei dando volta pelo mundo, respondeu Satanás, e passeando por ele

O Senhor disse-lhe: Notaste o meu servo Jó? Não há ninguém igual a ele na terra, íntegro, reto, temente a Deus e afastado do mal. Persevera sempre em sua integridade; foi em vão que me incitaste a perdê-lo.

Pele por pele!, respondeu Satanás. O homem dá tudo o que tem para salvar a própria vida.

Mas estende a tua mão, toca-lhe nos ossos, na carne; juro que te renegará em tua face.

O Senhor disse a Satanás: Pois bem, ele está em teu poder, poupa-lhe apenas a vida.

Satanás retirou-se da presença do Senhor e feriu Jó com uma lepra maligna, desde a planta dos pés até o alto da cabeça. ( in a Bíblia)

Não há nada como reler os velhos clássicos…

arte contemporânea

Ontem, ouvindo um pintor e professor de pintura, homem conceituado do meio e desconhecido do grande público, soube que foi empurrado abandonou um projecto de criação/dinamização dum espaço artístico privado (exposições permanentes e não só) essencialmente por ter deixado “escapar” a mensagem de que o espaço e a entidade privada eram independentes das instituições políticas ou outras, o que lhe dava maior coerência para o desafio de se fazer algo do género numa pequena cidade a 20 km da grande cidade.

Por causa dessa “inconfidência”, quem mandava na dita entidade privada recebeu o recado da autarquia local de que “assim” não haveria disponibilidade para qualquer tipo de colaboração. Já teria havido um recado, tempos antes, de que determinado artista local de nomeada não seria visto com bons olhos se expusesse lá. Como o dito artista tambem não fazia parte das preferências do projecto-que-acabou-por não-acontecer (ainda que somente por questões estéticas), a coisa não mereceu demasiada importância.

Filosofando sobre o tema, o dito pintor-professor acrescentou mais esta informação, derivada desta (e outras experiências de vida): uma autarquia desconfia sempre das iniciativas privadas na área cultural, principalmente quando estas interpelam a câmara para obter algum tipo de apoio/colaboração/etc. Se a iniciativa privada contacta a câmara para poder usar um equipamento cultural da autarquia, tudo bem, é para isso que foi construído. E se a câmara tiver aprendido a lição daquela autarquia que passou a exigir o conhecimento prévio de todas as obras a serem exibidas antes, para não ser surpreendida depois (como aconteceu certa vez com a exposição de algo alegadamente-chocante-creio-que-um-corpo-meramente-nu), então está tudo perfeito.

Obviamente, diz ele, não se trata de dinheiro. Trata-se de nunca se colocar a câmara em cheque, de não se utilizar a câmara para promover artistas non-gratos, e de ninguém retirar louros com os apoios da câmara sem os dividir generosamente com esta. No fundo, no fundo, é a mera gestão do Poder e da sua perpetuidade longevidade.

Porque dinheiro para construir pavilhões, anfiteatros, multiqualquercoisas e outros pseudo-equipamentos culturais que depois minguam por falta de projectos, isso não faltará nunca (a menos que a crise obrigue…).

Por exemplo, veja-se aquela câmara duma grande cidade a norte que tem espaços para ceder aos artistas numa zona-património-mundial de graça. Mas os espaços estão vazios porque não há ninguém na dita autarquia que faça a gestão desses equipamentos, que os promova, que desafie os artistas (se é que os há) a ocupa-los e fazerem coisas…

ciência e poesia

Fui desafiado a demonstrar qual seria a minha contribuição para o progresso tecnológico da Humanidade, não no corrente século (para o qual é consabida a minha incapacidade até para inventar a pólvora), mas há 2000 anos atrás caso fosse possível me transportar no tempo.

Este questionário coloca questões algo pertinentes para o dia-a-dia da Humanidade e meu contributo foi considerado medíocre, já que “só” permite avançar 1000 anos. Ou seja, o meu nível de conhecimento técnico está ao nível dum cientista do sec. X. Quem dera! Infelizmente, neste capítulo ainda me sinto ao nível dos chamados Pré-Socráticos (e mesmo assim).

Já quando era adolescente sabia bem as diferenças entre ouvir o mesmo LP numa aparelhagem de boa qualidade e num de qualidade sofrível, mas enfastiavam-me escapavam-me as minudências técnicas dos amplificadores, das colunas, etc e tal. A mim, o que me interessava mesmo eram coisas como a descoberta do som do baixo que me escapara totalmente em gira-discos inferiores.

Por outro lado, fico sempre perplexo com a paixão com que se compram aparelhagens sofisticadas e caras para se ver televisão, gramando ouvindo descrições técnicas próprias dum manual de electrónica, quando o que se pretende é continuar a ver concursos, telejornais, jogos de futebol e uma ou outra série. Quero eu dizer: porque é que a sofisticação técnica não é acompanhada por uma correspondente sofisticação dos gostos lúdicos e estéticos dos consumidores?

Este divórcio aparente certamente não é uma fatalidade, como posso avaliar pela sessão de poesia abaixo anunciada.

ciencia e poesia

E Keats estava errado, como fica demonstrado pela concludente refutação de Hipgnosis e George Hardie :

“una relación con el tiempo”

 “a la melancolía le debemos el estímulo para reflexionar acerca del pasado, el presente y el futuro, y de plantearnos un acceso a ese futuro (…) Ésta es una época en la que la melancolía es genuina“.  (Jean Starobinski in el país)

males venéreos

key055.jpg A Vénus aqui ao lado é datada de 1532, exposta ao público,habitualmente, num museu algures em terras germânicas. Tornou-se especialmente conhecida como ícone da série “Desperate Housewives”, ainda que de modo anónimo, mas com uma intencional animação que bem poderia já estar na cabeça do velho Cranach quando a pintou. (mais…)

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